Oficiais russos são condecorados com medalhas norte-americanas

Vladímir Popov (centro), vice-comandante das Forças Terrestres da Rússia, observou os exercícios conjuntos em Auerbach Foto: U.S. Army Europe/flickr.com

Vladímir Popov (centro), vice-comandante das Forças Terrestres da Rússia, observou os exercícios conjuntos em Auerbach Foto: U.S. Army Europe/flickr.com

A notícia de que um grupo de oficiais russos de unidades especiais foram premiados com condecorações norte-americanas não é nada comum. Porém, a atual situação política e as potenciais ameaças à comunidade internacional põem em evidência a necessidade de reforçar a Força Internacional de Paz da ONU. Se nos 40 primeiros anos de sua existência a força realizou 13 operações de manutenção da paz, nos 20 anos subsequentes esse número subiu para 47.

Após o término dos exercícios conjuntos russo-norte-americanos de postos de comando “Atlas visão – 2013”, realizadas em julho passado na cidade alemã de Auerbach, dois oficiais de uma unidade de reconhecimento da Força de Paz russa foram condecorados com medalhas do estado norte-americano da Geórgia. A 560ª Brigada de Reconhecimento da Guarda Nacional do estado da Geórgia atuou em conjunto com as unidades russas do Comando Militar do Centro.

“O pessoal do contingente russo está sendo treinado de acordo com um novo programa de treinamento da Força de Paz aprovado em 2012”, declarou o porta-voz do Comando Militar do Centro, Iaroslav Rochupkin.

O programa inclui o treinamento de atividades nos postos de bloqueio e controle, bem como a organização de patrulhas nas áreas localizadas entre as partes em conflito, entre outras coisas. “Além disso, os integrantes estudam as normas do direito internacional humanitário e línguas estrangeiras”, acrescentou Rochupkin.

Compromisso pós-guerra

Uma das consequências do fim da Guerra Fria foi a alteração do caráter das operações de paz da ONU. Elas se tornaram mais abrangentes e mais complicadas, visando, não raro, ajudar as partes beligerantes a cumprir acordos de paz alcançados.

Nos últimos anos, os militares russos participaram de forma ativa na prevenção ou pacificação de conflitos na Ossétia do Sul, Abecásia, Transdniestria, Tajiquistão, Bósnia e Herzegovina, Kosovo e Metohija, Angola, Chade, Serra Leoa e Sudão.

A Rússia tem enviado seus observadores militares ao Oriente Médio, Saara Ocidental, República Democrática do Congo, Costa do Marfim, Libéria e Sudão e mantém um dos primeiros lugares no mundo em número de observadores militares na ONU.

Além disso, o país participa militarmente na Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC). Seu contigente de tropas para a organização foi criado em outubro de 2007 com o objetivo de usá-la em operações de paz nos territórios dos países membro da OTSC ou em territórios sob ordem desta organização ou da ONU.

Força do novo milênio

No início dos anos 2000, a Força de Paz russa sofreu mudanças qualitativas. A experiência das operações de manutenção da paz dos Balcãs pôs em evidência a necessidade de criar unidades especiais nas Forças Armadas russas.

O resultado foi a criação da 15ª Brigada de Infantaria Motorizada, com a função de participar de operações de paz internacionais por ordem do presidente do país e no interesse da Comunidade de Estados Independentes, ONU, OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa), Conselho OTAN-Rússia e, se necessário, da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês).

Campanha antiterrorista

A Rússia vem realizando atividades de larga escala para evitar uma ameaça terrorista global. Em maio de 2012, a base militar dos EUA em Fort Carson recebeu o primeiro treinamento militar antiterrorismo conjunto, com a presença de unidades paraquedistas russas e a Força de Operações Especiais dos EUA.

De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, o segundo exercício conjunto será realizado no final de agosto de 2013 nas instalações da 76ª Divisão Aerotransportada estacionada em Pskov, na Rússia. O treinamento conjunto é visto como uma oportunidade de usar na prática a experiência militar dos dois países para fins pacíficos.

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