Exército aposta no potencial científico

Ministério contará com universitários para promover avanços científicos militares Foto: AP

Ministério contará com universitários para promover avanços científicos militares Foto: AP

Ministério da Defesa completará os quadros das tropas com estudantes e graduandos de instituições de ensino superior. Enquanto universitários ganham uma formação militar adicional, Exército se beneficiará do conhecimento técnico para desenvolver novas pesquisas.

No início deste ano, um grupo de reitores de universidades de Moscou propôs para o Ministério da Defesa que enviasse os estudantes das divisões militares para o serviço no Exército durante as férias de verão. A ideia é fazer com que os estudantes das universidades russas cumpram o serviço militar durante os três meses do verão e, como resultado, em três anos os estudantes poderiam praticamente terminar o treinamento. Os três meses restantes que faltariam para completar o serviço militar atual de um ano serão contabilizados incluindo o tempo de estudo.

Naquela época, o reitor da Universidade Técnica Estatal Bauman de Moscou, Anatóli Aleksandrov, tentou explicar detalhadamente a iniciativa, já apelidada de  “serviço militar a prestação”. “Os estudantes são convidados para prestar serviço em um setor técnico de elite no Exército”, disse o reitor. “Eles trabalharão nos melhores centros de treinamento militar, mas não se trata de um substituto para o treinamento no curso militar. É uma nova forma de aprendizado, em que os garotos podem ter uma segunda formação gratuita – a militar.”

Após examinar o projeto em detalhes, o ministro da Defesa, Serguêi Choigu, realizou um encontro com os alunos e professores da Universidade Bauman em meados de março, no qual falou sobre a configuração dos exércitos por grupos de estudantes. "Estamos prontos para começar os testes com 15 a 20 instituições de ensino superior do país já em setembro”, disse Choigu. O ministro também anunciou o recrutamento nas instituições de “unidades científicas militares”, divisões específicas que serão criadas a exemplo das unidades esportivas. 

“Reunir estudantes que ainda não se formaram como colaboradores científicos e que ainda estão na fase de escolha dos objetos de estudo parece uma ideia original”, avaliou o diretor-executivo da Associação das Universidades Privadas da Rússia, Valéri Kapústin. 

Porém, a esmagadora maioria dos avanços científicos militares no exterior se devem às rigorosas corporações militares de Harvard e Princeton, sobretudo porque os americanos preferem confiar nos resultados das inovações técnico-militares fora do âmbito governamental. Em 2007, por exemplo, toda a comunidade de inteligência americana, incluindo 16 inteligências nacionais, além das ramificações correspondentes, quase 1.300 organizações públicas e 2 mil privadas, consolidaram uma única rede da Atividade de Projetos de Pesquisa Avançada de Inteligência (Iarpa, na sigla em inglês) por iniciativa do diretor de Inteligência Nacional dos EUA.

As universidades técnicas da Rússia, em condições de adequada organização do processo tecnológico militar, provavelmente não ficam atrás das americanas. Mais de 3 mil estudantes participam das pesquisas científicas do Instituto de Aviação de Moscou, uma das principais universidades de defesa. Lá também operam o centro de construção experimental de aeronaves, de modelagem de aviação e de construção de helicópteros, entre outros. No total, 267 estudantes recebem bolsas de estudos e prêmios, e 135 alunos já foram premiados com medalhas e diplomas em competições, conferências e exposições nacionais e internacionais.

Os primeiros quadros científicos do Exército russo já foram selecionados e enviados para o local de serviço em Voronej e Moscou. Na segunda metade do ano, duas subunidades novas serão formadas com o mesmo objetivo. 

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