Foguete nuclear russo facilitará viagens interplanetárias após 2025

Com nova nave, voo de ida e volta para Marte levará de 2 a 4 meses Foto: NASA

Com nova nave, voo de ida e volta para Marte levará de 2 a 4 meses Foto: NASA

Centro de pesquisa M.V. Keldich, em Moscou, já trabalha no desenvolvimento de sistema de propulsão de foguetes nucleares, que permitirá enfrentar novos desafios de transporte no espaço sideral. Os primeiros testes estão previstos para 2018.

Um novo foguete nuclear russo permitirá multiplicar a velocidade de movimento através do espaço: um voo de ida e volta para Marte levará de dois a quatro meses, enquanto o foguete atual gasta um ano e meio a dois ano para realizar o mesmo percurso.

“A questão é que os motores químicos que são utilizados hoje na indústria espacial têm limitações em termos de impulso específico e, como consequência, de velocidade. É simplesmente impossível acelerar acima da terceira marcha espacial (equivalente a 16,6 km/s). No foguete nuclear, é possível alcançar valores de impulso muito maiores”, diz diretor do centro Keldich, Anatóli Koroteiev.

Os primeiros motores nucleares para naves espaciais foram desenvolvidos na União Soviética e Estados Unidos no anos 50 do século passado. O objetivo era criar motores de foguete, que, em vez de energia química para a queima de combustível e oxidante, usaria hidrogênio aquecido a uma temperatura de cerca de 3 mil graus. Mas descobriu-se que este caminho é ineficiente e ambos os países interromperam o desenvolvimento de seus projetos.

Atualmente, o centro Keldich oferece uma abordagem completamente diferente. Para explicar essa evolução, basta fazer uma analogia entre um motor híbrido de um automóvel e um motor comum. Em um carro comum o motor gira as rodas, enquanto que o motor de um carro híbrido gera energia elétrica e esta gira as rodas. Isto é, cria-se uma espécie de estação elétrica intermédia.

O novo reator espacial funciona com o mesmo princípio. Ele não aquece o jato expelido, mas produz eletricidade. O gás quente do reator gira uma turbina, que, por sua vez, movimenta um gerador elétrico e um compressor, garantindo a circulação do propelente em um circuito fechado.

Os testes do novo motor poderão ser feitos em polígonos russos relativamente pequenos; graças a isso, não haverá necessidade de alugar bases de outros governos, que sempre envolvem longas negociações sobre a utilização da energia nuclear em um território estrangeiro.

Há dois anos, o então presidente russo Dmítri Medvedev destinou uma verba de US$ 544,4 milhões para financiar o projeto do módulo espacial. Desses recursos, US$ 232 serão gastos pela corporação estatal Rosatom na criação do reator. A criação de um sistema de propulsão nuclear ficará sob responsabilidade do Centro de Pesquisa de Keldich, e a corporação de foguetes espaciais Enérguia vai construir a nave espacial, que será lançada após 2025.

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