Rússia planeja lançar nova sonda à Lua de Marte em 2022

No entanto, por mais ambiciosos que sejam os projetos de estudos espaciais, eles são impensáveis sem foguetes transportadores poderosos, capazes de colocar veículos espaciais em órbitas de partida rumo a outros planetas Foto: NASA

No entanto, por mais ambiciosos que sejam os projetos de estudos espaciais, eles são impensáveis sem foguetes transportadores poderosos, capazes de colocar veículos espaciais em órbitas de partida rumo a outros planetas Foto: NASA

Cientistas russo também têm na mira a Lua e esperam poder contar com a ajuda de seus colegas norte-americanos na instalação de bases tripuladas nas regiões polares do satélite da Terra.

Decepcionada com o fracasso da missão da sonda espacial Fobos-Grunt em novembro de 2011, a Rússia não suspendeu seus esforços para estudar o espaço profundo e deposita grandes esperanças na elaboração de veículos lançadores retornáveis.

Segundo o diretor do IPE (Instituto de Pesquisas Espaciais), Lev Zeleni, em 2022, a Rússia lançará uma outra sonda espacial em direção a Fobos, uma das luas de Marte, para recolher amostras do solo.

"Estamos planejando retomar o projeto Fobos em 2022. Essa missão científica servirá de trampolim para programas internacionais semelhantes", disse o cientista.

A Agência Espacial Russa (Roscosmos) admite que essa missão implica grandes riscos, pois, até agora, ninguém conseguiu pousar em Fobos.

Em 2011, a Rússia lançou a sonda espacial Fobos-Grunt para coletar e trazer à Terra amostras do solo de uma das duas luas de Marte, Fobos. A missão deveria durar cerca de dois anos e meio. No entanto, depois de se separar do veículo lançador, a sonda não conseguiu pôr em ação sua unidade de propulsão, perdeu a orientação e se desintegrou parcialmente na atmosfera terrestre. Seus fragmentos caíram no Oceano Pacífico em meados de janeiro de 2012.

No entanto, Marte não é o único objeto de estudos do IPE, cujos cientistas também têm na mira a Lua e esperam poder contar com a ajuda de seus colegas norte-americanos na instalação de bases tripuladas nas regiões polares do satélite da Terra.

"Estamos entabulando uma cooperação com a Nasa com vista a iniciar a exploração de novas regiões da Lua para abrir caminho ao estabelecimento de bases lunares", disse Ígor Mitrofanov, um do IPE. "As regiões da Lua que nos interessam hoje são diferentes das visitadas por nossas sondas Luna e Apollo tanto do ponto de vista da natureza quanto do ponto de vista de objetos de estudos", acrescentou.

A Rússia não descarta a hipótese de cooperação com a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) no âmbito de seu projeto lunar. Os especialistas europeus têm se declarado interessados em cooperar estreitamente com a Roscosmos nessa área.

"Temos três vertentes de estudos: a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), a Lua e Marte. Percebemos que não poderemos concretizar todos os nossos planos sozinhos. Portanto, temos grande interesse pelos planos lunares russos e queremos participar de sua concretização", disse o diretor de programas científicos da ESA, Alvaro Jimenez.

Entre os planos da Roscosmos está também o de lançar uma sonda em direção a Ganimedes, a lua de Júpiter. No próximo ano, a Roscosmos inicia os preparativos para o lançamento, em 2023, de duas sondas em direção a Júpiter dentro do projeto Laplace. Uma sonda será colocada em órbita de Júpiter enquanto a outra pousará em sua superfície. O objetivo da missão é provar que sob a crosta de gelo desse planeta gigante se encontra um oceano líquido descoberto anteriormente por veículos espaciais americanos.

No entanto, por mais ambiciosos que sejam os projetos de estudos espaciais, eles são impensáveis sem foguetes transportadores poderosos, capazes de colocar veículos espaciais em órbitas de partida rumo a outros planetas. Claro que tais foguetes transportadores devem ser reutilizáveis. De acordo com o diretor-geral adjunto do Centro de Pesquisa e Produção Kéldich, Arnold Gubert, o uso de foguetes reutilizáveis permitirá reduzir cerca de 50% o custo dos voos espaciais. 

"Isso será sentido durante a montagem em órbita de estruturas para missões ao espaço profundo. Para colocar em órbita de partida uma carga de 150 toneladas, seria mais prático usar um ou dois foguetes transportadores reutilizáveis em vez de 10 a 20 sistemas de lançamento descartáveis", disse Gubert.

Nesse contexto merecem atenção os trabalhos do Instituto Central de Aero hidrodinâmica da Rússia (Tsagi, na sigla em russo), empenhado em testar, por encomenda da Roscosmos, um sistema de lançamento retornável, o MRKS-1, composto por um foguete transportador reutilizável lançado verticalmente, com o primeiro estágio de cruzeiro reutilizável e os outros dois descartáveis. O estágio reutilizável será equipado com motores de combustível líquido e torna desnecessárias as medidas para a proteção de  locais de eventual queda dos estágios descartados. 

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