Radiotelescópio russo surpreende ao visualizar galáxias distantes com precisão

Usando analogia, especialista disse que expectativa era enxergar “uma panqueca, mas foi possível identificar grãozinhos de ervilha” Foto: NASA

Usando analogia, especialista disse que expectativa era enxergar “uma panqueca, mas foi possível identificar grãozinhos de ervilha” Foto: NASA

Feito abrirá caminho para estudos de outros corpos celestes e do buraco negro no centro da nossa galáxia.

Os cientistas da Academia de Ciências da Rússia, que refutavam a teoria do comportamento do meio interestelar em nossa galáxia, serão forçados a repensar as decisões tomadas um ano e meio atrás, antes do observatório espacial “Radioastron” ser colocado em órbita.

“As bases da teoria do meio interestelar estão fundamentadas nos resultados de medições astronômicas que, até hoje, consistiam apenas em observações dos corpos celestes a partir da Terra”, declarou Iúri Kovalev, diretor do programa científico. “Mas o Radioastron surpreendeu.”

Graças ao radiotelescópio russo, foi possível, pela primeira vez na história, realizar experimentos com ondas longas e obter informações científicas antes desconhecidas. “Ficou constatado que [as ondas] não se encaixam e não podem ser explicadas através de teorias antigas”, acrescentou Kovalev.

Pela norma, imaginava-se que as ondas de rádio emanadas dos objetos distantes do universo em direção à Terra seriam alteradas pelo plasma interestelar. Nessas condições, até mesmo o sensível Radiostron, com uma resolução de 7 microssegundos, não teria capacidade de focalizar qualquer imagem, muitos menos fontes tão fracas como os pulsares – pequenas estrelas mortas do tamanho de uma cidadezinha.

“Tínhamos certeza de que os pulsares constituem apenas um ponto e que não existia e nunca poderia existir alguma imagem deles”, disse Mikhail Popov, gerente no Centro Astroespacial do Instituto de Física Lebedev.

No entanto, o Radioastron conseguiu impressionar a todos com seu alcance de visão. Associado a uma rede terrestre de radiotelescópios, formou um único aparelho de medição, o interferômetro, com potência milhares de vezes superior à do telescópio norte-americano Hubble, que trabalha nas faixas de frequências ópticas.

“No lugar do esperado círculo uniforme e difuso, quase indistinguível para o grau de sensibilidade dos nossos instrumentos, nos vimos pequenas estrelas brilhantes que cintilam por um tempo e desaparecem em seguida, e no lugar delas surgem outras”, continuou Popov.

A descoberta abre novos caminhos para os estudos sobre pulsares. Além disso, ao corrigir a teoria de propagação das ondas de rádio no meio interestelar, o estudo permite fazer um prognóstico do comportamento de outros corpos celestes e alcançar o centro da nossa galáxia.

“Compreendendo melhor como funciona o meio interestelar, o objetivo agora é enxergar o horizonte do buraco negro no centro da nossa galáxia”, adiantou Kovalev, referindo-se “a mais brilhante descoberta da astronomia atual”.

Especialistas da área sugerem que a capacidade do novo radiotelescópio poderá ajudá-lo a conquistar o Prêmio Nobel.

Publicado originalmente pela rádio Voz da Rússia

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.