Conheça o bombardeiro russo que ‘desligou’ um destroier americano como controle remoto de TV

Além de desativar sistema alheio, Su-24 simulou 12 ataques à embarcação Foto: Grigóri Sissoiev/RIA Nóvosti

Além de desativar sistema alheio, Su-24 simulou 12 ataques à embarcação Foto: Grigóri Sissoiev/RIA Nóvosti

O Departamento de Estado dos EUA admitiu que a tripulação do destróier USS Donald Cook foi desmoralizada após se cruzar com o bombardeiro russo Su-24, que não tinha a bordo nenhuma bomba nem míssil, e apenas transportava fixo a si um sistema de neutralização radioeletrônica. Conheça outros dispositivos de guerra radioeletrônica que estão a serviço das Forças Armadas da Rússia.

O destróier USS Donald Cook entrou no mar Negro em 10 de abril. Dois dias depois, o bombardeiro russo Su-24 sobrevoou o destróier. Boatos sugerem que, após o encontro com o bombardeiro, a tripulação do Donald Cook sentiu-se desmoralizada e meios de comunicação informaram que 27 marinheiros norte-americanos entregaram seus relatórios com pedido de dispensa da Marinha. Mas o que assustou tanto a tripulação?

Donald Cook é um destróier da quarta geração da Marinha dos EUA. Suas principais armas são mísseis de cruzeiro Tomahawk, com alcance de voo de até 2.500 km e capazes de transportar ogivas nucleares. Dependendo da situação, seja rotina ou ataque, o navio pode ser equipado com 56 ou 96 desses mísseis, respectivamente.

O destróier está também equipado com o mais recente sistema de combate Aegis. Entre outras coisas, ele reúne os meios de defesa antiaérea de todas as embarcações nas quais está instalado em uma rede comum, permitindo, assim, acompanhar e disparar centenas de alvos ao mesmo tempo.

Nos extremos da superestrutura do destróier estão instaladas quatro enormes antenas de um radar universal, que substitui vários radares convencionais. Juntamente com os Tomahawks montados nos lançadores da proa e da popa, também meia centena de mísseis antiaéreos guiados e de diferentes classes esperam a sua hora.

O bombardeiro russo Su-24 que se aproximou do Donald Cook não tinha quaisquer bombas ou mísseis a bordo. Montado debaixo da fuselagem havia um sistema de neutralização radioeletrônica conhecido por Khibini. Ao se aproximar do destróier, o Khibini desligou o radar, os circuitos de controle de combate e os sistemas de transmissão de dados da embarcação.

Resumindo, desligou todo o Aegis, do mesmo modo que se desliga o botão da TV com o controle remoto. Depois disso, o Su-24 simulou 12 ataques à embarcação. Quando o bombardeiro finalmente se afastou, o Donald Cook se dirigiu rapidamente para um porto romeno e não voltou a se aproximar das águas territoriais russas.

Informação em guerra

“Quanto mais sofisticado for o sistema radioeletrônico, mais fácil é fazer o seu funcionamento entrar em ruptura com métodos e meios de combate radioeletrônicos”, diz o chefe do centro de pesquisa científica de combate radioeletrônico da Força Aérea, Vladímir Balibin. “Para vencer numa guerra moderna não basta alcançar a superioridade aérea. É também necessário alcançar a superioridade da informação.”

Além do Khibini, a indústria de defesa nacional da Rússia produz outros dispositivos para desencorajar tanto unidades militares regulares do inimigo, como bandidos e terroristas.

“O reequipamento das forças nucleares estratégicas da Rússia com os meios da guerra radioeletrônica está sendo feito em ritmo acelerado”, afirma o vice-premiê russo, Dmítri Rogózin. Se o exército e a marinha forem reequipados até 2010 em 70%, as medidas de ataque radioeletrônico do potencial estratégico serão atualizadas em 100%.

“Os meios de combate radioeletrônico são o que permitem às nossas armas inteligentes atuar e neutraliza as armas inteligentes do inimigo. E isso é o correto”, diz o vice-premiê.

Dispositivos em serviço

As unidades militares das Tropas Aerotransportadas (VDV) da Federação Russa já começaram a receber equipamentos do sistema Infauna. Quando montado em veículos blindados ou outros veículos de combate, o sistema consegue encontrar e neutralizar as comunicações rádio do inimigo em HF e VHF e desativa as minas de controle remoto. Elas acabarão explodindo, mas apenas depois de o comboio militar russo passar por cima delas e se afastar a distância segura.

O Infauna tem outra função: os sensores óticos colocados dos veículos interceptam o flash dos disparos e dão ordem para se formar uma cortina de fumaça que oculta o comboio do fogo inimigo.

O aparelho Lessotchek executa as mesmas funções que o Infauna, mas é bem mais compacto – ele pode ser transportado em uma mochila ou maleta. Uma maleta dessas pode ser facilmente levada para reuniões de negócios importantes e nem os serviços de segurança mais avançados serão capazes de identificá-la.

A base da defesa radioeletrônica das comunicações táticas do Exército da Rússia é o sistema Borissoglebsk-2. Ele inclui um ponto de controle automatizado e quatro tipos de estações de bloqueio que detectam com um único algoritmo fontes de atividade inimiga no ar e as neutralizam.

O dispositivo Jitel detecta e bloqueia ligações telefônicas via satélite e celulares, assim como sistemas de navegação GPS. Ele provou ser eficaz durante o conflito na Ossétia do Sul ao desorientar os drones georgianos.

 

Publicado originalmente pela Rossiyskaya Gazeta

 

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