“Vamos pousar na órbita polar da Lua”

Versão não tripulada da nova nave deverá ser lançada até 2018 Foto: NASA

Versão não tripulada da nova nave deverá ser lançada até 2018 Foto: NASA

A agência espacial federal da Rússia (Roscomos) está elaborando um projeto de espaçonave tripulada que, dentro de 7 a 8 anos, deverá substituir as atuais naves Soyuz. Em entrevista ao jornal “Izvéstia”, Nikolai Brukhanov, projetista-chefe dos sistemas espaciais tripulados da corporação aeroespacial Enérguia, contou como está sendo a criação da nave espacial que irá conduzir as futuras missões à Lua.

Izvéstia: Quais foram os complementos que tiveram de ser adicionados ao projeto em função das missões planejadas para a Lua? 

Nikolai Brukhanov: À primeira vista, as alterações das especificações técnicas pareciam insignificantes, mas, na realidade, elas inverteram tudo o que tínhamos desenvolvendo desde 2010. Por exemplo, todo o esforço que fizemos para o desenvolvimento da proteção térmica ao elaborarmos o esboço do projeto anterior se mostrou insuficiente. Fomos obrigados a conduzir pesquisas científicas em um curto espaço de tempo, percorrendo rapidamente um caminho que muitos outros países levariam décadas.

I: Do ponto de vista das pesquisas científicas, foram consideradas áreas prioritárias na Lua?

NB: Nossas especificações estavam voltando para uma coisa: é preciso voar para a Lua. Mas o que isso significa? Na órbita polar ou equatorial da Lua? Escolhemos, então, o problema de mais difícil solução, isto é, a órbita polar. Mesmo porque se conseguirmos entrar na órbita polar, seremos capazes de pousar em qualquer ponto da Lua. Além disso, essas regiões da Lua despertam um interesse maior entre os cientistas.

I: Quando vocês conseguirão efetivamente iniciar a fase de testes de voo com nova nave?

NB: É cedo para responder essa pergunta. O esquema de trabalho para o desenvolvimento do projeto aprovado hoje prevê várias etapas. Ao final de cada etapa, é aberto um concurso para a próxima fase. Os prazos dependem do ritmo do processo e do volume de financiamento.

Agora se aproxima a etapa mais cara do processo de criação. E se o dinheiro vier aos poucos pode acontecer do processo se estender por décadas. Mas se não quisermos ficar atrás das outras potências espaciais, é imprescindível construirmos uma versão não tripulada da nave para, pelo menos, 2018.

Publicado originalmente pelo Izvéstia

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