Combate a doenças infecciosas como cólera teve colaboração de russos

Hoje, a maioria das doenças infecciosas capazes de causar a morte de um ser humano podem ser tratadas ou prevenidas Foto: ITAR-TASS

Hoje, a maioria das doenças infecciosas capazes de causar a morte de um ser humano podem ser tratadas ou prevenidas Foto: ITAR-TASS

Em 1892, por exemplo, autor da panaceia contra a peste, Vladímir Khavkin preparou num laboratório parisiense uma vacina contra a doença.

Apesar de ter sempre enfrentado uma grande quantidade de doenças infecciosas, a humanidade não conseguia curá-las de uma maneira eficiente até tempos relativamente recentes. Como consequência, até o século 19, várias espécies de vírus e bactérias levaram vidas de milhões de pessoas.

No entanto, o século retrasado foi marcado pelo aparecimento de vacinas, assim como pela criação de uma nova área científica, a imunologia, que transformou males mortais de um assunto místico em científico e, em seguida, apenas numa questão de organização.

Hoje, a maioria das doenças infecciosas capazes de causar a morte de um ser humano podem ser tratadas ou prevenidas –muitas soluções de combate a elas são consequências das descobertas e colaborações de cientistas e médicos soviéticos.

A varíola é uma doença provocada pelo Orthopoxvirus, transmitido entre os seres humanos por via aérea.  Dependendo da estirpe, a taxa de mortalidade é de 10% a 40% (mas às vezes atinge 70%).

Varíola

A varíola é a única doença infecciosa eliminada por completo, graças ao trabalho científico. No entanto, ainda no século 8, médicos indianos perceberam que o ser humano conseguia contrair a doença apenas uma vez na vida, desenvolvendo assim uma resistência posterior ao vírus. Levando em consideração estas observações, eles desenvolveram uma cura que consistia no contágio das pessoas saudáveis com a forma menos severa da doença. No entanto, o método não poderia ser considerado eficiente devido à alta taxa de mortalidade: um em cada 50 vacinados não conseguia sobreviver.

Em 1796, o médico inglês Edward Jenner realizou uma experiência com James Phipps, menino de 8 anos, que foi intencionalmente contagiado com o vírus de varíola bovina, que não apresenta nenhum risco ao seres humanos, desenvolvendo a imunidade à varíola comum.

Este evento marcou o início de uma verdadeira batalha destinada à eliminação desta doença do planeta, cuja agenda final foi elaborada por médicos da União Soviética e aprovada na Assembleia da Organização Mundial da Saúde em 1967. A primeira etapa prevista pelos especialistas soviéticos consistia na vacinação obrigatória de uma quantidade máxima de pessoas, enquanto a segunda incluía a detecção e a repressão de focos localizados da doença e a confirmação da sua ausência entre todos os povos que habitam a Terra. As campanhas de identificação de doentes foram conduzidas no mundo todo, o que não foi uma tarefa fácil.

O último caso de contração natural da varíola foi registrado em 22 de outubro de 1977 na cidade de Marca, localizada na região sul da Somália. Na 33a sessão da Organização Mundial da Saúde, ministrada no dia 8 de maio de 1980, a eliminação da doença do planeta recebeu uma confirmação oficial.

Hoje, as amostras do vírus estão conservadas apenas em dois laboratórios, uma das quais se encontra na Rússia. A outra está no território dos Estados Unidos. A decisão referente à destruição das mesmas deverá ser tomada ao longo deste ano.

A doença é provocada pela bactéria Yersinia pestis e possui duas principais formas: a peste bubônica e a peste pulmonar. Na ausência de um tratamento adequado, o paciente desenvolve febre e a infeção séptica, que, na maioria dos casos, são seguidas pela morte.

Peste

A humanidade sobreviveu a três pandemias de peste.  A primeira aconteceu no período entre os anos 551 e 880 (época do reino do Justiniano 1º); a segunda, denominada da "morte negra", ocorreu entre os anos 1346 e 1353, e a terceira foi enfrentada pela humanidade entre o final do século 19 e o início do século 20.

A primeira vacina contra a peste foi criada no final do século 19 por Vladímir Khavkin, cientista da cidade ucraniana de Odessa. Embora não tenha sido capaz de eliminar a doença por completo, apenas reduzindo a taxa de mortalidade em 10 vezes, ela foi utilizada por milhões habitantes do planeta até a década de 1940 devido à falta de qualquer alternativa.

O tratamento capaz de curar a doença chegou aos hospitais após o término da Segunda Guerra Mundial como o resultado da experiência conduzida por médicos da União Soviética, que, entre os anos 1945 e 1947, conseguiram eliminar a epidemia de peste na Manchúria por meio de recém-inventada estreptomicina. Graças a este medicamento, há anos não existe nenhum registro de epidemias ou focos localizados da doença, embora os casos isolados ainda apreçam de vez em quando.

A cólera é causada pelo vibrião colérico Vibrio cholerae, que entra no corpo humano via ingestão de água contaminada ou por meio de contato com a secreção dos portadores da doença.

Cólera

Enquanto não existiam os antibióticos, não havia nenhum tratamento de cólera eficiente. Porém, em 1892, o autor da panaceia contra a peste Vladímir Khavkin preparou num laboratório parisiense uma vacina contra a doença composta pelas bactérias aquecidas, cuja eficiência foi comprovada durante os testes ministrados no próprio cientista e em três  amigos seus.

A fórmula também foi aprovada pelo próprio Louis Pasteur e levada por Khavkin à Índia, onde, conforme relatório emitido por ele em 1895, foi injetada em 42 mil pessoas, reduzindo assim a quantidade de mortes devido à cólera em 72%. Hoje em dia, a cidade de Mumbai possui um centro de pesquisa científica com o nome do famoso cientista (Haffkine Institute), enquanto a versão moderna da vacina desenvolvida por ele ainda é tratada pela Organização Mundial da Saúde como o principal método de combate aos focos de cólera.

 

Publicada originalmente pela Rússki Reportior

 

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