Moscou pretende vender mísseis antiaéreos Antey-2500 ao Irã

Sistema de míssil antiaéreo Antey-2500 em exibição no Salão de Aeronáutica MAKS 2011, em Jukóvski Foto: ITAR-TASS

Sistema de míssil antiaéreo Antey-2500 em exibição no Salão de Aeronáutica MAKS 2011, em Jukóvski Foto: ITAR-TASS

Equipamento é alternativa ao S-300, cujo contrato de entrega russo foi cancelado devido à resolução da ONU. Variedade não está inclusa em restrições internacionais.

De acordo com fontes do Serviço Federal para a Cooperação Técnico-Militar da Rússia, Moscou está pronta a oferecer a Teerã um novo acordo de fornecimento de equipamentos militares que deve resolver as falhas na entrega dos sistemas antimísseis S-300 acordados anteriormente com o país.

“Estamos estudando a possibilidade de fornecer ao Irã outros sistemas de defesa antiaérea que não tenham restrições internacionais”, disse uma fonte do governo russo.

Trata-se da possibilidade de fornecer uma versão modificada dos sistema antiaéreos S-300 chamada Antey-2500. O decreto de 2010 que proíbe o fornecimento de equipamentos militares ao Irã não inclui essa nova variedade de sistema antiaéreo.

"Se nossos parceiros iranianos aceitarem a proposta, a posição da Rússia como um parceiro de confiança na esfera técnico-militar será reforçada", disse o porta-voz da Rosoboronexport (empresa governamental russa responsável pelas exportações de equipamentos militares). "Essa proposta permitirá que o Irã receba o equipamento russo sem perder tempo em tribunais”, completa.

A ONU e o fornecimento

O contrato de fornecimento de 5 baterias S-300 ao Irã foi assinado em 2007. Três anos depois, o Conselho de Segurança da ONU adotou uma nova resolução sobre o Irã, condenando os líderes do país por não interromper o programa nuclear.

Devido às sanções da ONU contra Teerã, que incluem um embargo no fornecimento de armas modernas ao país, o contrato entre a Rosoboronexport e o Irã ficou congelado.

Em 2010, Moscou cancelou um contrato de fornecimento ao Irã de sistemas antimísseis S-300, com base na Resolução 1.929 do Conselho de Segurança da ONU. O documento da ONU proíbe o fornecimento ao Irã de qualquer tipo de tanques, veículos blindados, artilharia, aviões e helicópteros de combate, navios de guerra, mísseis ou baterias de mísseis. Em seguida, o Ministério da Defesa iraniano apresentou uma queixa contra a Rosoboronexport ao Tribunal Internacional de Arbitragem de Genebra.

Em setembro de 2013, o então presidente Dmítri Medvedev assinou um decreto para implementar a resolução da ONU e introduzir sanções ainda mais duras contra o Irã. Medvedev cancelou pessoalmente o contrato de fornecimento dos S-300 ao Irã.

De acordo com os especialistas, o novo contrato de fornecimento do Antey-2500 poderá ajudar a resolver o conflito com o Irã.

“O contrato atende às necessidades e interesses da república islâmica”, diz o diretor do Centro de Políticas Públicas de Investigação, Vladímir Ievseev. “O Antey-2500 fortalecerá as possibilidades de defesa do Irã de maneira muito significativa.”

Segundo Ievseev, do ponto de vista formal, a decisão de fornecer o Antey-2500 ao Irã não está em desacordo com o decreto de 2010. "Tratam-se de sistemas de diferentes marcas e características”, completou.

“Estss complexos são para defensa. O Irã está sempre sob a pressão, é natural que o governo do país queira reforçar sua defesa", afirma o chefe do Centro de Análise de Estratégias e Tecnologias, Ruslan Pukhov.

Fontes do jornal russo “Kommersant” no Ministério do Exterior iraniano, afirmaram que a questão do fornecimento de novos equipamentos militares será o principal assunto a ser tratado na reunião entre o presidente Vladímir Pútin e seu par iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que estará em visita oficial a Moscou a partir de 1° de julho.

O líder iraniano irá à Rússia para participar da cúpula do FPEG (Fórum dos Países Exportadores de Gás), que reúne 11 dos líderes na produção de gás natural mundial: Argélia, Bolívia, Egito, Guinea Equatorial, Irã, Líbia, Nigéria, Qatar, Rússia, Trinidad e Tobago, e Venezuela.

 

Publicado originalmente pelo “Kommersant”

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