Rússia reforça frota de submarinos não nucleares

A classe Varshavianka é composta por submarinos diesel-elétricos de baixo ruído Foto: ITAR-TASS

A classe Varshavianka é composta por submarinos diesel-elétricos de baixo ruído Foto: ITAR-TASS

Trata-se de um projeto atualizado com novos sistemas de navegação e gerenciamento automatizado de seus controles.

No dia 28 de maio, o moderno submarino diesel-elétrico (SSK) Projeto 636.3 Novorossiisk começou seu período de testes no mar Báltico por um mês. Em seguida, vai ser transferido à frota do Mar Negro.

Conforme informação do site de seu fabricante, o Estaleiros Admiralty, em 2014, dois submarinos da classe Varshavianka (o B-261 Novorossiisk e o B-237 Rostov-on- Don) serão comissionados àquela unidade no Mar Negro e, até o fim do ano, o B- 262 "Stari Oskol" será incorporado à flotilha.

Características técnicas

• classificação da OTAN - Improved Kilo;
• velocidade  na superfície - 17 nós;
• velocidade subaquática - 20 nós;
• profundidade operacional - 240 m;
• profundidade máxima de mergulho - 300m ;
• autonomia - 45 dias;
• Tripulação - 52 homens.

A classe Varshavianka é composta por submarinos diesel-elétricos de baixo ruído. Os caçadores são capazes de detectar um alvo a uma distância três vezers maior do que a maioria dos outros submarinos análogos. Devido às capacidades destas embarcações da classe 636, os especialistas da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) os denominaram informalmente de “buracos negros”.

O contrato para o fornecimento de seis submarinos diesel-elétrico Projeto 636.3 Varshavianka, frutos do desenvolvimento do Projeto 877, foi assinado em 2011 pelo Ministério da Defesa com a corporação Estaleiros Unidos. As embarcações foram projetadas especialmente para a Frota do Mar Negro, que está carente de meios desta categoria. Os novos submarinos deverão suprir esta necessidade nos próximos anos. 

A classe 636.3 é um projeto atualizado com novos sistema de navegação e gerenciamento automatizado de seus controles. Capaz de transportar uma gama de novas armas, compostas de torpedos e mísseis, como, por exemplo, o míssil de cruzeiro 3M-54 Klub, os Varshaviankas se tornaram máquinas ainda mais formidáveis. 

“Buracos negros”

Mesmo com todas as vantagens, os SSK ainda não são páreos para os submarinos nucleares, devido a uma especificidade –a incapacidade de levar as mesmas armas atômicas daqueles grandes submarinos. Os Estados Unidos, por exemplo, há muito tempo abandonaram o uso de SSK e sua frota está equipada com os mais poderosos submarinos nucleares.

Por outro lado, os submarinos convencionais são eficazes para o uso em zonas costeiras, já que são capazes de navegar em águas bem mais rasas. “Para nós, esta capacidade é muito importate”, disse à Gazeta Russa o especialista em assuntos militares Prokhor Tébin.

A situação dos EUA é um pouco diferente: eles não têm necessidade de defesa de sua costa por submarinos, todas as tarefas básicas da Marinha estão longe de suas fronteiras aquáticas. Os modernos submarinos convencionais, movidos por unidades de energia independentes do consumo de ar atmosférico (AIP), são capazes de realizar uma ampla gama de tarefas, tais como os nucleares, devido à variedade de armamentos transportados, que vão desde mísseis antinavio e de cruzeiro a torpedos e sistemas de defesa antiaérea, mas com uma melhoria na relação custo-benefício.

O armamento dos submarinos Projeto 636.3 é acomodado em seis tubos para torpedos de 533 milímetros. Os dois tubos superiores podem ser usados também como lançadores de mísseis 3M-54 Klub. O compartimento permite transportar até 18 torpedos ou mísseis.

“Pelo preço de um submarino atômico, uma Marinha pode adquirir de 6 a 8 submarinos convencionais”, afirma o especialista.   

Tebina relata ainda que as embarcações da classe Varshavianka irão assegurar o domínio do Mar Negro, podendo combater, se necessário, forças de superfície ou potenciais inimigos subaquáticos, ajudando a preservar o equilíbrio de poder na região, tendo em vista que atualmente a Turquia possui uma frota poderosa de submarinos.

O plano de aquisição dos Varshaviankas pode ser considerado como uma extensão da presença russa no Mar Negro e no Mediterrâneo. O comandante da Marinha russa, Víktor Chorkov, havia declarado que os seis submarinos diesel-elétrico poderiam executar tarefas não somente no Mar Negro, mas também no Mediterrâneo. Entretanto, o especialista Tebina entende que a presença russa no Mediterrâneo poderá ser suprida por outros submarinos atômicos e convencionais baseados no Mar Báltico.

“O principal objetivo do Projeto 636.3 é controlar o Mar Negro”, complementou o especialista.

Defeitos dos SSK 

Apesar do fato de que logo os novos submarinos diesel-elétricos estarão comissionados na frota do Mar Negro, o problema do real incremento de poder daquela região continua sem solução, porquanto os SSK possuem uma limitação: periodicamente o submarino deve retornar à superfície para recarregar suas baterias. Durante o recarregamento, a embarcação fica vulnerável a ataques do inimigo. Uma solução seria equipar estes submarinos com sistemas AIP, mas por enquanto não há previsão nos planos russos.

Segundo uma declaração feita pelo comandante Víktor Chirkov, “atualmente a Rússia está projetando um submarino convencional de quinta geração, equipado com sistema AIP”. O projeto foi denominado Kalina e, de acordo com o comandante, o primeiro protótipo ficará pronto em 2017.

Atualmente, os Varshaviankas estão equipando as  marinhas de Argélia, Vietnã, Índia, Irã e China.

 

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