Nasa vai abandonar uso de naves russas Soyuz

Nos cinco últimos anos, veículo é o único meio de transporte de tripulações para a Estação Espacial Internacional Foto: NASA/Bill Ingalls

Nos cinco últimos anos, veículo é o único meio de transporte de tripulações para a Estação Espacial Internacional Foto: NASA/Bill Ingalls

A Agência Espacial Americana (Nasa) decidiu que deixará de usar as espaçonaves tripuladas russas Soyuz, utilizadas nos últimos anos como único meio de transporte de tripulações para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). Decisão pode encerrar parceria da Rússia com os EUA na exploração do espaço.

Dentro de três anos e meio, os EUA pretendem deixar de recorrer à Agência Espacial Russa (Roscosmos) para levar suas tripulações à ISS em naves Soyuz, informou o administrador da Nasa, Charles Bolden, na semana passada. Atualmente, uma vaga a bordo da nave Soyuz custa em torno de US$ 65 milhões à Nasa.

A instituição americana abriu uma licitação para construir uma nova nave tripulada, que será usada inclusive para os voos rumo à ISS. O projeto será objeto de uma parceria público-privada, cada qual com participação de 50% nos investimentos, e as empresas SpaceX e Orbital Sciences são vistas como favoritas no processo de licitação.

“Não” à dependência

A verdade é que, após o fim do programa Space Shuttle em 2010, os norte-americanos nunca gostaram de depender da Roscosmos. Alguns anos antes, o então administrador da Nasa, Michael Griffin, já havia dito que os EUA ficariam na dependência da Rússia e, assim, perderiam seus trunfos no jogo diplomático. 

Em 2012 e 2013, a SpaceX A lançou sua cápsula de carga Dragon em direção à ISS a bordo de um foguete Falcon 9, conforme contrato avaliado em US$ 1,6 bi. Já a Orbital Sciences lançou, em setembro passado, o cargueiro Signus em direção à ISS. O lançamento foi feito com o foguete Antares, e o contrato no valor de US$ 1,9 bi prevê mais oito missões à ISS nos próximos três anos.

A empresa Lockheed Martin também está trabalhando ativamente na nave espacial tripulada Orion, enquanto a Boeing planeja construir um veículo lançador de grande porte SLS.

De olho em Marte

Em 2008, os candidatos à presidência dos EUA, John McCain e Barack Obama, apresentaram o programa espacial dos EUA como uma das prioridades de seu programa eleitoral. O primeiro a fazer isso foi o senador McCain. Apoiado por outros dois senadores, ele pediu ao então presidente George W. Bush para adiar a retirada do serviço dos ônibus espaciais Shuttle e reduzir assim a possível dependência da Rússia. Mas o projeto de ISS já havia perdido sua relevância para os EUA.

Em agosto de 2006, o presidente George W. Bush anunciou que, dali em diante, a prioridade dos EUA seriam as pesquisas no espaço profundo. Mas o então administrador da Nasa, Michael Griffin, insistia que o objetivo estratégico do programa de missões espaciais dos EUA era o estudo do espaço além da órbita circunterrestre.

Não é segredo que, mesmo antes de retirar os ônibus espaciais de serviço, a Nasa manteve negociações com algumas empresas, além de instituições públicas, sobre o possível uso do segmento americano da ISS para a realização de pesquisas científicas em microgravidade. Na época, as negociações não deram resultado. Mas, em 2017, os EUA poderão ter sua própria nave espacial e não terão mais impedimentos para levar à prática seus planos.

Hoje em dia, a ISS é o único elo de ligação entre Rússia e EUA em termos de pesquisa espacial. Porém, os americanos não têm motivos específicos para manter sua presença no projeto e estão começando a preparar viagens à Lua e Marte. Já para a Rússia, a ISS é tudo o que resta da outrora avançada área de voos espaciais tripuladas.

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