Rússia arrebata seu sexto prêmio Ig Nobel

Este ano, o prêmio Ig Nobel foi concedido a um prupo de cientistas do Japão e da China Foto: AP

Este ano, o prêmio Ig Nobel foi concedido a um prupo de cientistas do Japão e da China Foto: AP

Neste ano, proeza de cientista russo foi provar capacidade humana de andar sobre a superfície de um reservatório aquático na Lua.

Em diferentes anos, os russos arrebataram o Ig Nobel, que premia as maiores esquisitices da comunidade científica mundial. Entre suas façanhas estiveram o ensino de levitação a sapos, a habilidade de escrever um artigo científico a cada quatro dias e de transformar dinamites em diamantes.

Neste ano, pela sexta vez em 22 anos de existência da premição, mais um russo foi homenageado com um Ig Nobel. Iúri Ivanenko faz parte de um grupo de cientistas que foi premiado por um artigo publicado na revista PLoS ONE comprovando a capacidade humana de andar pela superfície de um reservatório aquático na Lua.

Confira as primeiras cinco pesquisas que renderam um Ig Nobil a russos.

1. Troca de favores

Em 1992, Iúri Strutchkov, membro associado da Academia Russa de Ciências, recebeu o prêmio por sua colossal contribuição literária científica. Entre 1981 e 1990, o cientista escreveu um total de 948 textos científicos, o que corresponde a um artigo a cada quatro dias.

O fato foi descoberto por um de seus funcionários, David Pendlebury, que trabalhava no banco de dados do Instituto de Informações Científicas. A maioria dos trabalhos de Strutchkov pertence à área da cristalografia.

Strutchkov continuou a publicar artigos até morrer, em 1995, somando mais de 2.000 textos. Segundo necrológio publicado no jornal “Akt Kristallografica”, essa quantidade de trabalhos surpreendente se deve à grande eficiência de Iúri, durante a União Soviética não teve tempo sequer para se afiliar ao partido comunista.

Mas existe outra explicação possível para eficiência extraordinária do cientista russo: uma troca de favores. A falta de equipamentos para experiências cristalográficas na antiga URSS obrigava os cientistas a usar instalações do Instituto de Compostos Orgânicos da Academia de Ciência. Retribuindo o favor, eles incluíam o nome do presidente do instituto, Iúri, entre os autores de seus projetos.

2. O único Nobel Ig Nobel

No ano 2000, o soviético Andrêi Gueim foi premiado com o Ig Nobel de Física. Em parceria com cientista inglês Michael Berry, Gueim conseguiu fazer um sapo levitar usando um potente eletroímã.

Segundo Berry, a diferença entre os campos magnéticos fez o animal levitar devido ao fenômeno de diamagnetismo induzido, que consiste na capacidade do eletroímã de repassar parte de suas características a objetos não magnéticos.

O prêmio Ig Nobel foi criado em 1991 pela revista americana Annals of Improbable Research em colaboração com Marc Abrahams, cofundador e editor-chefe da revista. Desde 1999, dez prêmios Ig Nobel Prize são entregues anualmente tanto em categorias tradicionais como física e química, quanto em categorias menos esperadas como a ornitologia e astrofísica, entre outras.

Além do sapo, os cientistas confirmaram a capacidade de outros objetos, tais como uma gota de água ou uma noz, de adquirir as mesmas propriedades. Mas os cientistas ainda não conseguiram fazer um humano levitar, segundo Berry, devido à impossibilidade de criar um campo magnético com as proporções necessárias para tal.

Em 2010, a criação de uma substância chamada de “grafene” por Andrêi Gueim em parceria com Konstantin Novosselov ganhou um prêmio Nobel de Física. Isso fez de Gueim o primeiro e, até agora, único titular tanto do próprio prêmio Nobel quanto de sua versão burlesca.

3. Fraudulentos, uni-vos!

O ano de 2002 foi marcado por escândalos referentes à fraudes de dados nos relatórios financeiros de grandes empresas. Os organizadores e jurados do Ig Nobel não ficaram indiferentes e premiaram administradores, diretores e auditores de cerca de 30 empresas do mundo todo na categoria de Economia.

A lista de premiados incluiu a gigante estatal russa Gazprom e 24 organizações americanas, assim como as empresas belgas, paquistanesas, australianas e inglesas.

4. Ig Nobel da Paz

Em 2012, o chefe de um grupo de engenheiros russos da empresa SKN, Igor Petrov, recebeu o Ig Nobel da paz por suas pesquisas sobre a produção de nanodiamantes a partir de explosivos reciclados. O projeto científico foi realizado na cidade russa de Snejinsk, quase dois mil quilômetros a leste de Moscou.

Durante a premiação, Petrov não perdeu o bom humor. "Prezadas senhoras, se precisarem de diamantes, me procurem após o evento, mas apenas se tiverem alguns explosivos", brincou no discurso de agradecimento.

5. A causa do café derramado em movimento

Professor da Universidade da Califórnia, Ruslan Kretchetnikov, levou o Ig Nobel em 2012 por um trabalho na área de hidrodinâmica realizado em colaboração com o seu aluno de doutorado Heinz Meier. O objetivo da pesquisa era mostrar porque o conteúdo de uma xícara de café tendia a cair sobre uma pessoa que a carregasse em movimento. A conclusão dos dois foi de que o fenômeno é causado pela irregularidade dos passos humanos.

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