“Potencial da América Latina para a venda de armas russas é enorme"

Serguêi Ladíguin, chefe do departamento regional da Rosoboronexport Foto: Reuters

Serguêi Ladíguin, chefe do departamento regional da Rosoboronexport Foto: Reuters

De acordo com Serguêi Ladíguin, chefe do departamento regional da Rosoboronexport, América Latina é uma região especialmente promissora, porém o atual nível de cooperação militar não corresponde ao enorme potencial.

Em entrevista à agência de notícias RIA Nóvosti, Serguêi Ladíguin, chefe do departamento regional da Rosoboronexport, a única exportadora autorizada de armas e equipamentos militares do país, falou sobre os objetivos e problemas de especialistas russos que trabalham com os países da América Latina.

Ladíguin encabeçou a delegação russa na edição deste ano da Feira Internacional de Defesa e Segurança (Laad, na sigla em inglês), realizada no Rio de Janeiro na semana passada.

RIA Nóvosti - Como o senhor avalia a cooperação militar entre a Rússia e os países da América Latina?

Serguêi Ladíguin - É uma região especialmente promissora, mas o atual nível de cooperação militar não corresponde ao enorme potencial que poderíamos desenvolver. Aplicamos gradualmente uma política especial para aprofundar as relações com os nossos parceiros latino-americanos. 

Atualmente, cooperamos com quase todos os países da região. Nos últimos anos, intensificamos a cooperação com Venezuela, Cuba, Colômbia, México, Peru, Equador e Uruguai. Assinamos contratos muito importantes com o Brasil e com a Argentina para o fornecimento de helicópteros.

O Chile também está mostrando interesse, mas até agora os contatos não se materializaram. Os nossos esforços são apoiados pelas autoridades russas, que estão focadas na América Latina e realizam muitas visitas à região.

Uma das últimas notícias é o interesse manifestado pelo Brasil na compra dos sistemas de defesa antiaéreo russos. Quando podemos esperar a assinatura de um contrato para o fornecimento de sistemas Pantsir-S1 e Igla-S?

Já foram realizadas várias negociações preliminares. No início deste ano, especialistas brasileiros visitaram a Rússia para estudar os sistemas.

Estamos desenvolvendo o projeto de contrato, mas ainda não podemos falar sobre prazos concretos. Esse contrato é muito importante para a Rússia. Se for assinado, as relações bilaterais entre os países entrarão em uma nova fase.

Em que países da América Latina poderão ser fabricados armamento e equipamento militar russos?

Estamos realizando negociações sobre a possibilidade de construir helicópteros, sistemas de defesa antiaéreos, armamentos, munições e sistemas de artilharia com vários países da América Latina, inclusive Brasil e Argentina. Essas propostas são muito importantes, porque ajudam a aumentar as quotas de exportação de armas para os países deste continente.

A Feira LAAD ajuda a intensificar a cooperação entre a Rússia a os países da América Latina?

A seção russa na feira de 2013 foi maior do que nos anos anteriores. As pessoas que visitaram a feira no ano passado puderam observar a diferença. A Rosoboronexport apresentou mais de 200 modelos de armamentos.

Que armamento causou maior interesse entre os clientes latino-americanos? 

Evidentemente são os sistemas de defesa antiaérea. Apresentamos todos os modelos para exportação, incluindo os sistemas modernizados Petchora-M, cujas caraterísticas técnicas foram melhoradas consideravelmente, e os sistemas de localização de navios Palma.

Além disso, os brasileiros querem receber helicópteros militares de transporte Mi-17, helicópteros de combate Mi-35M e helicópteros de transporte pesados Mi-26T2, que podem transportar volumes extraordinários de carga.

Veículos blindados Tigr, sistemas de artilharia Kornet e submarinos diesel-elétricos também interessaram os latino-americanos.

 

Publicado originalmente pela RIA Nóvosti

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