Cosmonautas comentam ida de mulheres ao espaço

Foto: RIA Nóvosti

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Atualmente, existem duas mulheres na equipe de cosmonautas russos. Uma delas, Elena Serova, será enviada para o espaço no segundo semestre do ano de 2014 – ela já está se preparando para o voo.

Na esteira do Dia Internacional da Mulher, comemorado na última sexta-feira (8), o Centro de Preparo de Cosmonautas da Rússia revelou alguns segredos sobre as viagens femininas ao espaço.

"O programa de preparo para viagens no espaço não faz distinção entre homens e mulheres”, disse o porta-voz do CPC (Centro de Preparo de Cosmonautas), Aleksêi Temerov.

Mesmo assim, existem algumas diferenças na preparação devido ao ciclo fisiológico feminino. Pesquisas demonstraram que o corpo da mulher suporta melhor cargas extremas entre o 14º e o 18º dias do ciclo menstrual. Em consonância, desenvolve-se um cronograma de treinamentos e testes para as astronautas, conta Temerov.

Atualmente, existem duas mulheres na equipe de cosmonautas russos. Uma delas, Elena Serova, será enviada para o espaço no segundo semestre do ano de 2014 ­–ela já está se preparando para o voo.

O treinamento de Serova não é diferente do dos homens, salientaram os peritos do Centro de Preparo dos Cosmonautas. Anna Kikina, a segunda astronauta da unidade espacial russa, está passando pelo processo de formação e preparo.

Sobre o voo de Sarah Brightman [em outubro passado, a cantora britânica, conhecida por estrelar o musical “O Fantasma da Ópera”, afirmou que planeja voar a cerca de 400 quilômetros da Terra para a Estação Espacial Internacional], os representantes do CPC disseram que ela passou no exame médico para voar com resultados brilhantes e pode começar os treinamentos prévios a qualquer momento.

Desta forma, eles refutaram a recente especulação da mídia sobre a possível recusa de  Brightman da ideia de voar.

Comentando sobre os planos do primeiro turista cósmico da Terra, Dennis Tito, de enviar um casal para Marte, os especialistas russos em cosmonáutica observaram que é prematuro falar sobre um voo do tipo (incluindo o fato de que o problema da radiação cósmica não tenha sido resolvido ainda). Além disso, uma viagem para Marte irá se tornar também uma grande prova para os astronautas.

"Imagine que você vê a pessoa, mesmo que amada, por quase um ano e meio em um espaço confinado. Inevitavelmente, logo após o início do voo os assuntos para conversas estarão terminados, acumulando-se em seguida o cansaço psicológico. Ao retornar à Terra, o que sobra para eles –o divórcio? ", indagou o psicólogo do CPC, Vadim Gushchin.

"Quando tivermos uma colônia em Marte, construiremos casas, ligaremos água, luz, plantaremos flores – ai convidaremos as famílias para lá."

Ocidente x Oriente

Os especialistas russos também expressaram suas opiniões sobre a diferença entre as abordagens ocidental e russa aos voos de mulheres astronautas.

Em primeiro lugar, afirmaram que o grande número de mulheres americanas que viajaram ao espaço explica-se pela disposição política para apoiar o feminismo existente no Ocidente.

Além disso, a grande diferença no número de mulheres astronautas existente entre os Estados Unidos e Europa, por um lado, e a Rússia, por outro, segundo os especialistas, se deve à diferença nos programas do espaço: o Shuttle foi capaz de levar para a órbita 6 astronautas, enquanto as naves espaciais russas são compostas por no máximo três pessoas. Daí, a grande “fila” de astronautas que aguardam um voo.

Falando sobre as relações entre homens e mulheres em equipes espaciais, o psicólogo do CPC mencionou a opinião da astronauta americana Shannon Lucid.

Segundo ela, em voo, é importante encontrar a chave para cada membro da tripulação. Ou seja, não se trata de fazer o trabalho exatamente como os homens, mas de criar um clima psicológico confortável em uma nave espacial. E essa mulher pode até abrir mão para a vontade dos homens de serem os cavalheiros e executarem por ela as tarefas mais complexas –desta forma ela fará os homens felizes.

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