Cientistas de Iekaterinburgo desenvolvem fibra ótica para localizar exoplanetas

Desde 1988, cientistas do mundo todo já identificaram cerca de mil exoplanetas Foto: NASA E/PO, Sonoma State University, Aurore Simonnet

Desde 1988, cientistas do mundo todo já identificaram cerca de mil exoplanetas Foto: NASA E/PO, Sonoma State University, Aurore Simonnet

Material vai ajudar os telescópios a determinar quais dos planetas do espaço profundo são potencialmente adequados para a vida.

Uma das mais importantes descobertas da astronomia das últimas décadas foi a dos chamados exoplanetas, isto é, planetas que orbitam uma estrela que não seja o nosso Sol. Desde que o primeiro planeta extrassolar foi descoberto em 1988, os cientistas já identificaram cerca de mil exoplanetas.

A principal dificuldade é que nem os telescópios óticos nem mesmo os radiotelescópios modernos servem para a identificação de exoplanetas. A radiação da estrela em torno da qual é possível existir um sistema planetário é  demasiadamente forte e absorve a luz refletida pelos corpos celestes situados em suas proximidades.

Paralelamente, os métodos indiretos de observação permitem localizar apenas exoplanetas com uma massa próxima à de Júpiter ou Saturno, mas os cientistas continuam interessados em encontrar exoplanetas semelhantes à Terra, potencialmente capazes de possuir formas de vida.

O novo projeto do centro de tecnologias infravermelhas da Universidade Federal dos Urais, em Iekaterinburgo, promete facilitar a busca por planetas fora do Sistema Solar. As fibras óticas desenvolvidas para analisar com maior precisão o espectro da luz refletida pelos exoplanetas ajudarão a determinar a composição, temperatura e densidade de suas atmosferas e a presença nelas de vapor de água.

Por causa de suas propriedades óticas especiais, obtidas utilizando-se compostos formados por metais e halogênios como cloro, bromo e iodo, esses condutores têm capacidade de separar a radiação estrelar e aumentar a intensidade da luz emitida por um exoplaneta.  “Por isso, um telescópio dotado de nossos condutores de luz permite ver planetas semelhantes à Terra”,  diz o professor catedrático Aleksandr Kórsakov, um dos autores do projeto.

A aplicação dos novos condutores de luz não se esgotam com a busca de exoplanetas. Por também serem usadas para determinar a composição de uma matéria a partir de seu espectro luminoso, essas fibras poderão ser úteis à indústria química, alimentar e ao setor de petróleo e gás.

Feito com material transparente, um condutor de luz ou fibra ótica é um fio fino e flexível, capaz de transmitir a luz introduzida em uma extremidade para a outra. Atualmente, a fibra ótica é usada principalmente ​​para a transmissão rápida de dados – comparável à velocidade da luz. A maioria dos canais de informação da Internet utilizam essa tecnologia que tem registrado um desenvolvimento impetuoso nos últimos anos.

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