Um olhar inusitado sobre a guerra

Lança-minas conhecido como “Tulipa” Foto: Wikipedia.org

Lança-minas conhecido como “Tulipa” Foto: Wikipedia.org

Costuma-se dizer que os militares não têm sentido de humor. Talvez você mude de ideia depois de conhecer os nomes que o Exército russo colocou em alguns tipos de armamento.

A tradição de batizar as armas com os nomes dos objetos aos quais se assemelham remonta ao século 16. Nessa época, as granadas foram introduzidas no Exército francês, e os soldados deram-lhe o nome de grenade, que significa romã em francês, por serem parecidas com a fruta e se desfazerem na explosão assim como os seus grãos.

Nomes mais populares foram também dados a armas para destacarem a sua natureza ameaçadora e mortífera. Basta lembrar dos tanques alemães “Tigre” e “Leopardo” ou o complexo antimíssil estadunidense “Dragão”.

Os engenheiros militares russos escolheram outro caminho, contudo. Os nomes de suas armas são inusitados e bem-humorados. Por vezes, parece até que essas denominações pretendem ridicularizar o inimigo.

As flores estão presentes com muita frequência na criatividade dos engenheiros militares. Os nomes dos vários tipos de armamento do Exército russo formariam um lindo canteiro.

Existe um canhão automotores de 152mm chamado de  “jacinto”, cujo segundo nome é “genocídio”, refletindo com maior exatidão as suas potencialidades. Há também uma “tulipa” (lança-minas) e “peônia” (peça de artilharia). Temos ainda uma “acácia”, variante 2C3 daquele canhão, e “centáurea”, que é um lança-granadas 2B9 de 82mm. Por falar em flores, “ramalhete” é a designação das algemas coletivas (para cinco detidos).

O mundo animal é outra fonte de inspiração da indústria da Defesa. Poderíamos falar de “tigres” e “chitas”, mas na Rússia só há tigres no Extremo Oriente. Por outro lado, há esquilos para dar e vender. Por isso, foi dado o nome de “esquilo” ao projétil reativo M-14C de 140mm, ao míssil RM-207A-U, bem como à estação de rádio de recolha de informação militar 4TUD.

Além disso, o país tem abundância de “javalis” (complexo de mísseis de precisão 96M6M), “gafanhotos” (complexo-robô MRK-2), “moscas” (munição anti-tanque de 64mm, para o lança-granadas RPG-18) e “canários” (lança-granadas múltiplo silencioso).

O tema da saúde também nutriu o interesse dos inventores militares. O Exército da Rússia dispõe de uma estação de rádio R-410M “Diagnóstico” e do blindado BTR-80A “Arrebato”. Além disso, registe-se um complexo de programação técnica 65C941 “Tónus” e uma aparelhagem médica BMM-1D chamada “Traumatismo”.

As profissões foram tampouco ignoradas. Dá impressão que muitos dos que agora põem os nomes ao material de guerra foram outrora jornalistas. Se não, de onde vem “Ardina-E” (meio de defesa de estações de rádio escutas), “subtítulo” (assegurador de compatibilidade rádio-eletrônica MKZ-10) e “parágrafo” (projétil reativo 9M27D de 220mm, para dispersar propaganda)?

Entre as profissões, os engenheiros militares contemplaram ainda “mensageiro” (instalação de mísseis 15P159) e até “aeromoça” (detetor de ondas de rádio); como alusão à cultura e exporte surgiram a “bailarinazinha” (canhão aéreo de 30mm 9A-4071) e a “atleta” (estação de rádio R-410).

Há vezes também em que os nomes das munições são tão “simpáticos” quanto a saudação “bem-vindo”. Basta prestar atenção nos nomes como “garotão” (instalação de mísseis ferroviária), “luzinha” (lança-granadas naval de sete canos MRG-1), “Sol pleno” (lança-chamas pesado) e até o colete balístico “Visita”.

 

Publicado originalmente pela RIA Nóvosti

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