Exercícios militares inesperados chegam ao Extremo Oriente

Cruzador porta-aviões "Almirante da União Soviética Frota Kuznetsov" Foto: mil.ru

Cruzador porta-aviões "Almirante da União Soviética Frota Kuznetsov" Foto: mil.ru

Na noite de sexta-feira para sábado passado, as tropas do Comando Militar do Leste foram postas em alerta máximo. Objetivo é verificar o estado real de prontidão operacional do Exército.

Todas as licenças dos oficiais, dos tenentes e dos militares que servem sob contrato foram canceladas, assim como as dispensas para ir à cidade dos soldados e sargentos conscritos. Os tanques, veículos blindados de combate, artilharia autopropulsada, sistemas de mísseis antiaéreos e lançadores de mísseis táticos foram carregados com munições. Todos esses equipamentos, juntamente com o efetivo, foram retirados dos pátios militares e enviados para as áreas de concentração, áreas de testes e para campos de tiro, Os aviões de caça e os bombardeiros, deixaram os seus aeroportos de origem e concentrando-se em aeroportos alternativos, da mesma forma, estão aguardando uma ordem para as ações futuras. Também os navios da frota do Pacífico saíram para o mar aberto.

Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Defesa russo, na realização das missões de combate, estão envolvidos até 160 mil do efetivo, cerca de 1 mil tanques e veículos blindados de combate, 130 aeronaves e helicópteros de longo alcance, aviões de transporte militar, caças, bombardeiros e aviões do exército, bem como 70 navios e embarcações da Marinha. Todos eles estão em estado de alerta por ordem do presidente da Rússia e Comandante em Chefe das Forças Armadas, Vladímir Pútin que, na véspera, em Kursk, ordenou ao ministro da Defesa da Rússia e General do Exército, Serguêi Choigu, realizar um teste inesperado do Comando Militar do Leste, da mesma forma como foram testadas anteriormente as tropas dos Comando Militar do Oeste, do Sul e Central.

O Comando Militar do Leste se estende do Lago Baikal até o Oceano Pacífico e da fronteira com a Coreia do Norte até o Oceano Ártico e é comparável em área, a várias vezes o território da França.

Algumas unidades e divisões do comando serão levadas por aeronaves de transporte militar da aviação e pelo transporte ferroviário e marítimo a uma distância de 3 mil quilômetros. As divisões do Comando Militar Central (seu território vai do Volga até o Baikal), mais precisamente, o exército combinado de armas de Novosibirsk, acrescido de aviões de caça e bombardeiros irá desempenhar o papel de inimigo das tropas do Extremo Oriente. As embarcações de superfície e os submarinos da frota do Pacífico, os fuzileiros navais e outras tropas irão executar as suas próprias manobras no âmbito dessas verificações.

Esse tipo de testes não estão associados a qualquer ameaça militar real para a Rússia. Além disso, como foi anunciado oficialmente, eles não são dirigidos contra qualquer outro país. E isso não tem qualquer relação, como alguém poderia supor, com o caso do cidadão americano Edward Snowden, que ficou isolado na zona de trânsito do aeroporto Cheremetievo e que, na véspera, havia solicitado asilo político na Rússia. Os alertas inesperados a que são submetidas as tropas de um ou de outro Comando Militar, uma ou outra modalidade das Forças armadas  e uma ou outra categoria de tropas, são uma das maneiras mais eficazes de verificar o estado real, e não o estado declarado, de prontidão operacional do Exército.

Melhorias para o futuro

O exercício repentino a que foram submetidas as tropas do Comando Militar Central e de algumas divisões das tropas aerotransportadas, em fevereiro deste ano, ordenado pelo o ministro da Defesa e que foi realizado pela primeira vez no decorrer dos últimos vinte anos, revelou que nem todas as unidades foram capazes de retirar dos pátios de armazenamento os seus veículos de combate. Alguns deles, especialmente aqueles que foram recentemente revisados pelas indústrias, encalharam no meio do caminho.

Algumas unidades nem receberam  o sinal de alarme de Moscou, pois os plantonistas estavam dormindo. E a ligação da capital da Rússia nem chegou até o comando da 201ª base militar, localizada no Tadjiquistão. Verificou-se que a comunicação telefônica com a base russa, era de responsabilidade do Ministério das Comunicações da República e lá, não era grande a preocupação em relação a sua estabilidade e confiabilidade. Foi preciso corrigir urgentemente todas essas deficiências. E talvez ninguém tivesse tomado conhecimento delas, se não fosse feita, de surpresa, essa verificação empreendida por Choigu.

A verificação do Comando Militar do Sul também revelou deficiências na organização das comunicações  e na administração. O caso foi comentado em uma reunião entre o ministro da Defesa e o presidente. Falhas semelhantes também foram identificadas durante os testes realizados no Comando Militar Ocidental. Atualmente, elas também estão sendo eliminadas.

É claro que isso não significa que todas as deficiências e lacunas da reforma militar serão eliminadas apenas ao longo de verificações realizadas de surpresa. A modernização e a construção das Forças Armadas prosseguem de acordo com o plano, redigido de maneira detalhada e que aborda as ações até 2020. Isso é comprovado também pelo Plano para o Desenvolvimento do Exército e da Marinha, para a próxima década, recentemente publicado na Internet.

Ainda acontecerão os exercícios militares estratégico-operacionais em grande escala, denominados de “Ocidente – 2013”, que serão realizados em setembro, nos territórios da Rússia e da Bielorrússia e consistirão de lançamentos de mísseis estratégicos, terrestres e marítimos. A indústria “Sevmash” entregará a Marinha russa, de uma só vez, 2 submarinos cruzadores nucleares estratégicos do projeto 955, da classe “Borei”,  com 16 mísseis estratégicos “Bulava” a bordo de cada um. Também serão realizados voos para o Atlântico e o Pacífico, da aviação de longo alcance, campanhas no mar Mediterrâneo e nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, com os navios de todas as quatro frotas

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