Transporte tubular a vácuo nos EUA é cópia de projeto russo, garante cientista de Tomsk

Substintuindo os trens atuais, novo transporte tubular poderá transportar uma pessoa de Los Angeles a São Francisco em 30 minutos Foto: AP

Substintuindo os trens atuais, novo transporte tubular poderá transportar uma pessoa de Los Angeles a São Francisco em 30 minutos Foto: AP

O novo meio de transporte super-rápido movido a energia solar ligará Los Angeles a São Francisco em 30 minutos foi acolhido pela imprensa com grande alvoroço. Entretanto, na Universidade de Tomsk, há quem afirme que não se trata de uma invenção dos cientistas norte-americanos. A ideia teria sido aproveitada do projeto de um cientista local divulgado ainda no início do século 20.

O projeto do “Hyperloop”, transporte tubular a vácuo com 600 quilômetros que ligará as cidades americanas de Los Angeles e São Francisco, foi baseado em estudo de 1914 do cientista russo Boris Veinberg. Foi isso que anunciou a assessoria de imprensa da Universidade de Tomsk, na Sibéria.

No estudo intitulado “Movimento sem atrito”, Veinberg  projetou carruagens que moviam-se no interior de um tubo de cobre por força de um campo eletromagnético, sem tocar as laterais. Segundo os funcionários da universidade, o projeto do cientista russo não foi materializado no início do século 20 por ser muito caro e parecer “irreal”. 

Quem foi Boris Veinberg?

Professor catedrático no Instituto Superior de Tecnologias de Tomsk entre 1909 e 1924. Foi o primeiro indivíduo a concluir o doutorado em Física na Sibéria e autor de manuais que ajudaram várias gerações de estudantes nessa área.

Mesmo assim, o cientista tentou criar um modelo experimental durante dois anos. Em seu laboratório, projetou um cilindro oco de ferro com diâmetro de 6,5 metros que circulava por um tubo de cobre de 32 cm de diâmetro. Nestas condições, o “veículo” atingia a velocidade de 6 km/hora. 

Na época, o autor estava convencido de que se o campo magnético na estação de partida tivesse 3 quilômetros de comprimento, o veículo interno poderia facilmente alcançar uma velocidade de 800 a 1000 km/hora.

Inúmeros foram os artigos publicados nos EUA sobre “Movimento Sem Atrito” desde então. Alguns cineastas americanos chegaram, inclusive, a rodar um documentário sobre o projeto siberiano. 

Foto: AP

No projeto estadunidense, apresentado recentemente pelo diretor-executivo da Tesla Motors Inc. e da Space Exploration Technologies Corp, Elon Musk, aceleradores magnéticos impulsionam e travam as cápsulas onde os passageiros são transportados. O campo eletromagnético, que criará uma almofada de ar na região interna do tubo, é responsável pela suavidade do movimento. Além disso, a energia será fornecida por baterias solares instaladas na parte exterior do túnel.

Pelos cálculos prévios, a distância entre dois pontos será percorrida pelas cápsulas em meia hora, a uma velocidade de 1.220 km/hora. Os responsáveis anunciaram que a construção do Hyperloop está orçada em 6 bilhões de dólares, e o custo de uma viagem no “trem do futuro” será em torno de 20 dólares.

Apesar dos avanços da atualidade, o redator-executivo da revista “The RZD-Partner International”, Ivan Stupatchenko, não está certo de que as pessoas se sentem suficientemente seguras para embarcar numa jornada dessas.  “As pessoas encaram o novo com certo receio, e será difícil convencê-las a entrar no primeiro trem, pois temem pela própria integridade”, diz.

“Se o projeto não for impedido por ecologistas, políticos e investimentos colossais, representará um salto para o futuro, inaugurando um mercado novo e facilitando como nunca a vida aos passageiros”, contrapõe Joshua Schank, presidente do grupo de reflexão internacional Eno Center for Transportation.

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