Reciclagem que começa no espaço

Veículos lançadores reutilizáveis serão alternativa econômica para explorar o espaço Foto: AP

Veículos lançadores reutilizáveis serão alternativa econômica para explorar o espaço Foto: AP

A época de veículos lançadores espaciais descartáveis ​​está chegando ao fim. A notícia de testes bem sucedidos de um sistema de lançamentos espaciais reutilizável (SLER) tem, para a cosmonáutica nacional, importância maior do que a da retomada dos lançamentos dos foguetes Proton.

O SLER foi apresentado pela primeira vez no Salão Internacional de Aeronáutica e Espaço de Moscou em 2011. O sistema consiste de quatro veículos de lançamento reutilizáveis (VLR) com os módulos de foguetes retornáveis. “Podemos criar diferentes VLR com capacidade para 25 a 70 toneladas, usando dois módulos principais: o de foguetes retornável (o primeiro estágio) e o de lançador descartável (o segundo estágio)”,  disse um dos autores do SLER, Ígor Bírkin, do Centro de Desenvolvimento em Tecnologias Espaciais Khrunitchev, em janeiro de 2012. 

Pelas suas estimativas, no início o SLER será capaz de realizar 25 lançamentos e, com o tempo, esse número chegará a 200. “Uma família de tais lançadores será capaz de colocar em órbita quase todas as cargas possíveis”, acrescentou Bírkin. O especialista não descartou ainda a possibilidade de lançamento de satélites do sistema russo de localização por satélite Glonass.

Porém, qual o sentido de criar uma frota de veículos lançadores reutilizáveis? De acordo com o Centro Khrunitchev, o transporte de cargas espaciais será, em um futuro próximo, mantido pelos foguetes Soiuz e Angará, cuja capacidade de carga é insuficiente para a exploração da Lua, Marte e outros planetas do Sistema Solar.

Além disso, eles irão prejudicar o meio ambiente na região do Amur, no Extremo Oriente russo, porque seus estágios descartados irão cair na floresta local ou no mar de Okhotsk. “Esse é o preço pago pela Rússia por sua soberania no espaço:”, diz Vladímir Vlásenko, diretor do departamento de Desenvolvimento de Inovações e Pesquisas Estratégicas do centro.

Sistema do futuro

As potências espaciais possuem planos ambiciosos de exploração do espaço profundo, entre os quais os de missões tripuladas à Lua para a instalação de uma colônia e a Marte. Não se sabe quantos foguetes serão necessários para realizar lançamentos espaciais para esses projetos, mas uma coisa está clara desde já: o tráfego de cargas espaciais será muito intenso.

Especialistas russos e estrangeiros já haviam calculado que os veículos descartáveis são mais vantajosos para programas que preveem cinco lançamentos por ano e a evacuação temporária da população, maquinaria e gado das áreas reservadas à queda dos estágios descartados. Aliás, as despesas com a evacuação são parte significativa do orçamento das atividades espaciais.

No entanto, para programas com mais de 75 lançamentos em 15 anos, a vantagem econômica dos sistemas de lançamento reutilizáveis é incontestável, já que o efeito econômico cresce com o aumento do número de lançamentos.

Os cálculos do custo de manutenção e reparação pós-voo dos sistemas reutilizáveis foram feitos ainda na época soviética. Segundo eles, as despesas com a manutenção e reparação constituem menos de 30% do total de gastos com a construção de novas unidades de lançamento.

Além disso, a adoção de sistemas reutilizáveis permitirá reduzir a produção de materiais e equipamentos. Por exemplo, o uso de dois sistemas diferentes  em um programa permitirá reduzir entre quatro e cinco vezes o número de lançadores, 50 vezes o de cápsulas do módulo central e 9 vezes o de motores de combustível líquido para o segundo estágio. 

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