Sistemas de radar de solo sofrem atualização

Radar Glonass-M de segunda geração Foto: wikipedia.org

Radar Glonass-M de segunda geração Foto: wikipedia.org

O Ministério da Defesa iniciou a substituição dos sistemas de radar de solo para navegação de longo alcance, os RSDN-10, pelos complexos Skorpion. Em caso de guerra, esses sistemas terrestres de posicionamento serão substituídos pelos espaciais GPS e Glonass. O programa de modernização está planejado para durar até 2020 e nesse ano deve começar a operar a partir dos três sistemas do cordão Transbaikal.

O Ministério da Defesa iniciou a substituição dos sistemas de radar de solo para navegação de longo alcance, os RSDN-10, pelos novos complexos Skorpion. Em caso de guerra, esses sistemas terrestres de posicionamento serão substituídos pelos espaciais GPS e Glonass. O programa de modernização está planejado para durar até 2020 e nesse ano deve começar a operar a partir dos três sistemas do cordão Transbaikal.

“Durante as ações militares, todos os sinais de satélite que atravessarem o espaço serão ativamente camuflados com o chamado ruído branco”, disse ao jornal “Izvéstia” o representante do Instituto Russo de Radionavegação e Tempo, Iúri Kúpin. A Rússia, EUA e uma série de outros países possuem aviões com equipamento especial capaz de bloquear todo o espaço de transmissão radiofônica perto da terra. Em situação análoga, os Skorpions foram projetados para se tornarem uma espécie de duplicado do Glonass.

Os atuais sistemas de navegação de longo alcance foram desenvolvidos ainda nas décadas de 40 e 50 do século passado, e parte de sua função era determinar as coordenadas – com um margem de erro entre 150 e 800 metros. Com a degradação dos aparelhos e seus serviços já obsoletos, o RSDN-10 não é praticamente utilizado e a maioria das estações foram destruídas. A ideia da substituição dos sistemas terrestres surgiu, em primeiro lugar, pela necessidade de garantir a segurança nacional em termos de navegação.

Para a criação do novo RSDN, foram usados os avanços científicos dos últimos anos. Os Skorpions são capazes de garantir uma cobertura maior, de mil quilômetros contra os 600 metros do instrumento anterior. Além disso, os RSDN-10 não têm LKKS, as chamadas estações de correção local de controle a grandes distâncias, o que não permite que as ondas de rádio penetrem no território de um eventual oponente, tornando o sistema de navegação invisível.

“Os principais clientes dessas estações utilizadas no armamento da Força Aérea e das Forças de Defesa Aérea são também a aviação de longo percurso e a Marinha”, diz Kúpin. “Eles recebem os sinais da hora exata e podem assim sincronizar os equipamentos através de tais redes.”

Os Skorpions, ao contrário das outras estações já ultrapassadas, são capazes de manter automaticamente os parâmetros do sinal emitido, podem ser comandados a partir de um único controle e conseguem suprimir os impulsos de rádio residuais. Os receptores do sistema podem ser instalados em veículos aéreos, terrestres, marítimos e fluviais. Outra vantagem dos Skorpions está na possibilidade de sincronia das estações com o sistema Glonass, o que aumenta muito a sua eficácia.

“As tripulações de aeronaves de longo percurso nunca se guiam apenas pelos dados de um único sistema para saber a sua localização”, declarou ao Izvéstia o ex-comandante da Força Aérea, Piôtr Deiníkin. “Utilizamos sempre um conjunto de meios para determinar a posição exata da aeronave. Tem também de haver um sistema de navegação autônoma, de modo a que a tripulação não dependa apenas das emissões de rádio e dos meios espaciais, que podem sofrer interferências. A propósito, a questão da precisão da navegação é uma das questões mais importantes tanto em tempo de guerra, como de paz.

Além da colocação dos novos mecanismos de radiolocalização, está planejada a modernização dos sistemas antigos. A agência russa Rosoboronpostavka encomendou trabalhos de reparação e modernização dos complexos RSDN-10-20 e do sistema RSDN-20 Alpha. Essa modernização está sendo efetuada no âmbito do programa federal Sistemas Globais de Navegação e de acordo com o Plano Russo de Radionavegação para 2008-2015.

A ativação do Skorpion acontecerá em quatro fases. Entre 2013 e 2015 serão substituídos os três sistemas da rede do Transbaikal; entre 2016 e 2017, quatro sistemas da rede do Cáucaso do Norte; entre 2017 a 2019, quatro no Extremo Oriente; e em 2019 e 2020, serão substituídos três sistemas da rede do Ural do Sul. Além dos novos sistemas de navegação de longo alcance, o exército russo será equipado com receptores à prova de interferências PPA-C / V, que trabalham com os sinais do GLONASS, GPS, de todo o arsenal do RSDN terrestre e do Skorpion.

 

Publicado originalmente pelo Izvéstia

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