Rússia fortalece proteção antimíssil

Mísseis do tipo C-400 Triumf Foto: Mikhail Morkúchin/RIA Nóvosti

Mísseis do tipo C-400 Triumf Foto: Mikhail Morkúchin/RIA Nóvosti

A Rússia e a Comunidade dos Estados Independentes (CEI) estão se preparando para fechar seus espaços aéreos aos mísseis balísticos.

Com o objetivo de aperfeiçoar seu sistema de defesa aérea e espacial, a Rússia há alguns anos tem trabalhado para a criação de um sistema único de defesa antiaérea e antimíssil, para proteger de forma eficaz tanto seu território como o de países que compõem a Comunidade dos Estados Independentes(CEI).

O sistema único terá vários elementos, com mecanismos de defesa de curto alcance (Tunguska, Tor-M2, Pantsir-C1, Buk e Morfei), de médio alcance (C-300 e Vítiaz) e de longo alcance, como C-400, C-500 e A-235 Samoliót-M.

Os sistemas C-500 e A-235, empregado pela defesa antimíssil de Moscou, serão os meios essenciais de defesa militar espacial, com capacidade para neutralizar mísseis balísticos intercontinentais, bem como mísseis balísticos de médio alcance.

As baterias antiaéreas C-500 terão como missão fundamental atingir os mísseis balísticos ofensivos de médio e longo alcance, sendo capaz de destrui-los na parte final de sua trajetória. O complexo será equipado com radares capazes de diferenciar os alvos a uma distância de até 900 km.

O Consórcio da Defesa Antiaérea Almaz-Antei, responsável pela elaboração do sistema, já fabricou algumas baterias C-500 e deu início aos testes. O plano é finalizar o sistema em breve: a primeira bateria antiárea da série deve chegar às Forças Armadas dentro de alguns anos , segundo informou o general Aleksandr Golovko, comandante da Força de Defesa Aeroespacial Russa. O general acrescentou que o Programa Estatal de Armamento pretende adquirir cinco conjuntos de sistemas de mísseis antiaéreos C-500.

Nem velocidade espacial ajudará os alvos

Segundo o general Víktor Bóndarev, comandante supremo da Força Aérea da Rússia, o sistema C-500 poderá atingir simultaneamente até dez alvos balísticos. A velocidade dos alvos atacados pode alcançar 7 km/s. A título de comparação, a velocidade necessária para colocar um objeto em órbita terrestre é de 7,9 km/s.

Bóndarev salientou ainda que as caraterísticas técnicas do C-500 serão melhores do que as do C-400 russo e do MIM-104F Patriot PAC-3 americano. O complexo será usado para a defesa antiaérea e antimíssil de grandes regiões do país, bem como de plantas industriais e locais estratégicos. Este complexo será unificado com o sistema A-135 Amur, que faz parte da defesa antimíssil de Moscou e com o sistema A-235 Samoliót-M.

Inicialmente, o sistema C-500 utilizará os mísseis do tipo C-400 Triumf, já existentes nos arsenais da Rússia, segundo declarou o vice-ministro da Defesa, Víktor Popóvkin, em fevereiro de 2011.

Moscou será protegida por super-computador

Os testes do novo sistema de defesa antimíssil de Moscou, A-235, tiveram início em 2013. Tudo indica que o sistema Samoliót-M será equipado com os modernos mísseis interceptores 53T6, hoje utilizados pelo sistema Amur. Os mísseis antibalísticos do novo sistema de defesa poderão apresentar ogivas tanto cinéticas como nucleares.

O contrato de elaboração do sistema A-235 foi assinado em 1991. O fabricante principal do projeto é o consórcio Almaz-Antei, que já criou os sistemas C-300 e C-400 e está elaborando o C-500. É provável que o sistema A-235 seja equipado com o super-computador Elbrus-3M, além da estação de localização por rádio Don-2N e dois escalões de mísseis antibalísticos de longo e médio alcance. Os detalhes essenciais do sistema C-500 permanecem secretos, mas acredita-se que possa trocar informação com o sistema Samoliót-M, o que aumentará sua precisão na manobra de destruição dos alvos. 

 

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