Como se proteger de ameaças do espaço

Foto:  NASA

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Novos veículos de lançamento e supertelescópios protegerão Rússia de possíveis cometas. Programa nacional russo para combater as ameaças espaciais sairá no final de 2013.

No último dia 12, o presidente do grupo de especialistas em ameaças espaciais do Conselho do Espaço da Academia das Ciências da Rússia, Boris Chustov declarou que é preciso criar um sistema baseado tanto na terra como no espaço para detectar objetos espaciais perigosos, como o meteorito que caiu na cidade de Tcheliabinsk.

Para o diretor do Instituto de Astronomia Aplicada, Aleksandr Ipatov, a Rússia deve melhorar seu sistema de observação de asteróides para poder oferecer uma resposta eficaz às ameaças espaciais. “Para criar esse sistema, é preciso, em primeiro lugar, catalogar todos os asteróides”, disse Ipatov. 

Em 15 de fevereiro, três regiões centrais da Rússia foram atingidas por uma forte chuva de meteoritos. Pelo menos 1.200 pessoas, entre as quais 84 crianças, necessitaram assistência médica após a queda dos fragmentos, apresentando, em sua maioria, ferimentos causados por estilhaços de vidro que foram quebrados com o impacto.

“A ameaça dos asteróides não é comparável com os perigos do lixo espacial. O nosso intituto está catalogando todos os pequenos corpos do sistema solar. No entanto, em relação ao sistema de observação, os EUA já ultrapassaram a Rússia”, explica Ipatov.

“Os americanos conseguiram registrar todos os asteróides com dimensões maiores que um quilômetro. São cerca de 800 mil objetos”, completou.

Segundo o diretor do Instituto Keldish de Matemática Aplicada da Academia de Ciências da Rússia, Boris Tcheverúchkin, é preciso criar um centro de processamento e análise de informações sobre os asteróides que se aproximam da Terra.

Explosões nucleares

Vitáli Lopota, presidente e engenheiro-chefe da corporação espacial russa RKK Energia, acredita que a Rússia poderá resolver as questões relacionadas a perigos espaciais com a fabricação de veículos de lançamento com capacidade de transportar cargas de 70 toneladas em  2020, e de 150 toneladas até 2030.

Os veículos de lançamento ultrapesados permitirão o lançamento deveículos espaciais fora da órbita da Terra para interceptar os asteróides com antecipação.

“Veículos de lançamento ultrapesados são capazes de transportar carga termonuclear até asteróides grandes. No entanto, a criação de um sistema nacional e internacional de proteção contra a colisão de asteróides que usará cargas nucleares exige a solução de questões relacionadas com o Tratado de Não Proliferação Nuclear e a proibição de testes nucleares”, completou Lopota.

Mais de 200 mil corpos espaciais representam perigo devido a sua possível colisão com a terra durante os próximos 100 a 200 anos. Até os dias atuais, os cientistas identificaram apenas cerca de 2% deles.

De acordo com Oleg Shúbin, diretor da Rosatom (Corporação Estatal Russa de Energia Nuclear), outros métodos de desvio e destruição de asteróides que não utilizam explosões nucleares são ineficazes.

Contra ameaças espaciais

De acordo com o diretor da agência espacial russa Roscosmos, Vladímir Popovkin, já existem três programas científicos que devem ser unidos em um único.

“Unindo o programa para o desenvolvimento de recursos ópticos e de observação da Academia de Ciências da Rússia, o programa da Roscosmos para combater ameaças de espaço e o programa espacial do Ministério da Defesa, devemos criar um programa geral até o final de 2013”, disse Popóvkin.

Segundo ele, a será preciso de 5 a 7 anos para criar um sistema de defesa contra os ateróides.

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