Forças estratégicas serão completamente modernizadas até 2020

Marinha deverá receber oito submarinos nucleares com mísseis balísticos do Projeto 955 Foto: Press Photo

Marinha deverá receber oito submarinos nucleares com mísseis balísticos do Projeto 955 Foto: Press Photo

A ameaça militar representada pela expansão da Otan no Leste Europeu está forçando a Rússia a modernizar seu armamento nuclear estratégico. Entre as medidas, estão a criação de novos tipos de mísseis balísticos e submarinos, o aperfeiçoamento da aviação estratégica e a modernização do sistema de controle do espaço.

De acordo com Dmítri Rogózin, vice-primeiro-ministro russo e atual responsável pelo sistema militar-industrial do país,  Moscou está intensificando o ritmo de renovação do conjunto de suas forças estratégicas nucleares de dissuasão. A atualização completa das forças deverá ser concluída até 2020.

“A implantação do sistema de defesa antimísseis norte-americano na Polônia, Romênia e talvez nos Países Bálticos é uma ameaça direta à segurança da Rússia”, explicou à Gazeta Russa o ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Mísseis Estratégicos, Víktor Éssin. “O aparecimento de mísseis nesses países vai permitir aos EUA implementarem o chamado plano de ataque relâmpago.”

Com isso, a ideia da Otan é posicionar os sistemas antimísseis o mais próximo possível dos lançadores de mísseis balísticos do potencial inimigo e evitar que eles sejam lançados. Se lançado da Alemanha, o Pershing-2, por exemplo, levaria de 7 a 10 minutos até atingir Moscou; já os novos antimísseis instalados no Báltico atingiriam o alvo em metade do tempo.

Na tentativa de fazer frente ao avanço militar dos EUA, Moscou vem, portanto, criando novos tipos de mísseis balísticos, como o RS-26 Yars. Esses mísseis têm ogivas nucleares hipersônicas em multiblocos manobráveis, e cada um desses blocos possui o seu próprio sistema de orientação automática relativamente ao alvo e consegue superar o sistema americano NMD.

Todos os sistemas móveis e de silos de mísseis russos Topol e Topol-M, que compõem um total de 186 unidades, serão aperfeiçoadas com o novo aparato.

Nova doutrina

Também está em curso o desenvolvimento em grande escala de componentes marítimos das forças nucleares estratégicas de dissuasão. Um dos projetos se refere à construção maciça de navios da nova geração 955, do projeto do tipo Borei, que devem se tornar o principal elemento naval da tríade nuclear russa.

Até 2020, de acordo com o programa estadual de armamento, a Marinha deverá receber oito submarinos nucleares com mísseis balísticos do Projeto 955 – cada um com capacidade para transportar 16 mísseis balísticos Bulava.

Quando o assunto é aviação estratégica, o governo russo está empenhado na sistemática modernização da aviônica dos bombardeiros Tu-160 e Tu-95. Cada um dos 66 bombardeiros pesados ​​vai receber novos sistemas de controle, de navegação e orientação de voo para o alvo. Isso permite usar os bombardeiros para resolver não só questões de dissuasão nuclear, mas também efetuar ataques aéreos por meios convencionais.

“Na nova doutrina de segurança nacional, que está agora sendo preparada”, diz o ex-chefe do Estado-Maior do Exército Russo, Iúri Baluiévski, “não consta um posicionamento que defenda um ataque nuclear preventivo em caso de ameaça à segurança do país. No entanto, Moscou se reserva o direito de possuir e, se necessário, de recorrer a armas nucleares”.

Reação defensiva

Nos dias de hoje, a existência de mísseis balísticos, submarinos e bombardeiros não são suficientes para garantir a segurança de um país. É preciso também ter um sistema fiável de controle do espaço aéreo, de alerta precoce de lançamentos de mísseis e de gerenciamento de suas próprias forças nucleares.

No âmbito do programa estatal de armamento até 2020, a Rússia já terá implantado ao longo de suas fronteiras uma rede de estações de alerta precoce de lançamentos de mísseis do tipo Voronej.

A primeira estação desse tipo foi implantada perto de São Petersburgo. Como resultado, os militares adquiriram imediatamente a possibilidade de acompanhar tudo o que está acontecendo no ar e no espaço desde a costa de Marrocos até Svalbard e, longitudinalmente, até a costa leste dos Estados Unidos.

A segunda estação foi colocada perto de Armavir, de onde monitoriza o território entre o norte da África e a Índia. O radar permite observar o espaço aéreo até mais de 4000 km de distância. A construção da estação de radar na região de Kaliningrado fechou o setor ocidental.

Em um futuro próximo, será entregue também uma estação para a região de Irkutsk, que conseguirá “furar” o espaço desde a China até a costa oeste dos EUA.

Segundo o chefe das Forças de Mísseis Estratégicos, o general Serguêi Karakaiev, as tropas subordinadas a ele já passaram para o novo sistema de controle totalmente digital. Isso aumenta a estabilidade do sistema em caso de conflito nuclear.

“O jogo de forças é mais uma reação defensiva do que o desejo de assustar alguém”, diz o professor da Academia de Ciências Militares, Vadim Koziúlin. “Tanto Moscou como Washington entendem o grau de responsabilidade de se possuir e o perigo de se usar armas nucleares. Caso contrário, as partes não se sentariam à mesa para negociar. Na área de armas estratégicas, acho que a prudência será mantida.”

 

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