Aviões anfíbios nacionais voltam a atrair interesse

O Ministério de Situações de Emergência da França está planejando alugar da Rússia um Be-200 Foto: Mikhail Morkúchin/RIA Nóvosti

O Ministério de Situações de Emergência da França está planejando alugar da Rússia um Be-200 Foto: Mikhail Morkúchin/RIA Nóvosti

A Rússia vive um aumento na produção de aviões anfíbios Be-200. Enquanto trabalha-se na sua promoção e certificação no exterior, num futuro próximo a Rússia terá de se preparar para enfrentar uma concorrência séria na indústria da hidroaviação, onde os novos adversários são os países da Ásia.

Em 2015, será lançado no mercado mundial o avião anfíbio chinês JL-600 “Dragão de Água” –um turbo-hélice com quatro motores que pode ser usado ​​a uma altura de ondas de 2 metros. A aeronave, que deverá se tornar o maior anfíbio do mundo (atualmente esse título pertence à japonesa Shin Maiwa), será uma séria concorrente para a aeronave russa Be-200. O já existente avião japonês e o futuro chinês representam uma séria ameaça para o potencial de exportação das aeronaves russas.

A Rússia tem grande experiência na criação de hidroaviões, mas a hidroaviação foi sempre vista como a ‘gata borralheira’ da aviação. Ela era financiada pelo princípio residual: as encomendas de anfíbios por parte de agências governamentais podiam ser contadas nos dedos da mão e as perspectivas de exportação destas aeronaves incomuns também não eram bem claras. Sem encomendas não existe produção em massa e, por conseguinte, não há nenhum progresso tecnológico sério para oferecer aos mercados estrangeiros.

O hidroavião Be-200 foi projetado com base no hidroavião a jato A-40 Albatros e criado para apagar incêndios. O projeto da aeronave dá espaço para alterações de modernização, o que permite utilizá-la para o transporte de mercadorias e pessoas, bem como para patrulhamento e execução de várias outras tarefas.

Mas nos últimos anos esta situação tem mudado para melhor. O avião anfíbio pesado Be-200, o cartão postal dos hidroaviões russos, foi primeiro encomendado pelo Ministério de Situações de Emergência (MSE). Em 2013, foi a vez do Ministério da Defesa solicitar seis dessas aeronaves. Os militares russos receberão o primeiro aparelho já antes do final deste ano, diz a assessoria de imprensa da Corporação Unida de Construção Aeronáutica, citando declaração do diretor da corporação, Mikhail Pogossian.

Devido ao aumento da produção do Be-200, a sua criadora, a Empresa Aeronáutica Beriev, e as autoridades russas já estão promovendo ativamente a aeronave no exterior, onde ela será usada para operações de busca e salvamento no mar e em incêndios florestais.

Europa e América Latina

Na edição de 2013 da feira de aeronáutica de Le Bourget, especialistas da Empresa de Aeronáutica Beriev realizaram reuniões com representantes de diversas empresas de Suíça, Canadá, EUA, França e Chile, nas quais se discutiram perspectivas de promoção do Be-200 e questões relacionadas com a sua certificação. "Essas reuniões confirmaram as boas perspectivas de exportação do avião anfíbio Be-200", consta no site da empresa Beriev.

Ainda em 2010, a modificação Be-200ES-E recebeu a certificação da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA). Em 2001, no âmbito dos testes às capacidades do Be-200, a aeronave conseguiu participar do combate a incêndios na França e foi elogiada por especialistas franceses.

O Ministério de Situações de Emergência da França está planejando alugar da Rússia um Be-200, disse à RIA Nóvosti o projetista sênior do Complexo Técnico-Científico de Aeronáutica de Taganrog Igor Beriev. No entanto, e apesar das inúmeras negociações, o alargamento da geografia de entregas do Be-200 ainda não aconteceu.

O vetor asiático

Na região de grande potencial do sudeste da Ásia, onde existe demanda por anfíbios nas grandes extensões marítimas para a realização de missões de patrulhamento da zona econômica, bem como para missões de busca e salvamento, a Rússia tem enfrentado recentemente a forte competição das potências asiáticas, o que dificulta a exportação do Be-200 para esta região.

O Japão suspendeu este ano a proibição da exportação de equipamento militar e de produtos de dupla utilização, que até então estava proibida por lei. Anteriormente, a empresa produtora de aviões anfíbios Shin Maiwa conseguira obter autorização do Ministério da Defesa do Japão para exportar aviões Shin Maiwa US2.

Em 2010, o anfíbio japonês participou do concurso público para a Marinha indiana, onde ficou à frente do russo Be-200 e do canadense CL-415. No início de 2014, foi assinado um acordo preliminar entre a Índia e o Japão relativo à entrega dessas aeronaves aos indianos. Indonésia e Brunei também manifestaram interesse pelos anfíbios japoneses. A perda na licitação pública indiana poderá afetar negativamente as perspectivas futuras da exportação do Be-200 e exigir da Rússia novos esforços para promover a aeronave. Além disso, há ainda o chinês ‘Dragão de Água’, que brevemente estará disponível no mercado.

Apesar dos sérios desafios a serem enfrentados pelo anfíbio nacional, o Be-200 tem chances de competir por mercados na América Latina e no Sudeste Asiático. A demanda por hidroaviões ao redor do mundo continua sendo alta. Segundo a agência de análise do setor, a Aviaport, a previsão de mercado potencial para os próximos 10 anos é de 150 aviões. Se o governo russo intensificar o desenvolvimento do projeto e reforçar o marketing do Be-200, com uma produção modernizada das aeronaves na fábrica Beriev conseguiremos ver o Be-200 em céus estrangeiros. 

 

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