Radar virado para o oeste

 “O sistema de medidas técnico-militares destinado a neutralizar o impacto negativo do sistema de defesa antimísseis global dos EUA sobre o potencial nuclear da Rússia já está elaborado, e nós não escondemos isso” Foto: Víktor Litóvkin

“O sistema de medidas técnico-militares destinado a neutralizar o impacto negativo do sistema de defesa antimísseis global dos EUA sobre o potencial nuclear da Rússia já está elaborado, e nós não escondemos isso” Foto: Víktor Litóvkin

Todas as garantias sobre o não direcionamento contra a Rússia do sistema de defesa antimíssil americano na Europa que a Otan dá às lideranças nacionais políticas e militares não valem nada se não for firmado um contrato que limite sua ação às fronteiras dos países pertencentes à Otan sem nem um centímetro a mais, dizem os especialistas russos.

Em maio, três eventos convergiram para um mesmo foco: a visita do secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Pátruchev, à Washington, e a entrega de uma carta-resposta do presidente russo, Vladímir Pútin, para o presidente Barack Obama; o segundo foi a realização da conferência internacional "Aspectos Militares e Políticos da Segurança Europeia", organizada pelo Ministério de Defesa, em Moscou; e o terceiro, a visita do ministro da Defesa russo, Serguêi Shoigu, à região de Kaliningrado, onde foi colocada em alerta experimental a estação de radar de alta prontidão operacional do sistema de alerta antecipado antimíssil Voronezh-DM.

No centro de cada um desses eventos estava a questão do escudo antimíssil balístico que o Pentágono quer colocar na fronteira do nosso país. De acordo com declarações feitas pelo Kremlin, apesar de na carta de Obama para Pútin terem sido feitas propostas sérias para responder às preocupações da Rússia em relação ao sistema de defesa antimíssil americano na Europa, que poderia afetar a força de dissuasão estratégica da Rússia, o presidente do nosso país, na sua carta de resposta, considera essas salvaguardas insuficientes e insiste em obrigações legalmente estabelecidas.

Presidentes mudam, dizem os especialistas, e não há nenhuma razão para acreditar que o chefe da Casa Branca após Obama não renuncie às obrigações de seu antecessor.

Isso também foi discutido na Conferência Internacional Sobre Segurança, em Moscou. Todas as garantias sobre o não direcionamento contra a Rússia do sistema de defesa antimíssil americano na Europa que a Otan dá às lideranças nacionais políticas e militares não valem nada se não for firmado um contrato que limite sua ação às fronteiras dos países pertencentes à Otan sem nem um centímetro a mais, dizem os especialistas russos.

Caso contrário, nosso país terá que tomar medidas assimétricas mas eficazes para neutralizar esse escudo antimíssil. De acordo com o que declarou na conferência o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas russas, general do Exército Valéri Gerássimov, “o sistema de medidas técnico-militares destinado a neutralizar o impacto negativo do sistema de defesa antimísseis global dos EUA sobre o potencial nuclear da Rússia já está elaborado, e nós não escondemos isso”.

Provavelmente, para enfatizar a seriedade dessas intenções e, ao mesmo tempo, testar a eficácia na realização de tarefas da defesa antimíssil em relação ao oeste do país, Shoigu dirigiu-se para a região de Kaliningrado, onde foi colocada em prontidão experimental a estação de radar de alta prontidão operacional do sistema de alerta antecipado antimíssil Voronezh-DM.

"Até 2018, o Programa Estadual de Armamentos prevê a formação de uma área contínua de rastreio com o radar, que excluirá, em um eventual ataque, a possibilidade de passagem de mísseis balísticos que estejam executando qualquer tipo de trajetória, vindos de qualquer caminho que represente perigo", declarou o ministro.

Vamos complementar: a mudança do sistema de radares de alerta antecipado do regime de prontidão experimental para o regime de combate está prevista para o final de 2014.

E a estação controla o setor que inclui a parte norte da África, todo o mar Mediterrâneo e o Atlântico Norte, incluindo as áreas de patrulha dos submarinos nucleares americanos Ohio, que transportam mísseis estratégicos a bordo. Num raio de 6.000 km na superfície da Terra e de 8.000 km no espaço.

O nosso país possui estações semelhantes de radar de alta prontidão operacional em Armavir (ela será colocada em regime de prontidão de combate ainda este mês), próximo à São Petersburgo (já está em estado de alerta) e perto de Irkutsk, na Sibéria (a primeira fase está em alerta experimental e a segunda está sendo construída).

Para que essas histórias não se repitam com o sistema de detecção antecipada de ataques de mísseis da Rússia é que foi tomada a decisão de construir novos radares apenas em nosso próprio território. Além das quatro que já funcionam, até 2018 serão colocadas em funcionamento estações similares em Barnaul, Omsk, Enisejske e na região de Oremburgo. Para isso, estão sendo desenvolvidos novos radares móveis (que podem mudar de base), multifuncionais e adaptáveis com o codinome de Marte. Novamente com prontidão operacional total e um alto grau de versatilidade.

Vantagens

O radar de alta prontidão operacional possui grandes vantagens sobre seus antecessores. Em primeiro lugar, o preço. Se a construção de Darial, em Gabala, custou US$ 1 bilhão ao orçamento soviético, a Voronezh, de Kaliningrado, custou apenas 1,5 bilhões de rublos.

Em segundo lugar vem a velocidade de construção. A montagem de uma nova estação de radar é de um ano e meio a dois anos. A antiga levava dez ou mais anos. Em terceiro lugar, o consumo de energia das estações antigas é de 50 megawatts;  das novas, de 0,7 a 2 megawatts.

Não é necessário dizer que a precisão e a velocidade de detecção de lançamentos de mísseis balísticos e outros alvos que se movem no ar, assim como naves espaciais, sejam eles medidos em metros ou em decímetros, é maior no Voronezh do que em seus antecessores.

Outro detalhe importante: atualmente, ao lado da estação de radar de alta prontidão, são obrigatoriamente construídas novas cidadezinhas para os oficiais, os funcionários contratados, suas famílias e os soldados que irão servir na estação. Nós visitamos junto com o Ministro da Defesa uma dessas cidades, que se localiza na Vila Pioneiro, próximo de Kaliningrado. Nela existem todas as condições para uma vida confortável.

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