Ministério da Defesa encomenda novo tanque de combate urbano

Técnicos estão desenvolvendo tanques mais avançados que os T-90 Foto: Dênis Abramov/Vedomosti

Técnicos estão desenvolvendo tanques mais avançados que os T-90 Foto: Dênis Abramov/Vedomosti

Veículo será alternativa aos atuais T-72 e T-90, originalmente projetados para batalhas de campo. Tanque moderno vai oferecer proteção a ataques em ruas estreitas das áreas urbanas e permitir transposição de bloqueios e barricadas.

O principal órgão gestor da divisão de blindados do Ministério da Defesa está atualmente elaborando os requisitos táticos e as especificações para esse veículo. Após a conclusão desses trabalhos na metade deste ano, será aberta uma licitação para o seu desenvolvimento.

“Para ultrapassar os bloqueios o tanque urbano será equipado com uma lâmina de bulldozer [termo em inglês para “escavadeira”]. Por enquanto, apenas os Tusk (Tank Urban Special Kit) americanos possuem esses kits. Além disso, o fundo do tanque será reforçado com placas blindadas para maior proteção contra minas e projéteis de fragmentação escondidos ao longo do percurso, e em volta de sua estrutura será acoplada uma grade especial que servirá de proteção contra o sistema de ogivas antitanque, antes que ocorra o contato com a blindagem” revelou para o jornal “Izvéstia” um representante do Ministério da Defesa.

No entanto, já foi determinado que o carro de combate para confrontos urbanos deve ser capaz de resistir às granadas disparadas de armas antitanque como o RPG-7 e o RPG-29, bem como às explosões de minas com a potência de algumas dezenas de quilos de TNT. No novo kit também serão incluídos blocos adicionais de blindagem reativa, isto é, blocos repletos de explosivos que quando atingidos detonam e repelem o projétil inimigo.

De acordo com os planos, os veículos para o combate urbano devem ser montados sobre os tanques de linha em um curto espaço de tempo.

“Por exemplo, o batalhão está apoiando a infantaria dentro da cidade. Esses kits são trazidos dos depósitos e instalados pela tripulação e pela equipe de manutenção. Após a conclusão da missão, os kits são desinstalados e levados de volta ao depósito”, acrescentou o representante da pasta responsável.

Os componentes do kit estão sendo desenvolvidos pelo Instituto do Aço (NII Stali), que já tem prontos um grande número de amostras de blindagem reativa, telas treliça de proteção e outros componentes.

“Nossa tarefa agora é escolher a melhor opção levando em conta a relação custo-benefício. Nosso objetivo é que não sejam conjuntos de poucas unidades, e sim um armamento em massa. Quanto maior a quantidade menor será o custo da criação de cada tanque urbano”, revelou o entrevistado.

A NII Stali esclareceu ao “Izvéstia” que cada kit de combate urbano custaria aos militares não menos que US$ 200 a 250 mil.

O oficial da brigada de tanques do Distrito Militar Sul também disse ao jornal russo que os tanques convencionais não são adequados aos combates urbanos, porque, entre as casas e edifícios, eles ficam mais vulneráveis aos ataques de curta distância do que quando estão na linha de frente. Em grande parte, essa foi a causa do insucesso da incursão sobre Grózni, em 1995, quando guerrilheiros, usando lançadores de granadas manuais, atiravam nos tanques de cima dos telhados das casas.

“Apesar de tudo, os tanques são originalmente projetados para o combate em campo aberto, lá as distâncias são outras e existem outros recursos de destruição. O ataque principal é conduzido no plano frontal e a uma distância que varia de 2 km até 700 m. Por isso, a blindagem mais reforçada é disposta à frente. E na cidade, o tanque pode ser atingido atrás e dos lados onde a blindagem é menos espessa, e não de uma distância de 2 km, mas de apenas  algumas dezenas de metros. Para destruir completamente um tanque moderno, basta um único disparo certeiro de um RPG-29”, disse a fonte do ministério.

No campo, o kit urbano iria aumentar o peso do tanque, retardar as suas manobras e aumentar o consumo de combustível, razões pelas quais o aparato para combate urbano deve ser removível.

O especialista militar independente Aleksêi Khlopotov afirma que esses kits para a cidade são amplamente utilizados em outros países ao redor do mundo. “Os americanos têm o TUSK para o M-1 Abrams. Nesse kit existem os mesmos componentes projetados para o pacote russo: blindagem adicional, telas de proteção contra granadas químicas, mísseis etc”, comenta Khlopotov.

Ainda de acordo com o especialista, os franceses possuem o kit para o tanque Leclerc, que foi chamado de Azur, e  os alemães estão desenvolvendo kits semelhantes para os seus Leopardos. “Os americanos utilizaram os seus Tusk no Iraque, e agora os franceses estão fazendo uso do Azur no Afeganistão”, conta Khlopotov.

Desde 1970, havia projetos para a criação de um kit de combate urbano na URSS. Para a guerra no Afeganistão, foi inclusive desenvolvido um veículo complementar para o tanque T-62, com uma blindagem adicional e telas de proteção. No entanto, com a desagregação da União Soviética os trabalhos relativos a esse projeto foram interrompidos.

 

Publicado originalmente pelo Izvéstia 

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