Rússia criará sistema de ataque em resposta a programa desenvolvido pelos Estados Unidos

O programa Prompt Global Strike prevê a criação de instrumentos de ataque hipersônicos capazes de destruir um alvo em qualquer ponto do planeta em um período mínimo de tempo Foto: RIA Nóvosti

O programa Prompt Global Strike prevê a criação de instrumentos de ataque hipersônicos capazes de destruir um alvo em qualquer ponto do planeta em um período mínimo de tempo Foto: RIA Nóvosti

Sistema análogo ao Prompt Global Strike será lançado em caso de ameaça real dos EUA. O desenvolvimento de projetos e testes nessa área já está em andamento, mas não está sendo divulgado pelo governo russo.

A Rússia pretende criar um sistema de ataque próprio em resposta ao programa Prompt Global Strike,que está sendo desenvolvido pelos Estados Unidos, declarou o vice-ministro da Defesa, Iúri Borisov, sugerindo que, seguindo os passos de Washington, Moscou está se empenhando na produção de mísseis de cruzeiro hipersônicos de longo alcance.

O programa Prompt Global Strike prevê a criação de instrumentos de ataque hipersônicos capazes de destruir um alvo em qualquer ponto do planeta em um período mínimo de tempo. De acordo com Vladimir Dvorkin, ex-chefe do 4º Instituto de Investigação Científica do Ministério da Defesa russo, atualmente um míssil balístico marinho americano Trident leva de 15 a 20 minutos para chegar à Moscou e o terrestre Minuteman-3, de 25 a 35 minutos. O lançamento desses mísseis e o cálculo de sua trajetória são facilmente registrados pelo sistema de alerta de ataque de mísseis, e há tempo suficiente para colocar em prontidão de combate o sistema de defesa antimíssil da Rússia.

É justamente por isso que Washington pretende criar uma arma capaz de superar a distância dos EUA até a Rússia em um tempo mínimo. Ao contrário dos mísseis balísticos, os mísseis hipersônicos serão lançados a partir de bombardeiros ou de lançadores Mk-41. Isso deve tornar impossível a detecção do lançamento pelos sistemas existentes de alerta de ataques de mísseis, tanto espaciais como terrestres.

Atualmente, os Estados Unidos são líderes na criação de veículos aéreos hipersônicos. O país está trabalhando simultaneamente em vários tipos deles: X-43A (Nasa), X-51A (Força Aérea), AHW (Exército), ArcLight (Darpa, Marinha) e Falcon HTV-2 (Darpa, Força Aérea). Na opinião de especialistas, o surgimento desses veículos permitirá criar mísseis de cruzeiro hipersônicos de longo alcance até 2018 ou 2020.

Mísseis hipersônicos

Atividades semelhantes não são divulgadas pela Rússia, apesar de o primeiro veículo hipersônico ter sido criado na União Soviética, no final da década de 1970. Em 1997, ele foi exibido pela primeira vez no Salão Aeroespacial Maks, pelos designers do escritório de engenharia Raduga. O veículo aéreo experimental hipersônico X-90 foi apresentado como um sistema pertencente a uma nova classe. De acordo com dados da empresa, o foguete era capaz de percorrer uma distância de até 3.000 quilômetros e carregava duas ogivas com orientação individualizada, capazes de atingir alvos a uma distância de 100 km a partir do ponto de separação.

O X-90 acabou não sendo adotado pelo exército russo, mas os princípios de seu funcionamento são parecidos com a descrição das ogivas nucleares manobráveis dos mísseis balísticos Topol-M, Iars e do novo RS-26. Tais mísseis foram apontados diversas vezes pelo Ministério da Defesa como um exemplo de superação de qualquer sistema de defesa antimíssil. De acordo com os militares, o bloco manobrável pode “dar uma guinada” a qualquer segundo, alterando a direção do voo de maneira imprevisível e driblando os sistemas antimísseis.

O vice-primeiro ministro da Rússia, Dmítri Rogózin, disse que os trabalhos de criação dos mísseis hipersônicos já estão sendo realizados no país. Neste verão, a corporação Tactical Missiles, o Ministério da Defesa e o Ministério da Indústria e do Comércio divulgaram a elaboração em conjunto de um programa de criação de tecnologias de mísseis hipersônicos. Mais de 2 bilhões de rublos (R$ 120 milhões) serão investidos na criação de veículos avançados e o primeiro aparelho será finalizado no máximo até 2020.

Foto: ITAR-TASS

"Normalmente, os mísseis de cruzeiro supersônicos voam a uma velocidade Mach 2-3, e queremos que nossos aparelhos voem a uma velocidade superior a Mach 6. A questão é criar uma máquina que irá operar durante sete a dez minutos e desenvolver uma velocidade de mais de 1.500 metros por segundo. Nós já tivemos aparelhos semelhantes, como, por exemplo, a nave espacial reutilizável Buran, que ao entrar nas camadas densas da atmosfera desenvolvia uma velocidade de Mach 25. A questão é fazer com que semelhante voo seja ativo, isto é, a máquina deve desenvolver e manter tal velocidade de forma independente", explicou à Gazeta Russa Nikolai Grigoriev, doutor em ciências físicas e matemáticas.

Em 2011, o Instituto Central de Motores de Aviação exibiu uma série de veículos hipersônicos avançados na exposição MAKS. Na ocasião, o representante do Instituto, Viatcheslav Semionov, informou que um aeromodelo totalmente operacional de míssil de cruzeiro hipersônico seria apresentado ao Ministério da Defesa em 2012. O mesmo foi dito por Boris Obnosov, diretor geral da corporação Tactical Missiles. No entanto, comunicados posteriores sobre o destino desses aparelhos não apareceram na imprensa.

Há rumores da criação de um sistema avançado de mísseis, batizado de Zircon. De acordo com alguns dados, em seu fundamento está uma ogiva criada com base no míssil supersônico antinavio Iakhont e no seu análogo russo-indiano BrahMos. Ao contrário dos designers russos, os profissionais indianos da BrahMos Aerospace Limited anunciaram mais de uma vez que estão trabalhando na criação de uma versão hipersônica do seu produto. No entanto, do mesmo jeito que no caso dos veículos aéreos hipersônicos americanos, por enquanto não foram obtidos grandes sucessos.  De acordo com um representante da empresa, o veículo é capaz de voar, mas não por muito tempo.

 

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