País investe em instalações para reparo de armamento no exterior

Síria é um dos parceiros em potencial, pois o seu Exército é quase totalmente equipado com armamento soviético Foto: Reuters

Síria é um dos parceiros em potencial, pois o seu Exército é quase totalmente equipado com armamento soviético Foto: Reuters

Rússia vai ajudar os países que compram equipamento militar russo a modernizar suas instalações de reparo. Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar (FSMTC, na sigla em inglês) ficará responsável por definir os pontos contratuais com outros países.

Pela prática atual, os equipamentos de fabricação russa são enviados de volta ao país em caso de consertos mais complexos. “Estamos interessados na modernização e atualização de equipamentos, bem como na manutenção nos diversos escalões”, afirma o especialista em gestão de exportação da FSMTC, Boris Skatchinski.

“Se em um país estrangeiro houver uma nova instalação de qualidade comprovada, como fábricas certificadas e pessoal treinado, o cliente poderá realizar serviços por conta própria, usando documentação e equipamentos técnicos fornecidos a eles, bem como transferência de propriedade intelectual”, acrescenta Skatchinski.

A FSMTC não citou quais os países receberam da Rússia uma proposta de atualização de suas fábrica. No entanto, o chefe do departamento de análise do Instituto Político-Militar de Análises, Aleksandr Khramtchihin, acredita que a Síria seja um parceiro em potencial, tendo em vista que o seu Exército é quase totalmente equipado com armamento soviético, diferentemente dos seus centros de manutenção.

 

Brasil no alvo

A empresa brasileira Odebrecht Defesa e Tecnologia assinou um memorando com a russa Rostech, que prevê a criação de uma joint-venture no Brasil para a linha de montagem de helicópteros multiuso Mi-171, um centro de serviços e manutenção dos helicópteros de combate Mi-35M, bem como o desenvolvimento de sistemas de defesa antiaérea.

 

“Na Síria, todo o equipamento militar é soviético, e não há nenhum centro de reparo russo. A maior parte dos serviços de garantia são realizados na Rússia”, conta Khramtchihin.

Esses serviços também são necessários em todos os países em desenvolvimento que adquiriram equipamento militar da União Soviética e da Rússia. Os maiores consumidores de equipamentos russos são Vietnã, Líbia, Síria, Argélia, Malásia, Camboja e Venezuela. “A maioria desses países não têm a capacidade de modernizar seu equipamento militar”, frisa o especialista.

Cabe lembrar que a assistência técnica e garantia pós-venda sempre foi um ponto sensível nas exportações russas, pois era mais fácil produzir e entregar um novo equipamento do que transportá-lo de volta para consertá-lo.

Clone tecnológico

No final de março passado, o diretor do FSMTC, Aleksandr Fômin, anunciou que a Rússia está se preparando para assinar um acordo com o Peru para a reparação e modernização de veículos blindados.

Na Rosoboronexport, única exportadora autorizada de armas e equipamentos militares do país, as boas-novas foram interpretadas como uma nova e promissora oportunidade de modernização da frota de blindados utilizados em países africanos, como os tanques T-54, T-55, T-62 e T-72, além dos blindados BMP-1, BTR-60 e BRDM-2.

“Vários países do continente africano acumularam um enorme parque de equipamentos russos que se tornaram obsoletos. Assim, talvez pelo fato dos recursos financeiros limitados, o processo de modernização seja mais atraente do que o de renovação da frota. O custo será significativamente reduzido com os trabalhos sendo conduzidos em centros de produção dos próprios clientes”, afirma um representante da Rosoboronzakaz.

Também é possível falar na reparação de veículos de fabricação estrangeira (“clones” domésticos”, como, por exemplo, o tanque chinês T-59, criado na década de 1950 com base no soviético T-54.

 

Publicado originalmente pelo Izvéstia

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