Feira de robôs movimenta Moscou

“Os robôs que você vê hoje aqui são como o Ford Modelo T. Estamos vendo apenas os primeiros estágios de desenvolvimento da mecatrônica”, disse um alto funcionário de uma das empresas presentes.

Fotos: Dan Pototsky

No dia 15 de maio, na arena ArtPlay, em Moscou, aconteceu a abertura oficial da popular feira eletrônica “Baile dos Robôs”. Pela primeira vez na Rússia apresentaram-se, juntamente com seus criadores, robôs famosos em todo o mundo.

O evento ocorreu em duas arenas distintas: na primeira, a exposição propriamente dita e na segunda, uma área com uma zona de jogos e comunicação com as máquinas, organizada em parceira com a Microsoft Xbox. Na exposição, também foi realizado um mercado aberto para comércio de robôs de todos os tipos, onde foi possível comprar desde os pequenos até os grandes “robokafe”, de atendimento e serviços domésticos. Estavam presentes na exposição cerca de 50 robôs de diferentes configurações e entre 20 e 30 empresas expositoras.

“Nossa tarefa é mostrar os progressos no campo da mecatrônica de um ponto de vista artístico”, disse o produtor-chefe da feira, Ígor Nikitin. “É por isso que buscamos especialistas de diversas áreas, como designers e artistas. A principal tendência que queremos mostrar nesta exposição é a multidisciplinareidade da mistura de estilos. Afinal de contas, para se fazer um robô legal, é necessário um programador, um engenheiro, um designer e um artista.”

Entre outros “art-objects” era possível ver os robôs britânicos “Robothespian” –dois exemplares foram trazidos para a feira. Apesar de não poder andar, o robô de curvas expressivas se comunica com as mãos, recita poesia, expressa medo e canta canções populares. Ele é capaz ainda de proporcionar sua própria “visão de mundo”, onde o controlador “enxerga” pelos olhos do robô através de um aparelho touchscreen.

Outro destaque da exposição foi a banda de rock robótica “Compressorhead”, composta por quatro membros: o baterista de quatro braços e seu pequeno assistente que toca os pratos, o guitarrista com 78 dedos e o baixista equipado com esteiras. A banda tocou músicas de Led Zeppelin, Black Sabbath, AC/DC e Motorhead.

Já o francês Patrick Tresse trouxe a Moscou seu desenho de um robô chamado Paul.

“Eu era um um artista com 15 anos de experiência, mas meu enstusiamo já estava esgotado. Foi quando comecei a criar novas máquinas e tentar compreender como as pessoas transformam a realidade ao redor delas”, afirmou. Seu robô tira retratos dos visitantes da exposição.

De acordo com Tresse, “há robôs que trabalham nas fábricas, soldados-robôs e outros tipos”.

“Mas será muito melhor quando os robôs forem mais livres para fazer arte. Tais feiras são muito necessárias.”

Além dos robôs artistas, havia também espaço para aqueles mais tradicionais, como, por exemplo, o “American Baxter”, equipado com manipuladores industriais. Ele pode ser facilmente ensinado a realizar determinados movimentos. Guiando seus braços manipuladores na direção certa, o robô “se lembra” dos movimentos.

Outra atração era o “Cabeça de Pushkin”, concebido para escolas e hospitais pela empresa russa Neurobotics. A cabeça-robô pode atuar como professor ou apenas como um colega de bate-papo e é arrogante tal como o poeta em que se inspirou. “Eu sou a beleza em sua forma mais pura”, disse quando decidimos conhecê-lo.

Já o robô “Titan” combina os traços de comediante, dançarino, namorado e babá. Na feira, ele se apresentava como as estrelas Will.i.am, Rihanna, Will Smith e Jackie Chan, para alegria dos moscovitas.

O futuro da indústria de robôs

“Os robôs que você vê hoje aqui são como o Ford Modelo T. Estamos vendo apenas os primeiros estágios de desenvolvimento da mecatrônica”, disse um alto funcionário de uma das empresas presentes, que desenvolve robôs. “Como você sabe, Henry Ford vendeu apenas 239 exemplares do seu magnífico carro no primeiro ano, mas nos 19 anos seguintes o número subiu para 15 milhões. A demanda por sistemas robóticos também está crescendo muito rápido.”  

Os organizadores do evento confirmam o prognóstico dizendo que a indústria robótica está crescendo em um ritmo explosivo: a base tecnológica tem os custos de produção reduzidos e é possível realizar programação para as mais diferentes necessidades, de modo que há uma grande demanda para novos robôs multifuncionais. De fato, há microprocessadores e microcontroladores capazes de fornecer um alto poder computacional necessário ao robô para realizar diversas funções de forma independente. Os serviços prestados por robôs passam por educação, entretenimento e funcionais.

“Muitos analistas na Rússia e no Ocidente acreditam que a indústria e a prestação de serviços robóticos estarão entre as três maiores de capital intensivo no mundo nos próximos 7 a 10 anos. Como o mercado de mecatrônica ainda não se desenvolveu de modo expressivo em nenhum país do mundo, a Rússia tem todas as chances de estar entre os líderes. Ela tem todos os recursos para isso, bem como o material intelectual”, afirmou Vladímir Konichev, CEO da Neurobotics.

 

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