Diagnóstico precoce é nova arma na luta contra o mal de Parkinson

O sistema de diagnóstico não requer equipamento especial Foto: PhotoXPress

O sistema de diagnóstico não requer equipamento especial Foto: PhotoXPress

Médicos russos desenvolveram um teste que detecta a doença de Parkinson vários anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas.

A doença de Parkinson se manifesta geralmente em pessoas com mais de 60 ou 70 anos, mas nos últimos anos os sintomas começaram a surgir também em pessoas na faixa de 30 a 40 anos de idade. Na Rússia, esta doença afeta cerca de 2% da população acima de 60.

A principal dificuldade para os médicos é diagnosticar a doença na fase inicial, já que ela começa a se desenvolver 20 ou 30 anos antes do aparecimento dos sintomas, que se tornam visíveis apenas em um dos últimos estágios da enfermidade. Na maior parte das vezes, quando o paciente procura um médico, já não é possível realizar um tratamento que possa reverter o quadro.

Um dos métodos de diagnóstico mais eficazes é a tomografia por emissão de pósitrons (PET), mas seu alto custo torna impossível realizar exames desse tipo na maior parte dos pacientes. Por isso, hoje, cientistas em todo o mundo têm perante eles o desafio de reduzir o custo do diagnóstico da doença de Parkinson nos estágios iniciais.

Genética ajudará a confirmar o diagnóstico

Uma das soluções possíveis foi encontrada na Academia Russa de Ciências, onde há oito anos cientistas de 25 instituições começaram a estudar os mecanismos de doenças neurodegenerativas, nas quais se inclui o mal de Parkinson. Como resultado foram desenvolvidos vários exames que permitiram diagnosticar a doença vários anos antes do aparecimento dos sintomas específicos.

Especialmente orientado para este tipo de trabalho, o acadêmico Mikhail Ugriumov, curador do programa científico "Cérebro: problemas fundamentais e aplicados", criou o Centro de Diagnóstico Precoce de Doenças Neurodegenerativas, onde foi desenvolvido um sistema de exames imunológicos e genéticos capazes de diagnosticar a doença de Parkinson entre cinco a sete anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas.

Os médicos já sabem que os primeiros sintomas da morte de neurônios podem apanhar o doente completamente de surpresa. Por exemplo, os pacientes começam a perder o olfato ou a ter problemas intestinais. Agora pesquisadores liderados por Ugriumov descobriram que paralelamente a isso ocorre também uma mudança na composição do plasma sanguíneo e outras alterações importantes. Segundo Ugriumov, nenhum fator isolado pode ser considerado absolutamente indicativo da doença, e por isso seu sistema de diagnóstico considera tanto a predisposição genética do indivíduo quanto as alterações na concentração de substâncias no sangue, bem como outras mudanças no organismo.

A caminho do diagnóstico em massa

Hoje este sistema é empregado somente entre Moscou e Kazan. Em Moscou, uma equipe sob a liderança de Mikhail Ugriumov se ocupa da identificação de marcadores da doença em amostras de sangue e analisa parâmetros eletrofisiológicos. O centro de diagnósticos pretende colocar no mercado chips e um software para análise dos dados.

"O sistema de diagnóstico não requer equipamento especial. Os chips e o software podem ser usados em bases tecnológicas já utilizadas pelos médicos em clínicas convencionais”, explica Mikhail Ugriumov. “Isso significa que podemos começar a fazer exames clínicos em toda a população e a detectar a doença de Parkinson nos seus estágios iniciais."

De acordo com Razina Nigmatullina, professora da Universidade Estadual de Medicina de Kazan, que também lidera uma equipe de tratamento da doença, em hospitais públicos os testes de diagnóstico serão realizados em todas as pessoas com mais de 35 anos, enquanto nas clínicas privadas os primeiros clientes serão familiares de pacientes com o mal de Parkinson.

Ugriumov e seus colegas planejam realizar, a partir de 2016, testes pré-clínicos para finalizar o processo de certificação do sistema de diagnóstico. Em 2017, o sistema criado pelo cientista começará os testes clínicos na Rússia e em 2018 nos Estados Unidos.

 

Publicado originalmente pelo RBC Daily

 

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