Até 2020, aviação russa deve receber primeiros vants de ataque

  Atualmente, o mercado de veículos aéreos não tripulados está experimentando um verdadeiro boom Foto: RIA Nóvosti

Atualmente, o mercado de veículos aéreos não tripulados está experimentando um verdadeiro boom Foto: RIA Nóvosti

De acordo com o vice-ministro da defesa, Iúri Borisov, no momento, os trabalhos de pesquisa no âmbito do projeto estão sendo concluídos. No futuro, os veículos aéreos não tripulados de ataque russos serão capazes de solucionar problemas estratégicos, pois terão baixa detectabilidade e irão diferir dos veículos pilotados pela maior estabilidade de combate.

Atualmente, mais de 600 tipos de veículos aéreos não tripulados (os vants, também chamados de drones) são produzidos no mundo. Destes, apenas 25 na Rússia. Mas há apenas 20 anos Moscou era líder incontestável na criação de veículos do tipo. Nos anos 80, só de aviões de reconhecimento Tu-143 foram produzidas 950 unidades. Depois, o Ministério da Defesa suspendeu a produção de drones.

Foram os americanos que forçaram os militares russos a se focarem novamente nos vants. Operações bem sucedidas com o uso de veículos não tripulados sobre o território do Afeganistão e do Paquistão mostraram que não dá para imaginar uma guerra do futuro sem esse tipo de tecnologia. São necessários muitos anos e milhões de dólares para o treinamento de um piloto de combate convencional e é mais rápido criar um drone do que treinar um contingente. Além disso, os drones podem minimizar a perda de vidas humanas. Os operadores que os controlam encontram-se em área de retaguarda profunda e nunca serão afetados durante o desenrolar do conflito militar.

A guerra de 2008 na Ossétia do Sul foi outro impulso para o desenvolvimento de drones próprios. A utilização de drones israelenses pelo exército georgiano fez com que o Ministério da Defesa da Rússia chegasse à conclusão de que sem essa tecnologia não se vai a lugar algum.

Subida

Naquele mesmo ano, foi anunciada a primeira licitação para o desenvolvimento de vants. Algumas equipes de design saíram vencedoras ao mesmo tempo. O Design Bureau Iakovlev apresentou o projeto do drone de ataque “Scud”, que acabou ficando muito parecido com o X-47 americano no que diz respeito ao aspecto externo e às características.

Seu peso máximo de decolagem é de 10 toneladas. A autonomia de voo é de 4 mil quilômetros e a velocidade do voo junto à terra é de não menos que 800 quilômetros por hora. Ele pode transportar dois mísseis da classe ar-superfície/ar-radar ou duas bombas aéreas guiadas com peso total não superior a uma tonelada. No momento, nada se sabe sobre o desenvolvimento desse tipo de drone.

O segundo vencedor foi o Experimental Design Bureau Sukhoi, com o projeto X-40. As informações sobre esse vant são extremamente concisas. O mais provável é que na sua concepção ele herdará os “traços ancestrais" dos famosos caças da marca “Su” e irá se tornar o protótipo do caça de 6ª geração. Iúri Borisov se referiu a isso ao insinuar que o futuro veículo de ataque será criado com base nas tecnologias do caça de 5ª geração, o T-50.

No T-50 foi implementado o principal requisito dos caças modernos, ou seja, uma enorme quantidade de sensores distribuídos pelas asas e por toda a fuselagem, capazes de analisar as informações do voo de forma independente e fazer ajustes na missão de voo do caça. Sem intervenção humana, a máquina é capaz de realizar voos em altitudes extremamente baixas, contornando o relevo do lugar, e detectar e classificar os alvos no ar, na terra e no mar.

Boom

Atualmente, o mercado de veículos aéreos não tripulados está experimentando um verdadeiro boom.  As principais potências da aviação estão dispostas a investir quase US$ 55 bilhões (dos quais US$ 16 bilhões serão destinados diretamente para a compra dos aparelhos).

Em meados de fevereiro, o ministro da Defesa da Rússia, Serguêi Shoigu, declarou que o órgão militar pretende gastar 320 bilhões de rublos até 2020 com o programa que visa equipar as Forças Armadas com veículos aéreos não tripulados.

Não ficou claro na compra de quais máquinas. Todas as mais recentes mostras dos veículos de ataque não tripulados foram divididas em duas partes. Uma parte aberta, na qual eram demonstrados os veículos de nível tático e operacional-tático, frequentemente criados com base em uma licença ou com a utilização de componentes importados. Esses, eram geralmente drones de dupla finalidade.

E uma parte fechada, onde os representantes do ministério podiam ver as aeronaves estratégicas. De acordo com a afirmação de uma fonte da Gazeta Russa próxima ao Ministério da Defesa, em uma dessas mostras, foi apresentado a Shoigu um aparelho estratégico alimentado por energia solar. Suas dimensões eram tão grandes que não foi possível trazer o drone até o local da mostra, e Shoigu teve que conhecê-lo com ajuda de uma televisão.

Na opinião dos especialistas, o fato de a mostra ter sido sigilosa aponta que na Rússia existem modelos de equipamentos sobre os quais não vale a pena falar publicamente. Ainda mais que o principal valor dos drones não está nas formas aerodinâmicas e sim no conteúdo intelectual dos programas de gerenciamento.

           

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