Autoridades abrem céu de Moscou para trânsito de aeronaves

Especialistas sugerem que medida representa mais um sinal de abandona das normas herdadas da Guerra Fria Foto: ITAR-TASS

Especialistas sugerem que medida representa mais um sinal de abandona das normas herdadas da Guerra Fria Foto: ITAR-TASS

Apesar do aparente avanço, especialistas rebatem que limite de altitude permitido é muito alto e, por isso, medida não compensa em termos de gastos com combustível e tempo de viagem.

Um decreto que permite aviões a sobrevoar Moscou entrou oficialmente em vigor na semana passada, de acordo com o site oficial do Ministério dos Transportes.

O céu da capital permaneceu fechado por anos, tanto para aviões civis russos como estrangeiros, por motivos de segurança nacional. Sob um tratado russo-americano, Moscou é protegida por um escudo antimíssil balístico. Até então, apenas aviões dos serviços de emergência eram autorizados a utilizar o espaço aéreo sobre a cidade.

O novo conjunto de regras autoriza que aviões sobrevoem a capital a uma altitude mínima de 8.100 metros. Porém, os pilotos dizem que seriam capazes de economizar tempo apenas se o limite fosse reduzida para 5 mil metros. “Não há nenhum sentido fazê-lo tão alto, já que os pousos e decolagens são realizados em uma altitude bem menor”, disse comandante do aeroporto Vnukovo, Ivan Mariasov, ao canal de televisão “Vesti”. 

Nem todos os pilotos profissionais receberam bem as novas regras. “Em uma escala global, o território de Moscou não é tão grande. Essa iniciativa não resolve todos os problemas. Precisamos abrir outros corredores aéreos e construir novos aeroportos”, diz Serguêi Knichiov, piloto da Aeroflot e membro do Sindicato Nacional dos Pilotos.

As autoridades federais de aviação disseram anteriormente que pretendem diminuir a altitude para 3 mil metros aos aviões que estiverem se aproximando da capital e 1.500 metros para aqueles que acabaram de decolar. Essa alteração poderia aumentar o rendimento dos aeroportos de Moscou em até 30%.

Os especialistas em transporte aérea acrescentaram que, embora três dos aeroportos de Moscou tenham seis pistas de decolagem, ao contrário de cinco nos quatro aeroportos de Londres, elas são usadas de maneira ​​muito menos eficaz. No ano passado, os aeroportos de Moscou realizaram somente 750 mil pousos e decolagens, em comparação com os 1,3 milhões em Londres.

Especialistas do setor de aviação disseram que as novas regras acompanham a redução de normas herdadas da época da Guerra Fria.

Só em 2010 é que as autoridades federais de aviação passaram a permitir que os pilotos de aviões particulares voassem espontaneamente, informando os controladores sobre seu voo pouco antes da decolagem.

Antes, os pilotos privados tinham que enviar um pedido de autorização para utilizar determinado corredor aéreo três dias antes do voo.

Sem perigo

O plano de reduzir a altitude permitida para aviões encontra resistência por parte das autoridades locais, devido a questões ecológicas.

Mesmo assim, Anna Kurbatova, vice-diretora do Instituto Ecológico de Moscou, disse na semana passada que até mesmo um limite de 1.500 metros de altitude não causaria danos ecológicos graves, uma vez que essa altura é considerada acima da “zona de segurança” ambiental. Ela acrescentou ainda que seria praticamente impossível de ouvir o barulho das aeronaves.

“Há um alto nível de poluição sonora em Moscou e, por isso, as pessoas não iriam notar a presença do avião voando. Para uma cidade desse porte, é como se fosse o zumbido de um mosquito”, disse Kurbatova citada pela agência de notícias RIA Nóvosti.

A poluição do ar também não deve aumentar. De acordo com estatísticas da Organização Internacional de Aviação Civil, as aeronaves são responsáveis ​​por apenas 12% das emissões, enquanto que 74% da poluição é gerada por veículos de transporte terrestre.

 

Publicado originalmente pelo The Moscow Times

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