Programa Dnepr deve ser substituído por foguetes "ecológicos"

Intensificação da crise política alterou a dinâmica entre as partes, inclusive no setor espacial Foto: Serguêi Kazak/RIA Nóvosti

Intensificação da crise política alterou a dinâmica entre as partes, inclusive no setor espacial Foto: Serguêi Kazak/RIA Nóvosti

Crise atual força autoridades a buscarem alternativas para parceria espacial russo-ucraniana. Além de apontar questões políticas e econômicas, alguns especialistas também consideram que o “Dnepr” é desfavorável por questão ambientais.

A crise ucraniana provocou um debate sobre a possibilidade e a conveniência da continuação do programa russo-ucraniano “Dnepr”, que supõe os lançamentos comerciais de naves espaciais por meio de um tipo adaptado do míssil balístico intercontinental RS-20B.

“Os interesses econômicos, políticos e militares da Rússia são incompatíveis com a continuidade dos lançamentos baseados no programa russo-ucraniano Dnepr”, disse um representante da indústria espacial russa (Roscosmos) à agência Interfax no último dia 9.

Do ponto de vista técnico, o “Dnepr” poderia continuar sendo utilizado: o míssil balístico intercontinental mais pesado no mundo tem um sistema de energia tão eficiente que permite a adaptação para foguete com boas características, além da alta confiabilidade. Até setembro de 2000 foram realizados 159 lançamentos, e apenas quatro não foram bem-sucedidos.

Levando em conta o custo baixo para seu aperfeiçoamento, o programa “Dnepr” também parecia economicamente atraente. Tanto que, em 1997, Rússia, Ucrânia e Cazaquistão estabeleceram a joint venture Kosmotrans para a exploração comercial desse tipo de foguete adaptado a partir do Cosmódromo de Baikonur.

Trajetória do Dnepr

O programa “Dnepr” começou no final dos anos 1990, quando foi apresentado o conceito de formação de sistemas baixo-orbitais de comunicações espaciais multissatélites. Durante sua implementação havia a intenção de lançar centenas de naves espaciais, utilizando mísseis balísticos intercontinentais adaptados que estavam sendo retirados do serviço militar. A possibilidade de implementar essa ideia na prática surgiu em 1991, após a conclusão do Tratado START-1:  150 foguetes de combustível líquido de três estágios RS-20B foram destinados à eliminação, e uma parte deles poderia ser usada como meio de lançamento no lugar de um veículo lançador. Todos os 308 mísseis balísticos intercontinentais foram devolvidos à Rússia.

Porém, com a intensificação da crise política, a dinâmica entre as partes também foi alterada. Até recentemente, as empresas ucranianas realizavam manutenção a técnica de sistemas com base em modificações do R-36M. Em consequência dos decretos assinados pelo presidente ucraniano Petrô Porochenko, a cooperação técnico-militar foi unilateralmente encerrada.

“Estudamos as condições financeiras e a documentação. Nossas empresas também podem funcionar como construtoras e, em caso de falha, encerramos os contratos com a Ucrânia e transferimos a responsabilidade por todo o trabalho para a Rússia”, adiantou  o vice-diretor da Roscosmos, Serguêi Ponomariov, na época da rescisão.

Nesse cenário, os especialistas russos estão fazendo a maior parte dos trabalhos regulares de manutenção do míssil balístico intercontinental de maneira independente a fim de compensar rapidamente as dificuldades. Os lançamentos do modelo adaptado poderão ser delegadas ao construtor de mísseis balísticos submarinos, o Centro Estatal de Foguetes Acadêmico Makeev.

Solução verde

Em relação aos aspectos comerciais, é pouco provável que os interesses da Rússia sejam significativamente prejudicados, já que sete ou oito mísseis estão prontos para lançamento.

No final deste mês, o “Dnepr” deverá colocar em órbita cinco microssatélites japoneses e, em junho de 2015, será a vez de dois aparelhos americanos de comunicação de nova geração “Iridium NEXT”.

Com o custo de lançamento estimado em até US$ 35 milhões, o lucro perdido, no caso de interrupção dos lançamentos do “Dnepr”, não irá ultrapassar a marca dos US$ 280 milhões.

Além de apontar questões políticas e econômicas, alguns especialistas também consideram que o “Dnepr” é desfavorável por questão ambientais, levando em conta os componentes tóxicos de combustível do foguete.

O próprio Ministério da Defesa russo já afirmou que nao tem mais intenção de comprar mísseis com propulsores tóxicos. Depois dos lançamentos de “Dnepr”, “Kosmos”, “Cyclon” e “Rókot”, os lançamentos de mísseis ligeiros realizados nos interesses da pasta serão feitos por foguetes novos e ecológicos, como “Soyuz-2” e “Angará”.

 

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