As estratégias de exportação do armamento russo

Sistema antimíssil Pantsir-S Foto: Mikhail Fómitchev/RIA Nóvosti

Sistema antimíssil Pantsir-S Foto: Mikhail Fómitchev/RIA Nóvosti

Rússia ocupa atualmente um confortável segundo lugar em volume de fornecimento de armas no mercado mundial.

A cooperação técnico-militar entre a Rússia e os países estrangeiros continua crescendo, apesar das previsões dos últimos anos darem conta de uma futura diminuição. A Rússia ocupa atualmente um confortável segundo lugar em volume de fornecimento de armas no mercado mundial. Estes números são obtidos graças a diferentes estratégias de cooperação que variam conforme os parceiros.

Desenvolvimento conjunto

O primeiro tipo de cooperação, o mais trabalhoso, mas também o mais importante no plano político e o mais estável no geral, está orientado para a transferência de licenças e, em alguns casos, para o desenvolvimento conjunto de equipamento militar.

Entre os países com os quais a Rússia usa esta estratégia de cooperação, ou pretende vir a usar, podemos citar a Índia, a China, o Brasil e a Coreia do Sul. Além disso, em qualquer um dos três casos, a cooperação tem as suas características próprias.

Na sua forma integral, ela é realizada hoje apenas com a Índia, para a qual a Rússia representa uma fonte de alta tecnologia naqueles setores onde a indústria indiana se encontra ainda décadas atrás dos líderes.

Ela se concretiza em forma de grandes contratos, como, por exemplo, o de produção licenciada de caças Su-30MKI, sem contar aqueles comprados já prontos. O custo total dos Su-30 fornecidos aos indianos, incluindo peças e acessórios, serviços e formação de pilotos, foi estimado por especialistas entre US$ 12 bilhões a US$ 15 bilhões.

A segunda área de cooperação com a Índia está ligada com o tanque T-90. Atualmente, as forças armadas indianas têm cerca de 800 destes tanques, dos quais mais de metade foram montados localmente. Os volumes da produção vão aumentando gradualmente –a capacidade produtiva da fábrica estatal Heavy Vehicles Factory (HVF) permite produzir até 140 tanques por ano.

A China, que produziu bastante armamento sob licenças soviéticas entre 1950 e 1980, se virou agora para a compra de tecnologia russa para melhorar o seu complexo militar-industrial. No entanto, das cópias licenciadas, os chineses passaram muito rapidamente para a tecnologia de produção independente, reproduzida com base nas amostras recebidas. Mas, em muitos casos, o processo de cópia foi facilitado com a ajuda tecnológica dos departamentos de projetos russos e ucranianos.

Essa é, por exemplo, a história do surgimento dos caças J-11 e J-15, do avião de transporte Y -20, do sistema de mísseis antiaéreo HQ-9, entre outros. No entanto, o sucesso da China no domínio da técnica de outros países ainda não encontra continuação em seu próprio desenvolvimento. Por isso é possível prever a renovação do interesse da China pelas novas tecnologias russas à medida que forem mudando as gerações de sistemas de armas produzidas pela indústria militar de Defesa russa. O primeiro sinal desse interesse foi demonstrado pela China em relação ao caça Su-35s, a versão atualmente mais avançada da plataforma T-10 (Su-27).

Brasil

Quanto ao Brasil, a Rússia procura captar o seu interesse na possibilidade de desenvolvimentos tecnológicos conjuntos no campo da aviação militar e sistemas de defesa aérea. Se isso for alcançado, será possível falar da formação de um determinado círculo de países desenvolvidos que usam tecnologia russa no projeto e fabricação de sua própria técnica militar. Esse desenvolvimento dos acontecimentos irá aumentar significativamente a estabilidade da indústria russa de defesa na área de maior responsabilidade e de tecnologia mais avançada.

Grande escala

A segunda estratégia de cooperação técnico-militar diz respeito aos países com recursos financeiros relativamente grandes e com dinheiro para comprar equipamento militar caro. Estamos nos referindo à Indonésia, Malásia, Vietnã, Argélia, Iraque, Venezuela, Azerbaijão, entre outros. A cooperação com estes países se caracteriza por um número bastante elevado de contratos. Eles compram lotes de equipamento militar moderno ou suas versões simplificadas, garantindo assim, no total, uma carteira de exportações que em número não fica atrás dos grandes contratos com a Índia ou a China.

As perspectivas da cooperação técnico-militar nesta área são muitas vezes questionadas devido aos riscos políticos que trazem. Assim, a Primavera Árabe levou muitos especialistas a falar no fim próximo da cooperação com os países do Oriente Médio, ao mesmo tempo que a morte de Hugo Chávez colocou sob questão a cooperação com a Venezuela. No entanto, esses receios se mostraram exagerados.

Aos poucos

A terceira estratégia entre a Rússia e os outros países diz respeito a países da África e aos demais da América Latina e Sudeste Asiático. Estes contratos são geralmente pontuais e são assinados com valores relativamente baixos –a partir de alguns milhões até várias centenas de milhões de dólares.

No entanto, aqui também é possível encontrar grande rendimento: por exemplo, em outubro de 2013 foi assinado um contrato com Angola sobre o fornecimento de armas no valor de US$ 1 bilhão. No pacote do fornecimento foram incluídas peças para o armamento de produção soviética, armas de pequeno porte, munição, tanques, artilharia e helicópteros multiversáteis Mi-17. Além disso, as partes acordaram em construir uma fábrica em Angola para a produção de munições. No acordo foi também incluído o fornecimento de 18 caças Su-30K, consertados e equipados, que estavam anteriormente ao serviço da Força Aérea Indiana.

Quanto à cooperação com Angola, vale ressaltar que o futuro crescimento econômico e o aumento dos gastos militares podem levar esse país para o grupo da "segunda estratégia" caso ela decida desenvolver relações com a Rússia neste domínio. Por enquanto, o número de países da "terceira estratégia" é o maior: de acordo com os especialistas, eles formam dois terços dos mais de 70 países da geografia de parcerias da Rosoboronexport. No entanto, o rendimento anual desse grupo é relativamente pequeno e estima-se que não ultrapasse de 10% a 15% do volume total.

 

Publicado originalmente no site do Russian International Affairs Council 

 

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