Empresa de São Petersburgo desenvolve projeto de novo submarino para grandes profundidades

Aparelho autônomo tem capacidade para explorar Fossa das Marianas, considerado ponto mais fundo do Pacífico  Foto: ITAR-TASS

Aparelho autônomo tem capacidade para explorar Fossa das Marianas, considerado ponto mais fundo do Pacífico Foto: ITAR-TASS

Aparelho submersível autônomo tem capacidade para explorar a Fossa das Marianas, ponto considerado o mais profundo do oceano Pacífico, a 11 km da superfície.

A Malakhit, de São Petersburgo, está desenvolvendo um novo submarino de pequeno porte, um aparelho submersível autônomo com capacidade para explorar a Fossa das Marianas, ponto considerado o mais profundo do oceano Pacífico, a 11 km da superfície. O projeto está sendo estudado por algumas entidades não especificadas, que serão os seus potenciais clientes. A decisão sobre a sua possível fabricação depende do veredito de tais empresas.

A Malakhit começou a elaboração de projetos de submarinos em 1948. A criação do novo aparelho está prevista pelo Programa Federal de Desenvolvimento de Tecnologias Marítimas Civis, explica o diretor-geral da Malakhit, Vladímir Dorofeev.

“Foram desenvolvidas várias versões de um submersível para trabalhar em profundidades até 11 km. O aparelho será tripulável, mas, de acordo com as tendências de desenvolvimento de equipamentos marítimos, também está prevista a sua versão não-tripulada. Ele se destina, em primeiro lugar, ao cumprimento de missões científicas, apesar de possuir tecnologia de dupla aplicação, ou seja, pode também ser usado para trabalhos hidrográficos da Marinha de Guerra”, diz Dorofeev.

O submarino também poderá trabalhar a outras profundidades, continua Dorofeev.

“Ao contrário dos aparelhos do tipo que se destinam a submergir até os 11 km e regressar, este poderá trabalhar desde as pequenas profundidades até o seu limite de imersão. Ele poderá funcionar com a mesma eficácia em profundidades de um, dois ou três quilômetros até ao seu limite máximo. Ele tem capacidades para realizar trabalhos de investigação com a ajuda de sensores, como medições das características ambientais e recolhimento de amostras dos fundos marinhos com o seu braço robótico.”

O homem só esteve duas vezes a 11 km de profundidade. Em 1960, o oceanógrafo suíço Jacques Piccard e o tenente da marinha dos EUA Don Walsh submergiram na Fossa das Marianas com o Trieste.

Em 2012, o diretor de cinema canadense James Cameron também a alcançou no Deepsea Challenger. Também não podemos esquecer os veículos operados remotamente: o japonês Kaiko e o americano Nereus recolheram do fundo do oceano amostras da fauna marinha –bactérias, camarões e vermes marinhos.

Necessidade

Especialistas têm indagado os motivos de nova viagem à Fossa das Marianas.

“Terão eles um aproveitamento futuro ou só se tratará de uma única descida? Esses aparelhos custam caro. Antes de fabricá-los e gastar muito dinheiro, temos de saber qual será o seu uso”, diz Evguêni Cherniaev, comandante de submersíveis.

Se o aparelho se destina a submergir até aos 11 km, ele é um submersível pesado, com pouca capacidade de manobra, e será inviável usá-lo em pequenas profundidades, explica o piloto.

A Rússia já possui os aparelhos científicos Mir, que atingem os 6 km e podem estudar 98,5 % de todo o fundo oceânico. Eles também têm os seus gêmeos militares, o Rus e o Konsul.

Segundo a mídia, a missão habitual dos submarinos militares é se ligarem a cabos submarinos para interceptação das comunicações inimigas.

Resta-nos adivinhar o que irá fazer o novo submarino na Fossa das Marianas, que fica próximo da ilha de Guam, com as suas bases militares dos EUA. Se a sua construção for aprovada, ele será fabricado pelos estaleiros navais Admiralteiskie Verfi, de São Petersburgo.

 


Publicado originalmente pela Voz da Rússia

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