Fóssil de ancestral do rinoceronte é encontrado nos Urais

Rinocerontes de Merck viviam em paisagens florestais, preferindo arbustos e grama alta Foto: uralinform.ru

Rinocerontes de Merck viviam em paisagens florestais, preferindo arbustos e grama alta Foto: uralinform.ru

Estudiosos conseguiram desenterrar os restos de um antigo rinoceronte de Merck, com vários milhares de anos.

Depois de encontrar um dente fossilizado de um antigo porco-espinho no ano passado, cientistas russos fizeram mais uma descoberta nos Urais.

Recentemente, estudiosos conseguiram desenterrar os restos de um antigo rinoceronte de Merck, com vários milhares de anos.

Mamutes são encontrados no permafrost da Rússia com bastante frequência, mas um rinoceronte de Merck é algo muito raro, especialmente para os Urais. Os fósseis desses animais são normalmente encontrados no sul da Europa Ocidental. O clima no local era mais adequado para os rinocerontes, que preferiam lugares menos frios.

No entanto, nos meses mais quentes, eles migravam para o leste e chegavam até o sul da Sibéria, o que é evidenciado por descobertas individuais, disse à “Voz da Rússia” o chefe de expedição, gerente do Laboratório de Paleoecologia do Instituto dos Urais de Ecologia de Plantas e Animais, Pável Kosintsev.

"Rinocerontes de Merck foram achados no sul da Sibéria, mas a maioria deles foi encontrada em lugares como margens de rios, fora de seu local de sepultamento original. Por isso, era difícil obter quaisquer dados sobre sua biologia. Não sabíamos com que tipos de plantas e animais eles tinham coabitado no passado. E aqui, pela primeira vez, encontramos seus restos dentro de uma camada particular junto com os restos de outros animais, o que nos permitirá reconstruir o meio ambiente desta espécie e, consequentemente, construir uma imagem mais completa de sua biologia e descobrir por que ele foi extinto", diz Kosintsev.

Por enquanto, paleoecólogos não têm respostas a estas perguntas. A idade aproximada dos fósseis encontrados é de 120 mil anos, o que faz os especialistas suporem que o clima dos Urais na época era diferente do de agora. A importância do achado abre uma oportunidade de reconstruir o ambiente do último período interglacial, explica o cientista.

"Estamos vivendo hoje num período interglacial. O anterior ocorreu há cerca de 120 mil a 130 mil anos. Foi naquele período que o rinoceronte de Merck viveu nos Urais. Este animal de áreas quentes veio do sul para estas áreas do norte quando o clima aqueceu aqui. O achado sugere que o clima naquela época era mais quente do que o de hoje".

Rinocerontes de Merck viviam em paisagens florestais, preferindo arbustos e grama alta. Eram animais solitários, de até um metro e meio de altura e mais de três de comprimento. Há uma teoria de que foram mudanças do clima e da vegetação que causaram sua extinção. Sendo gradualmente forçado pela glaciação a migrar para o sul da Europa, o animal ainda viveu durante muito tempo em estepes, semelhantes às atuais pradarias americanas.

Acreditava-se que os últimos destes rinocerontes viveram no território atual da Itália nos tempos do homem paleolítico. A idade dos fósseis do rinoceronte de Merck italiano é cerca de 200 mil anos. No entanto, a descoberta dos cientistas dos Urais prova que estes animais viveram por mais tempo.

As escavações na caverna onde foram encontrados os fósseis irão continuar. Especialistas não duvidam que, escavando camadas mais antigas, irão encontrar algo ainda mais sensacional.

 

Publicado originalmente pela Voz da Rússia

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