Base lunar, varredores de órbita e foguete rumo a Marte

Base na Lua será desenvolvida até 2025 Foto: Alamy/Legion Media

Base na Lua será desenvolvida até 2025 Foto: Alamy/Legion Media

A Agência Espacial Russa (Rosсosmos) anunciou recentemente uma série de novos projetos ambiciosos. A Gazeta Russa criou uma lista com os mais caros e impressionantes deles. É claro que nem todos esses projetos serão implementados por completo no futuro próximo, mas certamente podem revolucionar o espaço para sempre.

1.    Liquidator, a vassoura do espaço

Os seres humanos ainda não conquistaram o espaço, mas já conseguiram contaminá-lo. De acordo com a Rede de Vigilância Espacial dos EUA, existem mais de 16.200 objetos soltos que orbitam em torno da Terra, com potencial para destruir os novos veículos lançados no espaço.

Mas há uma chance de a trama do filme “Gravidade”, no qual os astronautas interpretados por Sandra Bullock e George Clooney ficam presos no espaço após a destruição de sua nave, se tornar realidade.

Em agosto passado, a Roscosmos declarou seus planos de criar uma nave espacial para limpar satélites velhos da órbita geoestacionária. O projeto, chamado Liquidator, deve ser desenvolvido entre 2018 e 2025, e requer orçamento de aproximadamente 10,8 bilhões de rublos (US$ 292 milhões).

2.    Novos cosmódromos

A Roscosmos planeja gastar 900 bilhões de rublos (US$ 24,3 bilhões) para desenvolver infraestrutura de portos espaciais. Esses recursos serão usados ​​para construir uma extensão do cosmódromo de Plesetsk, concluir a construção do cosmódromo de Vostótchni e dar suporte ao complexo espacial de Baikonur, no Cazaquistão.

A agência russa tem, porém, uma opção mais financeiramente viável. Se uma disputa com o Cazaquistão for resolvida até 2020, a Roscosmos acabará gastando 800 bilhões de rublos (US$ 21,6 bilhões). Nesse caso, a agência russa poderá usar Baikonur, bem como os cosmódromos russos. Os 100 bilhões de rublos (US$ 2,7 bilhões) economizados podem ser então liberados para utilização no complexo de Vostótchni.

3.    Sensoriamento remoto da Terra

O sensoriamento remoto da Terra é uma das áreas mais fracas da indústria espacial russa. Sem um programa nacional em vigor, os cientistas russos têm que confiar em informações de satélites internacionais. Mas o Programa Espacial Federal será desenvolvido entre 2016 e 2025, com a promessa de ampliar a frota orbital por meio da implantação de 26 satélites de alta tecnologia – a um custo de 358,6 bilhões de rublos (US$ 9,7 bilhões).

Os diferentes projetos no âmbito do programa federal incluem (custos em parênteses):

Meteo-SSO, um sistema hidrometeorológico e heliofísico global que consiste em quatro satélites de nova geração; eles viajarão em órbitas sincronizadas ao Sol (US$ 1,8 bilhão).

Meteo-Glob, um sistema de sensoriamento meteorológico global que usa faixas visíveis e infravermelhas (US$ 2,3 bilhões).

Resurs, um programa de três satélites destinado a capturar imagens da Terra em alta resolução (US$ 1,5 bilhão).

ES-SSO, um sistema operacional de supervisão do espaço para situações de emergência locais. É composto por 10 satélites que orbitam em sincronia com o Sol (US$ 2,9 bilhões).

ES-GSO é um sistema de supervisão do espaço para grandes situações de emergência (US$ 1,2 bilhão).

4.    Base lunar

As naves russas foram as primeiras a sobrevoar o lado oculto da Lua e a colher amostras de solo lunar, mas nunca conseguiram colocar uma pessoa sequer em sua superfície. A Roscosmos resolveu, por isso, investir seriamente em exploração lunar.

A expectativa é que a agência gaste US$ 280 milhões no desenvolvimento de uma base na Lua, um guindaste manipulador móvel, uma motoniveladora, uma escavadeira e um robô móvel para exploração da superfície lunar entre 2018 e 2025. Parece que a Roscosmos quer ser mais do que apenas uma visita, e sim um residente em tempo integral.

5.    Moon-Mobile

Uma base lunar sem um veículo lunar apropriado não faria muito sentido. É por isso que a Roscosmos está desenvolvendo um novo robô que irá procurar recursos naturais na superfície do satélite natural da Terra. A Lua é cheia de recursos e elementos raros, como titânio e urânio, que o nosso planeta não possui em abundância. Também é rica em hélio-3, um potencial combustível para a fusão nuclear. O veículo, chamado Moon-Mobile, deve ser concluído até 2021, e depois passará por testes diversos durante um período de quatro anos.

6.    Foguetes superpesados rumo a Marte

Em setembro de 2014, os planos para construção de um foguete superpesado, com capacidade de 120 a 150 toneladas, recebeu aprovação preliminar do presidente Vladímir Pútin. Esse foguete é uma das ideias mais caras da Roscosmos, e seu orçamento é duas vezes maior que o do foguete Angara, uma nave espacial em uso atualmente. O objetivo do novo veículo é voar para Marte. Cabe lembrar que a Nasa tem um projeto de foguete semelhante em andamento.

7.    Spectr-RG para a exploração de buracos negros

Em 2013, o observatório astrofísico russo-alemão Spectr-RG estava pronto para ser lançado. O objetivo era explorar os aglomerados de galáxias e os buracos negros com a ajuda do telescópio eROSITA Roentgen.

Porém, o seu lançamento foi adiado devido a contenção de despesas e problemas com o desenvolvedor. Embora a ideia já exista desde o final dos anos 1980, o projeto só foi retomado em 2005, exigindo US$ 135 milhões para sua implementação. A expectativa é que o observatório seja finalmente lançado até 2017.

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