Cientistas russos desenvolvem microscópio 3D para estudar nano-objetos

Tradicionalmente, as nanoestruturas são estudadas por meio de microscopia de varredura por sonda Foto: Shutterstock

Tradicionalmente, as nanoestruturas são estudadas por meio de microscopia de varredura por sonda Foto: Shutterstock

Tradicionalmente, as nanoestruturas são estudadas por meio de microscopia de varredura por sonda (SPM, na sigla em inglês). No entanto, essa técnica permite obter apenas imagens bidimensionadas de objetos.

Especialistas russos em nanobiotecnologia construíram um microscópio para estudar a estrutura tridimensional de nano-objetos e suas propriedades ópticas e descreveram seu trabalho em um artigo publicado na revista científica “ACS Nano”.

Tradicionalmente, as nanoestruturas são estudadas por meio de microscopia de varredura por sonda (SPM, na sigla em inglês). No entanto, essa técnica permite obter apenas imagens bidimensionadas de objetos.

Anton Efimov, fundador da empresa Snotra, da cidade de inovações de Skolkovo, encontrou uma maneira de contornar esse problema. Ele teve a ideia de cortar a amostra em camadas muito finas e escaneá-la separadamente. Os dados assim obtidos permitem criar uma imagem da estrutura tridimensional da amostra.

Em cooperação com o laboratório de nanobioengenharia do centro de pesquisa nuclear da Universidade de Física e Engenharia de Moscou (MIFI, na sigla em russo), sua empresa construiu um dispositivo capaz de cortar a amostra e realizar a espectroscopia das camadas obtidas para determinar sua composição.

"Construímos um dispositivo que combina um microscópio 3D com resolução nanométrica e a microespectroscopia, que permite fazer uma análise qualitativa da amostra. Assim, podemos não só estudar nano-objetos, mas também dizer como estão estruturados, quais elementos os compõem e quais são suas propriedades", disse Konstantin Motchalov, um dos autores do projeto, que trabalha no laboratório de nanobioengenharia do centro de pesquisa nuclear da MIFI.

O diretor do laboratório, Ígor Nabiev, acredita que essa tecnologia será útil para controlar a produção de nanomateriais, medicamentos, diagnósticos e monitoramento dos resultados do tratamento médico. A nova tecnologia permitirá estudar os cortes de tecidos vivos e "ver" como as moléculas de um fármaco são distribuídas neles, por exemplo.

Por enquanto, o microscópio representa dispositivos avulsos. O desafio é juntá-los em um único dispositivo e encontrar uma empresa que tenha interesse em fabricá-lo.

 

Publicado originalmente pela agência RIA Nóvosti 

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