Revolução alada de Mikoian

Segunda-feira passada (9) marcou os 33 anos da morte de Artiom Mikoian, ilustre construtor da aviação soviética. Para lembrar a data, a Gazeta Russa reuniu os trabalhos mais interessantes desenvolvidos pelo Escritório Construtivo-Experimental de Mikoian, cujos aviões bateram 55 recordes mundiais.

Peso mundial

Mig-9 Foto: RIA Nóvisti

O primeiro avião de caça soviético foi o MiG-9. Apesar de os pilotos terem medo de voar em aparelhos sem parafusos e de os mecânicos não terem experiência com motores a jato, a experiência ganha com a criação de aeronaves permitiu a Mikoyan Gurevich criar o MiG-15, um dos melhores caças do seu tempo.

O ponto alto de demonstração dos MiGs foi durante a guerra na Coreia. Para os EUA, o surgimento dos novos caças soviéticos foi uma surpresa completa: o MiG-15 conseguia lidar facilmente com os lentos F-80 e perseguia com sucesso os bombardeiros do inimigo, motivo pelo qual os norte-americanos enviaram rapidamente os então novos F-88 Sabre para o Extremo Oriente.

“Muitas vezes, o resultado do duelo era decidido pelo primeiro ataque. Depois do ataque, os MiGs subiam rapidamente para o alto, enquanto os Sabres ficavam mais perto do solo. Todo mundo tentava aproveitar o que de melhor o seu avião dava, por isso é que muitas vezes a subida se limitava a um ataque, depois do qual nós ficávamos por cima e os americanos por baixo”, conta Serguêi Kramarenko, comandante de um esquadrão que teve 13 vitórias aéreas na Coreia.

Mig-15 Foto: RIA Nóvosti

O MiG-15 é o avião de combate a jato mais pesado do mundo. Além da URSS, ele era ainda fabricado sob licença na Polônia, Tchecoslováquia e China. No total, foram construídos mais de 15 mil aeronaves, e esse caça fez parte do arsenal de 40 países por mais de meio século.

Caça-fantasmas

Mig-19 Foto: RIA Nóvosti

A maioria das vitórias aéreas na Guerra do Vietnã e no conflito armado entre a Índia e o Paquistão devem ser creditadas ao MiG -19. No Vietnã, uma cópia chinesa do MiG-19, denominada de J-6 e dirigido por pilotos locais, incendiava os americanos Phantoms e, em Caxemira, destruía os Su-7 da Força Aérea Indiana.

O caça fortemente armado – com três canhões de 30 milímetros - combinava excelente manobrabilidade e boa capacidade de subida. Os pilotos mais do que uma vez ressaltaram o alto grau de confiança que depositavam na aeronave.

Na URSS, o MiG-19 foi usado para capturar aviões invasores que trespassavam as fronteiras e entravam no espaço aéreo do país. Na sua lista de neutralizações, está o norte-americano RB-47, caça de reconhecimento de longo alcance abatido em 1960 sobre a região polar, vários aviões da Força Aérea dos EUA, destruídos nos céus da Alemanha, e um grande número de balões de reconhecimento.

"Balalaika" mortal

Foto: Vladímir Perventsev/RIA Nóvosti

Outro sucesso de Mikoian foi o supersônico mais difundido do mundo: o MiG-21. Apesar de a sua fabricação em série ter sido iniciada há mais de meio século, continua a ser produzido na China. Uma característica distintiva do MiG-21 é o seu baixo custo: a versão de exportação do avião saiu mais barata do que o BMP- 1.

Na Otan, o MiG-21 ganhou o estranho nome de “Fishbed”, em alusão à camada geológica rica em fósseis de peixe. Já os pilotos soviéticos chamavam-no de “balalaika” (instrumento tradicional), por causa de suas asas triangulares.

Juntamente com o modelo anterior do MiG-21, também foi bem sucedido nas batalhas no Vietnã. Esse pequeno e manobrável caça se tornou um adversário sério para os americanos “Phantoms” de segunda geração. Os EUA chegaram até a desenvolver tática especial de combate aéreo para eles. Mas os pilotos vietnamitas se mantiveram fieis à tática soviética: posicionando-se como alvos a baixas altitudes, eles conseguiam ficar atrás dos aviões americanos, que atacavam com mísseis guiados e regressavam à base.

Varanda suspensa

Mig-27 Foto: RIA Nóvosti

Devido à sua excelente visão a partir da cabine de comando, o avião de ataque MiG-27 foi apelidado de “varanda com vista para o campo de batalha”. No entanto, o avião que apresentava visão realmente boa foi o seu modelo seguinte, o interceptor MiG-31. Foi ele que pela primeira vez no mundo usou uma estação de radar com antenas, trabalhando em fases que permitiam detectar alvos aéreos (incluindo os menores) a uma distância de 320 km.

O seus sistema eletrônico de bordo monitora 24 objetos, acompanha 10 deles, seleciona os quatro mais importantes e consegue direcionar para eles os mísseis ar-ar de longo alcance. Quatro MiG-31 são capazes de patrulhar o espaço aéreo de uma frente com 800 ou 900 km .

Tecnologia à prova

A versão atualizada do MiG-29 é o principal caça da Força Aérea da Rússia e, paralelamente, um verdadeiro laboratório voador para testar novas tecnologias. Está equipado com motores de empuxo vetorial, que dá ao aparelho novas capacidades de manobra.

Nas últimas modificações, a aeronave recebeu um sistema eletrônico de bordo de última geração, tanques de combustível extras e equipamento para reabastecimento de combustível em voo.

Caça do futuro

O desenvolvimento experimental do caça de quinta geração 1,44 deveria ter recebido o nome de MiG-35 MFI (do russo, “caça de primeira linha multifuncional”). Estava planejado equipar a aeronave com motores de empuxo vetorial e utilizar amplamente a tecnologia stealth em sua produção.

No entanto, em 2002, o governo emitiu o decreto sobre a criação do PAK FA, que veio a parar o desenvolvimento do 1,44. O único protótipo em voo, que decolou pela primeira vez no dia 29 de fevereiro de 2000, encontra-se agora no Instituto de Pesquisa de Voo Gromov, em Jukóvski.

 

Publicado originalmente pela Rossiyskaya Gazeta

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