Consórcio suspende plataforma de petróleo em área de alimentação de baleias

WWF alega que potencias vazamentos podem ser “catastróficos para a vida selvagem” Foto: Gazprom

WWF alega que potencias vazamentos podem ser “catastróficos para a vida selvagem” Foto: Gazprom

O consórcio internacional Sakhalin Energy suspendeu a construção de uma plataforma de perfuração de petróleo que, segundo ambientalistas, prejudicaria as baleias-cinzentas ameaçadas de extinção perto da costa do Extremo Oriente russo. A informação foi anunciada pela organização não governamental WWF (do inglês, Fundo Mundial para a Vida Selvagem) em um comunicado nesta segunda-feira (21).

Após anos de protestos de ambientalistas, que pediam aos bancos ocidentais para bloquear o financiamento para a plataforma de petróleo, o Sakhalin Energy adiou qualquer decisão sobre o projeto até 2017. A empresa de petróleo e gás é controlada pela estatal russa Gazprom, em conjunto com outros acionistas de peso, como a Royal Dutch Shell, Mitsui e Mitsubishi.

“O Sakhalin Energy adiou até 2017 a decisão de construir outra plataforma de petróleo, garantindo que as baleias ficarão seguras até, pelo menos, 2020”, diz Aleksêi Knijnikov, chefe de campanhas sobre petróleo e gás do WWF-Rússia. “Isso nos dá mais tempo para convencer a empresa de que o projeto deve ser abandonado para sempre.”

A plataforma seria construída perto de uma área importante para a alimentação das baleias-cinzentas durante o verão. Os ambientalistas argumentam que o barulho da construção e execução da plataforma iria afastar as baleias, cuja visão fraca as obriga a confiar duas vezes mais no que escutam para encontrar alimento.

“Esses animais extraordinários e seus filhotes recém-nascidos devem consumir alimentos em quantidade suficiente durante o verão, para sobreviverem ao longo período de migração”, acrescenta Knijnikov. “Esse lugar tão crucial para as baleias foi colocado em risco pelos prospectores de petróleo e gás, mas as baleias venceram por enquanto.”

Apenas 150 baleias-cinzentas habitam o nordeste do Pacífico, de acordo com os dados do WWF. Potenciais derramamentos de petróleo da plataforma seriam de difícil reversão nas águas congeladas do subártico e poderiam ser “catastróficos para a vida selvagem”.

 

Publicado originalmente pelo The Moscow Times

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