Cientistas desenvolvem tela 3D que não requer óculos

Segundo cientistas, as novas telas têm chances de sucesso no mercado internacional Foto: PhotoXPress

Segundo cientistas, as novas telas têm chances de sucesso no mercado internacional Foto: PhotoXPress

Cientistas do Instituto de Física da Academia de Ciências da Rússia anunciaram a criação de novos materiais cristalinos líquidos capazes de formar imagem tridimensional do objeto idêntica à original. Tecnologia permitirá construir modelo experimental de tela que apresenta as imagens em 3D em tempo real.

Ao contrário dos tradicionais cinemas 3D, onde o efeito tridimensional é criado a partir de uma série de imagens bidimensionais, a nova tela desenvolvida pelos especialistas russos permite visualizar os objetos a partir de vários ângulos, assim como olhar para o seu interior, sem o uso de óculos especiais.

“A imagem tridimensional é uma ilusão óptica. Qualquer filme em 3D é uma mistura de quadros com características um pouco diferentes entre si. Os óculos 3D fazem com que o olho humano capture apenas as partes direita e esquerda da tela, e o cérebro humano consegue juntá-las para criar a imagem tridimensional”, explica Igor Kompanets, chefe do departamento de eletrônica óptica do Instituto de Física.

Para que, na percepção humana, a imagem tridimensional seja contínua, a duração de cada quadro da sequência visual deve ser acima de 1/25 segundos. “Mas isso é válido apenas para um único quadro. Para criar uma sequência visual contínua composta, por exemplo, por cem seções, são necessárias cem células cristalinas liquidas com o tempo de dispersão cem vezes maior em cada uma delas”, acrescenta o cientista.

Como os cristais líquidos nemáticos usados na maioria de telas e projetores de vídeo fabricados hoje em dia são incapazes de cumprir essa exigência, os especialistas desenvolveram seu projeto com a utilização de cristais líquidos esméticos. O modelo experimental de tela tridimensional elaborada por eles compõe-se de cinco cristais deste tipo e tem o princípio de funcionamento muito simples: a dispersão de luz acontece alternadamente em cada uma das células, criando uma imagem em 3D.

“Estamos folheando as camadas e seções com uma velocidade muito alta, permitindo visualizar uma imagem tridimensional. Em outras palavras, criamos uma espécie de aquário, onde as imagens aparecem no tempo real em 3D”, expõe Kompanets.

Segundo o cientista, as novas telas têm chances de sucesso no mercado internacional, pois permitem repassar a imagem tridimensional idêntica à real de qualquer objeto, mantendo todos os seus detalhes externos, assim como internos, com a ajuda de um simples software e sem causar nenhum desconforto nos usuários. 

“As telas poderão ser usadas no equipamento de navegação de aeronaves e naves espaciais, em simuladores tridimensionais, jogos interativos, assim como na área médica para a visualização das imagens tomográficas”, finaliza o cientista.

 

Publicado originalmente pela Itar-Tass 

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