“Quando se trata de guerra eletrônica, estamos à frente em vários aspectos"

"O desenvolvimento de qualquer tecnologia, incluindo a da guerra eletrônica, vem de uma análise comparativa", explica Manévski Foto: Radioelectronie Tehnológui

"O desenvolvimento de qualquer tecnologia, incluindo a da guerra eletrônica, vem de uma análise comparativa", explica Manévski Foto: Radioelectronie Tehnológui

Especialista em tecnologia fala sobre últimos desenvolvimentos da indústria russa no campo da guerra radioeletrônica.

A análise dos conflitos armados nas últimas décadas mostra que a guerra eletrônica está se tornando um dos elementos-chave dos conflitos modernos, seja como parte integrante ou base técnica na luta por informações entre os lados em conflito. Os meios modernos de guerra eletrônica são capazes não só de desorganizar temporariamente os sistemas eletrônicos de rádio do inimigo por meio de barreiras, mas também destruí-los completamente.

Em entrevista à agência de notícias RIA Nóvosti , o designer e vice-diretor da empresa Koncern Radioelektronnie Technologui, Iúri Maevski, falou sobre como é possível neutralizar as estações espaciais de batalha americanas, os últimos desenvolvimentos da  indústria russa no campo da guerra radioeletrônica e quais propriedades devem ter os sistemas modernos de guerra eletrônica, entre outros assuntos.

RIA Nóvosti: Agora estão sendo desenvolvidos aviões de  5 ª geração para a Força Aérea da Rússia; para a Marinha, submarinos de 4ª e 5ª gerações. Será que estão sendo desenvolvidos sistemas de guerra eletrônica para esse equipamentos, e como eles serão fundamentalmente diferentes dos já existentes?

Iúri Maevski: Independente das diferenças que os sistemas de guerra eletrônica destinados para proteger os futuros  sistemas aéreos e submarinos de  4 ª e 5 ª gerações tiverem, eles deverão garantir uma luta eficaz contra um inimigo potencial nos próximos 25 anos. Assim, eles terão como diferencial um espectro mais amplo de ação e maior alcance.

RN: Estão sendo criados na Rússia meios de guerra eletrônica que permitam neutralizar as estações de batalha espaciais, cuja criação os Estados Unidos não negam a autoria?

IM: O presidente da Federação Russa [Vladímir Pútin] falou sobre isso. Logo que se começou a falar sobre o desenvolvimento de estações espaciais de guerra, ele disse, que nós responderemos adequadamente. Naturalmente, está sendo executado o trabalho para criar um conjunto de ferramentas, incluindo os de guerra eletrônica, que assegurarão a neutralização de armas do espaço utilizadas pelo inimigo.

Nós fazemos previsões sobre eles, eles fazem sobre nós; e a esse respeito, a Rússia é obrigada a decidir tais questões. Qualquer país elabora as questões, cria antecipadamente uma reserva científica e técnica, e desenvolve sistemas que sejam capazes de neutralizar todo o efeito de uma tecnologia promissora, incluindo os sistemas espaciais militares. Por exemplo, a tecnologia que existe hoje foi criada há 10 anos, com uma previsão de que seria atual hoje. Claro, levam-se em conta os resultados de sua exploração, dos estudos. Utiliza-se a experiência de conflitos de combate, mas tudo que isso é previsto.

RN: Que sistemas de guerra eletrônica estão atualmente em teste? E quantos são?

IM: Existe uma quantia bastante grande de sistemas desenvolvidos. Mais de 12 tipos, que incluem sistemas aéreos e terrestres. Não é permitido falar sobre suas características táticas e técnicas com detalhes, uma vez que tudo que se refere aos trabalhos experimentais e de construção feitos por encomenda do Ministério da Defesa. Posso informar que a empresa entregou o primeiro lote de helicópteros na base do MI-8, fundamentalmente diferentes de seus antecessores (MI-8PP). Essa técnica é capaz de assegurar a supressão rádioeletrônica dos meios de detecção e exploração e também a proteção dos dispositivos de voo contra falha de todos os tipos de misseis de aviação e misseis antiaéreos guiados.

RN: É verdade que agora está sendo renovado o projeto de um sistema radioeletrônico aeronáutico especial de exploração e combate?

IM: É possível falar sobre uma tomada promissora de direção para a criação de meios de guerra eletrônica inteiramente novos. Por exemplo, não é nenhum segredo que os Estados Unidos “criaram o Growler [avião de combate radioeletrônico da Marinha dos EUA] em substituição ao Prouler, e naturalmente vamos responder de maneira adequada a essas ações.

RN: Na sua opinião, qual é o país que é atualmente o número um na criação de meios de guerra eletrônica avançados?

IM: Há um certo conceito de utilização de meios de guerra eletrônica e a própria execução (produção) desses meios. Quando se trata de guerra eletrônica, estamos à frente da concorrência em diversos aspectos. Além disso, estamos também estamos adiantados em uma série de meios (sistemas), mas nem sempre conseguimos realizar o que podemos.

RN: A Rússia usa produtos de desenvolvimento estrangeiro para a criação de novos sistemas de guerra eletrônica ou os trabalhos são fundamentados exclusivamente em ideias nacionais?

IM: Na maioria dos casos, são nossas as ideias, mas o desenvolvimento de qualquer tecnologia, incluindo a da guerra eletrônica, vem de uma análise comparativa. Avaliamos e observamos o que está sendo feito no mundo inteiro. Então vemos se é melhor tentar repetir ou retirar. Mas repito: tentamos lidar com os desafios sozinhos, porque são de segurança nacional.

RN: Que novidades a empresa apresentará na Max 2013?

IM: Uma série de equipamentos relativos aos assuntos de aviação, incluindo talvez elementos separados do sistema de aviação Vitebsk. O que é necessário e não secreto será obviamente apresentado no Salão de Aviação. Temos um número suficiente de novidades.

 

Publicado originalmente pela RIA Nóvosti

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