Ferrovia de alta velocidade ligará Moscou a Kazan até 2018

Cidade de Kazan Foto: Slava Stepanov / GELIO

Cidade de Kazan Foto: Slava Stepanov / GELIO

Durante reunião com a presença de Pútin, esquema do desenvolvimento das ferrovias de alta velocidade na Rússia foi alterado fundamentalmente. Kazan e Adler (Sôtchi) tornaram-se prioridades.

A primeira ferrovia de alta velocidade da Rússia, que ligará Moscou a Kazan, deve ficar pronta até 2018. A previsão é do ministro dos Transportes, Maksim Sokolov. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (29) após reunião com a presença de Vladímir Pútin.

A construção de uma linha até São Petersburgo, até então considerada prioridade, foi adiada indefinidamente. Vladímir Iakunin, presidente da Russian Railways S/A, já deixou claro que pelas 3h30min de viagem até Kazan, em vez das atuais 11h30min, o usuário pagará de 800 a 8 mil rublos. Atualmente, a viagem de avião, que dura 1h30min, custa, no mínimo, 3.600 rublos o trecho.

Durante a reunião com o presidente, o esquema do desenvolvimento das ferrovias de alta velocidade na Rússia foi alterado fundamentalmente. Kazan e Adler (Sôtchi) tornaram-se prioridades.

Com cerca de 800 km de extensão, a linha até Kazan passará por Vladímir, Níjni Novgorod e Cheboksari, detalhou Sokolov. Na verdade, ela é considerada como a primeira parte da ferrovia que se estenderá da capital até Iekaterinburgo.

"Se nós começarmos a construção em 2013, teoricamente será possível concluí-la até a Copa do Mundo de 2018”, disse Sokolov, citado pela agência Itar-Tass.

O volume de investimentos na ferrovia, como precisou Iakunin, atingirá 928 bilhões de rublos, incluindo um subsídio do governo no valor de 650 bilhões de rublos. Outros 30% devem ser adicionados por investidores privados e instituições de crédito para a compra dos trens e a “criação da infraestrutura relacionada”.

Vale lembrar que Kazan não é apenas um destino turístico famoso. Na região existe uma das mais bem sucedidas zonas econômicas especiais russas, a Alabuga, além de alguns parques tecnológicos.

O governo terá que conceder um subsídio adicional para a etapa operacional da ferrovia, inclusive para preservar as tarifas em um nível de preço baixo. Iakunin acredita que o montante do subsídio necessário é de 315 bilhões de rublos. 

São Petersburgo

 Inicialmente era considerada prioritária a construção da ferrovia Moscou-São Petersburgo (o projeto foi denominado BCM-1), com um valor total de mais de 1 trilhão de rublos. Foi elaborado um estudo da viabilidade de investimento, efetuada uma pesquisa de possíveis locais e realizadas negociações com investidores.

Para a realização desses trabalhos, a Russian Railways S/A disponibilizou um empréstimo no valor de 980 milhões de rublos para a empresa Ferrovias de Alta Velocidade S/A. Ainda em 2012 deveria ter sido anunciada uma licitação para o ciclo de vida do contrato, mas agora o projeto foi adiado indefinidamente. Na época, a ideia era de um esquema de concessão, com o consórcio vencedor da licitação tendo a obrigação de construir a ferrovia e explorá-la durante 30 anos.

Elena Sakhnova, da VTB Capital, destaca que a comunicação entre Moscou e São Petersburgo já se encontra em um nível bastante aceitável, graças ao Sapsan. A especialista considera que investir 1 trilhão de rublos nesse sentido seria improdutivo, mesmo levando em conta a possibilidade de separar o transporte de passageiros do de carga.

O diretor geral do Instituto de Problemas dos Monopólios Naturais, Iúri Sahakian, acrescenta que o surgimento da ferrovia de alta velocidade na região do Volga não apenas fará concorrência ao serviço aéreo, mas começará a gerar um fluxo próprio de passageiros.

Publicado originalmente pelo Kommersant 

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