Brasil tenta acordo para vender lançadores de mísseis russos

Em termos gerais, o Igla-S é uma arma temível Foto: wikipedia.org

Em termos gerais, o Igla-S é uma arma temível Foto: wikipedia.org

O processo de elaboração de um acordo de licença de produção já está começando e, em breve, serão coordenadas as condições de transferência de tecnologias.

O Brasil pode ser autorizado a vender lançadores portáteis de mísseis Igla-S a outros países, comunicou Valeri Kashin, diretor-geral do Bureau de Projeção de Máquinas, companhia desenvolvedora dessas armas.

O processo de elaboração de um acordo de licença de produção já está começando e, em breve, serão coordenadas as condições de transferência de tecnologias. Os lançadores Igla-S são usados para abater alvos aéreos de voo baixo, sendo muito eficazes no combate a aviões e helicópteros.

Em termos gerais, o Igla-S é uma arma temível. Basta que recordemos a história da presença de tropas soviéticas no Afeganistão. A tática de utilização combativa de helicópteros por tropas soviéticas mudou bruscamente como resultado do fornecimento de sistemas Stinger aos mujahedins afegãos pelos Estados Unidos. Antes do aparecimento de Stingers no Afeganistão, helicópteros Mi-8 voavam numa altitude limite de 6.000 metros, enquanto após o fornecimento de sistemas estas máquinas começaram a voar em altitudes baixas permissíveis de 30 a 60 metros, escondendo-se em dobras do relevo, aponta o analista militar Ruslan Pukhov.

“Essas armas mostraram perfeitas qualidades em alguns outros conflitos, em particular em 1995, no quadro de um breve mas bastante intenso conflito entre o Peru e o Equador. Por isso, o interesse em adquirir lançadores portáteis de mísseis é muito grande. Ao mesmo tempo, há poucos países que produzem estes sistemas a um alto nível qualitativo. A Rússia é um desses países.”

Experiências negativas

Mas não se deve esquecer experiências negativas do passado. As tecnologias de produção de sistemas Igla foram vendidas aos poloneses, que organizaram a sua própria fabricação dos sistemas Grom não apenas para as suas necessidades: começaram a vender armas a outros países, em particular à Geórgia, embora o contrato não previsse a possibilidade de reexportação do sistema e da sua entrega a um terceiro país sem o consentimento da Rússia. Os entendimentos não foram respeitados, e a Polônia vendeu à Geórgia cerca de 30 lançadores Grom em conjunto com 100 mísseis em 2007 –estas armas foram utilizadas em agosto de 2008 no quadro do conflito armado na Ossétia do Sul.

“No caso da América Latina, não podemos excluir que lançadores portáteis possam cair nas mãos de algumas organizações terroristas e extremistas”, destaca Pukhov.

Sistemas Igla foram vendidos ao Brasil no decorrer de quase 20 anos, período em que não houve comunicados de que essas armas tenham caído em mãos alheias.

Regime de vigilância

Não existe um regime internacional direto que limite as vendas de lançadores portáteis de mísseis. No entanto, a Rússia observa o seu próprio regime. Todos os clientes devem assinar um protocolo de acordo com o qual representantes russos podem chegar praticamente sem qualquer aviso para inspecionar locais de armazenamento de armas para se certificar de que os sistemas continuam a ser controlados pelo governo legítimo e são utilizados por militares.

Além da licença de produção de lançadores portáteis Igla, será examinada a possibilidade de montar no Brasil sistemas de mísseis antiaéreos Pantsir, o que depende do número de sistemas a serem adquiridos pelo Brasil. Fará sentido abrir uma linha de montagem se forem comprados de 25 a 30 sistemas.

Em geral, existem perspectivas de alargar a cooperação técnico-militar entre a Rússia e o Brasil, não tanto como com com a Venezuela, porque o Brasil já efetuou grandes compras de armamentos da Itália e da França para as tropas terrestre e a marinha e, recentemente, decidiu substituir obsoletos Mirages franceses por aviões suecos Gripen. Assim, o país terminou o processo de rearmamento em linhas gerais, o que, porém, não exclui a possibilidade de cooperar em algumas áreas.

 

Publicado originalmente pela Voz da Rússia

 

Confira outros destaques da Gazeta Russa na nossa página no Facebook

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.