O navio que revolucionou a frota russa

Contratorpedeiro imperial russo Novik Foto: Wikipedia

Contratorpedeiro imperial russo Novik Foto: Wikipedia

Novik foi o primeiro contratorpedeiro universal russo e representou um salto gigante na capacidade naval do país. Reunindo o armamento mais poderoso de sua classe, teve um impacto significativo nas vitórias da Frota Báltico da Rússia na Primeira Guerra Mundial.

Na virada do século 20, os construtores navais russos causaram uma revolução na classe de contratorpedeiro dos navios militares. Os torpedeiros da época eram divididos em diferentes subclasses de torpedeiros e contratorpedeiros, a primeira armada com minas e torpedos de grande porte, e a segunda, com baterias de artilharia pesada.

Esse foi o caso até 1911, quando o navio de última geração Novik deslizou pela rampa de lançamento do estaleiro Putilovski, em São Petersburgo. O protótipo dos navios de guerra atuais havia sido então colocado no mar.

Em agosto de 1915, no auge da Primeira Guerra Mundial, a batalha aconteceu no mar Báltico, na entrada do golfo de Riga, onde um único contratorpedeiro russo destruiu dois novos contratorpedeiros alemães, o V99 e o V100.

Esses navios haviam tentado romper o campo minado na boca do golfo para atacar os navios da Frota do Báltico russa, que, por meio da combinação de surtidas e colocação de minas tinha interrompido rota de abastecimento do Império Alemão para a Suécia, a fonte de minério de ferro estrategicamente vital para Tríplice Aliança da Alemanha, Austro-Hungria e Itália.

Depois de usar arrastões para limpar o caminho pelas minas, os navios alemães penetraram o golfo antes de serem interceptados.

Os atiradores russos abriram fogo a partir de uma distância de 5,5 milhas náuticas e os navios alemães imediatamente definiram um caminho paralelo e rebateram com um ataque violento.

Apesar da vantagem alemã, o contratorpedeiro disparou um terço salvo no V99, enquanto a embarcação navegava à frente do V100 e depois passou para o fogo rápido, batendo o inimigo em rápida sucessão.

Os observadores russos avistaram fumaça nas proximidades da sala de máquinas do V99 logo depois e também viram que a chaminé do meio havia desmoronado, o convés de popa estava em chamas e o navio estava perdendo velocidade.

   

Batalha entre o Novik e os contratorpedeiros alemães V-99 e V-100 G.V.Gorshkov, 1940. Foto: Wikipedia

Velejando para trás, o V100 criou uma cortina de fumaça para encobrir o seu navio irmão atingido, mas no processo levou vários ataques diretos em sua popa que causaram um incêndio.

Os contratorpedeiros alemães em retirada protegeram as principais forças que os encobriam na entrada do golfo, mas quando o extremamente danificado V99 atingia o campo minado colidiu com uma carga e prontamente afundou.

E assim o contratorpedeiro concluiu sua primeira experiência significativa, conquistando reconhecimento internacional antes da guerra como o melhor navio de sua classe.

Tomando por base a experiência inestimável da Guerra Russo-Japonesa de 1905, os projetistas russos rapidamente concluíram que separar contratorpedeiros em duas subclasses reduzia as capacidades dos navios mais leves das frotas de água azul, isto é, daquelas capaz de operar em águas internacionais.

Assim, eles começaram a projetar um contratorpedeiro universal de 1.300 toneladas que iria brecar tanto baterias de armas como poderosos torpedos. O navio também estava equipado com as mais poderosos caldeiras a óleo de sua classe e três turbinas a vapor com capacidade de potência de 35.000 que produziria uma velocidade máxima de 36 nós.

A quilha do Novik foi colocada no estaleiro Putilovski em julho de 1910 e o navio foi lançado em junho de 1911. O novo contratorpedeiro combinava o armamento mais potente de sua classe, que consiste em quatro tubos de lançamento de torpedos de cano gêmeo que poderia lançar salvas de oito torpedos, e quatro canhões modernos de disparo rápido de 102 milímetros.

A seção da popa foi também equipada com um equipamento para assentar até 50 minas ancorados de uma vez só. Nos testes, o navio alcançou a velocidade impressionante de 37,3 nós.

Em comparação, os mais novos contratorpedeiros alemães, o V99 e V100, foram construídos vários anos mais tarde, em 1914. Apesar de seu deslocamento comparável, eles vinham equipados com apenas quatro canhões de 88 milímetros e seis tubos de lançamento de torpedo.

Trazendo um avanço no projeto de engenharia e colhendo as glórias durante a Primeira Guerra Mundial, o Novik prestou serviço longo e distinto. Renomeado pelos soviéticos como Iakov Sverdlov, sobreviveu a Revolução Russa e a Guerra Civil da década de 1920 e foi amplamente reformado e transformado no carro-chefe da frota de contratorpedeiros de esquadrão.

O navio entrou na guerra seguinte com a Alemanha assumindo esse papel, fazendo a patrulha, buscando submarinos alemães, e escoltando navios de transporte e as principais embarcações da Frota do Báltico.

O contratorpedeiro Novik terminou sua jornada no mar durante uma batalha. Em 28 de agosto de 1941, ao vigiar o cruzador Kirov durante uma tentativa audaciosa por navios soviéticos de romper o cerco alemão e finlandês em Tallinn, na Estônia ocupada pelos soviéticos, o contratorpedeiro atingiu uma mina e afundou.

 

Iúri Ossókin é especialista em Política Externa russa do início do século 20.

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.