“Suspense” continua na busca de vida subglacial na Antártica

Foto: RIA Nóvosti

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Pesquisadores russos obtiveram amostras de gelo do antigo lago Vostok, na Antártica. Porém, em entrevista na última sexta-feira (1), eles disseram que levará meses para esclarecer se existe vida na água encontrada abaixo dos 3,5 km de geleira. 

Vamos manter o suspense por um pouco mais”, brincou Vladímir Lipenkov, climatologista do Instituto Russo de Pesquisa do Ártico e Antártica, durante a coletiva de imprensa da agência RIA Nóvosti.

As amostras de gelo estão atualmente na embarcação de pesquisa Akademik Fiodorov, que vai retornar a São Petersburgo em maio. A análise das amostras será então iniciada, e a expectativa é que os resultados sejam publicados no fim deste ano ou no início do próximo.

O Vostok, maior lago subglacial da Antártica, pode conter formas de vida microscópicas e exclusivas, que evoluíram após o seu isolamento do mundo externo com a formação de uma camada de gelo há 18 milhões de ano”, acrescentou Lipenkov.

Os pesquisadores russos tentam perfurar a camada de gelo para atingir o lago desde 1995, mas só conseguiram finalizar o poço no ano passado.

Entretanto, a temporada de perfuração é curta devido às severas condições climáticas da área [o lago Vostok está localizado no Polo do Frio) e a equipe de pesquisa só conseguiu coletar amostras da água da superfície do lago que congelou no poço em janeiro de 2013.

Não se conhece atualmente nenhuma forma de vida que seria capaz de sobreviver a em condições ambientais como a do lago Vostok, onde a concentração de oxigênio é 50 vezes superior à média.

A análise preliminar das amostras iniciais de água de superfície do lago, publicada no final do ano passado, não encontrou vestígios de quaisquer bactérias exclusivas. Porém, os micro-organismos podem viver bem ao fundo do lago, próximos a fontes termais.

O passo seguinte será a obtenção de amostras de água abaixo da superfície do lago, que tem uma profundidade média de mais de 300 metros, e depois perfurar até atingir sedimentos depositados no fundo”, explicou Nikolai Vassiliev, especialista em perfuração e pesquisador da Universidade Nacional de Recursos Minerais, em São Petersburgo.

Essa tarefa será mais difícil do que obter amostras de solo lunar e marciano”, completou Vassiliev.

A expedição na Estação Vostok da Rússia foi autorizada pela Comissão Internacional para Proteção Ambiental para continuar sua pesquisa até 2018, informou Váleri Lukin, chefe da expedição antártica russa.

A Rússia alocou cerca de US$ 35 milhões para apoiar a investigação na Antártica em 2012, sendo US$ 15 milhões dessa quantia investidos na Estação Vostok”, disse Lukin durante a coletiva.

A estação, criada em 1957, é um das cinco bases permanente da Rússia na Antártica. Uma grande reforma das instalações está agendada a partir de 2014.

Antártica X Espaço

A Antártica continua sendo um dos lugares menos explorados do planeta e, como tal, é de grande interesse pesquisadores e exploradores.

Sucumbindo à tentação, até mesmo o presidente russo Vladímir Pútin – conhecido por suas façanhas, como voar com os pássaros migratórios em um asa-delta e descer até o fundo do lago Baikal a bordo de um submarino – anunciou, em janeiro, planos de visitar as estações russas no continente sul em algum momento de 2013.

Algumas teorias sobre os mistérios da Antártica são bastante rebuscadas. Uma lenda frequentemente propagada diz que uma base nazista secreta foi estabelecida lá em 1943 para armazenar arquivos secretos de Hitler e DNA para fins de clonagem.

A história nunca foi confirmada pelos historiadores, mas continua a entusiasmar os adeptos de teorias da conspiração.

Os verdadeiros mistérios da Antártica tem a ver com a vida em condições extremas, semelhantes às encontradas fora da Terra. Acredita-se que a Lua de Júpiter chamada Europa abriga um oceano de água líquida sob um núcleo exterior de gelo semelhante ao lago Vostok. Por isso, se as recentes descobertas comprovarem a existência de vida no lago, isso pode indicar descobertas semelhantes na Europa.

Eu comparo essa expedição à investigação do espaço”, disse Lukin sobre os feitos da equipe russa. “Entender o ambiente subglacial ajuda a expandir o conhecimento humano, assim como estudar outros elementos do Sistema Solar.”

 

Publicado originalmente pela agência RIA Nóvosti

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