Fabricante de Kalashnikov reúne empresas de armas ligeiras russas em nova holding

Mikhail Kalashnikov(esq.) e o vice-premiê russo Dmítri Rogozin(dir.) Foto: RIA Nóvosti

Mikhail Kalashnikov(esq.) e o vice-premiê russo Dmítri Rogozin(dir.) Foto: RIA Nóvosti

Sob a marca Kalashnikov, consórcio vai reforçar a posição da Rússia no mercado de armas de fogo para civis e contribuir para o combate à pirataria dos famosos fuzis.

A Fábrica de Máquinas e Equipamentos de Ijevsk (Ijmach), famosa por construir armas ligeiras, incluindo os fuzis Kalashnikov, foi rebatizada oficialmente como consórcio Kalashnikov. Esse foi mais um passo no processo de criação de uma holding de armas de fogo de pequeno porte apresentada pelo vice-primeiro-ministro Dmítri Rogózin e apoiada pelo presidente Vladímir Pútin.

A ideia de unir as empresas sob uma única marca foi uma reação à análise de desempenho da Ijmach em 2011, ano em que a fabricante russa teve uma perda estimada em 1,65 bilhões de rublos (cerca de R$ 118 milhões).  “Com essa bandeira, não só conseguiremos reativar em Ijevsk a produção de armas ligeiras que superam em confiabilidade e poder de fogo, mas também acabaremos com a pirataria de fuzis Kalashnikov nos países recém-admitidos pela Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte]”, escreveu Rogózin em seu Twitter no final do ano passado. 

Gigante russa

A Ijmach é a maior fabricante russa de armas automáticas portáteis, fuzis de precisão, projéteis de artilharia guiados e de armas de fogo para civis. Fundada em 1807, a empresa vende seus produtos em 27 países, incluindo EUA, Reino Unido, Alemanha, Itália e Tailândia. Em cooperação com as outras empresas integrantes do consórcio Kalashnikov, a Ijmach vai executar a encomenda do Ministério da Defesa de construir mísseis Vikhr-1 (Turbilhão) no valor de 13 bilhões de rublos (cerca de R$ 930 milhões). Segundo o vice-diretor-geral da Ijmach, Andrêi Semen, esse contrato será um bom estímulo ao desenvolvimento das empresas do consórcio e permitirá criar mais de 300 novos empregos.

Uma equipe especial ficou encarregada de promover a marca e lidar com as empresas que utilizam o nome sem licença. O próprio Mikhail Kalashnikov, que trabalhou durante muitos anos na Ijmach, autorizou a usar seu nome para designar o consórcio. A fabricante se dispôs a pagar ao designer uma quantia de US$ 45 mil a US$ 90 mil por isso, mas Kalashnikov não aceitou o dinheiro, declarando-se honrado por ceder seu nome à nova holding.

Além da Ijmach, o consórcio Kalashnikov vai englobar outras empresas do ramo, como a Usina Mecânica de Ijevsk (Ijmech), a Fábrica de Máquinas e Equipamentos de Viatka (Molot) e o Instituto de Pesquisa Científica Progress, entre outras. O consórcio visa ainda reforçar as posições da Rússia no mercado de armas de fogo para civis.

“Precisamos otimizar a estrutura de gestão e alguns processos de produção, bem como desenvolver a cooperação entre as empresas integrantes do consórcio, para que a união beneficie todos os associados”, disse o diretor-geral da Ijmach, Konstantin Bussiguin. “O consórcio terá duas instalações separadas: a Ijmach e a Ijmech. Nenhum trabalhador será demitido”, completou. Ainda de acordo com o responsável, a criação do consórcio permitirá reduzir os gastos com a logística, transporte e fabricação de ferramentas e equipamentos.

A cerimônia de apresentação e inauguração do consórcio acontecerá em 19 de setembro em Ijevsk e em 21 de setembro na cidade de Moscou.

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