País planeja exportar caças de nova geração ao Peru

MiG35S é um caça multifuncional da geração 4++ Foto: Anton Denissov/RIA Nóvosti

MiG35S é um caça multifuncional da geração 4++ Foto: Anton Denissov/RIA Nóvosti

Força Aérea do país latino-americano deve trocar o soviético MiG-29 pelo moderno MiG-35. Embora especialistas militares acreditem no potencial da aeronave no mercado peruano, o MiG-35 não está ao serviço das Forças Armadas russas e isso impede a sua promoção no exterior.

No início deste mês, o diretor da RSK MiG, Serguêi Korotkov, disse que pretende propor ao comando militar peruano novos modelos MiG-35 para substituir as 15 aeronaves soviéticas MiG-29 que estão atualmente ao serviço da Força Aérea do Peru. Em 2015, a previsão é que orçamento para a Defesa do país latino-americano aumente 20% em relação à verba disponível este ano.

Desde 2012, o presidente peruano, Ollanta Humala vem desenvolvendo um programa para modernizar a obsoleta frota aérea do país. A principal ameaça para a segurança nacionais do Peru é o narcoterrorismo e as disputas territoriais, bem como países vizinhos bem armados, especialmente o Chile.

O programa de modernização anunciado por Humala se tornou uma promissora janela para a Rússia no mercado peruano. Se após o colapso da URSS a cooperação técnico-militar entre a Rússia e o Peru praticamente não existia, nos últimos três anos ela aumentou significativamente.

No final de 2013, os países assinaram um importante acordo de fornecimento de 24 modelos Mi-171SH, em um contrato estimado em US$ 406 milhões. Na mesma época, foram modernizados oito MiG-29 para a versão SMT. Agora é a vez das negociações para modernização de mais oito MiG-29, cujo acordo deve ser assinado ainda este ano.

Raio-x do MiG35S

O MiG35S é um caça multifuncional da geração 4++. A aeronave foi desenvolvida a partir dos modelos MiG-29K e MiG-29M. O novo caça tem mais chances em combate devido à introdução de um sistema de bordo de defesa que aumenta consideravelmente a confiabilidade da aeronave, do motor e dos aviônicos, além de maior vida útil. A aeronave vem equipada com mísseis ar-ar e ar-superfície, assim como com o sistema de radar Juk-A – sistema que permite ao caça atacar vários alvos ao mesmo tempo e se manter protegido da interferência eletrônica do inimigo. Os indicadores técnicos do caça MiG-35 aproximam esta aeronave dos modelos de quinta geração.

O estado atual da cooperação técnico-militar entre os países indica que o MiG-35 tem  chances no mercado peruano. “O MiG-35 é uma modernização radical do MiG-29, que já está em serviço no Peru. Por isso, a compra do MiG-35 seria vantajosa para eles”, disse à Gazeta Russa o diretor do Centro de Análise de Estratégias e Tecnologias, Ruslan Pukhov.

Segundo o especialista, a compra do novo modelo russo sairá mais barata do apostar na concorrência, e não haverá necessidade de mudar a infraestrutura terrestre para se adaptar à nova aquisição. “Os peruanos poderiam, tal como a Venezuela, se interessar pelo preço do russo Su-30, mas estes são mais caros e, por isso, eles conseguiriam comprar menos unidades”, expõe Pukhov.

Concorrência pesada

Em comparação às economias do Brasil e da Venezuela, a do Peru é significativamente menor. A vitória em caso de licitação pública para a compra de novas aeronaves dependerá não apenas da performance técnica e operacional das máquinas, mas também do preço, dos sistemas de cálculo e da existência de acordos offset.

“De qualquer modo, a indústria armamentista russa tem pela frente um duro combate, e é importante não perder esse mercado. Na licitação pública irão concorrer também o francês Rafale e o sueco Gripen, que já saiu vencedor no Brasil”, diz Pukhov.

O Exército russo também pretende adquirir o MiG-35. No entanto, o Ministério da Defesa adiou para 2016 a assinatura do contrato com a RSK MiG para fornecimento de 37 caças, p que pode comprometer o sucesso da promoção do MiG-35 no exterior.

“É claro que o MiG-35 tem boas perspectivas de exportação”, dispara o vice-editor da revista da especialidade Vzliot (Decolagem), Vladímir Scherbakov. “Mas o avião ainda não está voando nos céus da Rússia, o que pode deixar em alerta potenciais clientes: por que estamos vendendo um aparelho que nós próprio não usamos na Defesa?”, arremata.

 

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