Grande catástrofe por queda de asteroide é ameaça distante, diz cientista

Foto: NASA/JPL-Caltech/T.Pyle (SCC).

Foto: NASA/JPL-Caltech/T.Pyle (SCC).

Vice-diretor do Instituto de Astronomia P. Shtenberg da Universidade Lomonosov de Moscou destaca, porém, que não podemos descartar haver cometas, com diâmetros de uma dezena de quilômetros e uma órbita muito elíptica e que podem cruzam a órbita de nosso planeta.

Ao aprender mais ou menos a rastrear objetos cósmicos potencialmente perigosos para a Terra, a humanidade ainda não tem métodos eficazes de destruir os objetos celestes antes de eles entrarem na atmosfera terrestre.

Essa é opinião do vice-diretor do Instituto de Astronomia P. Shtenberg da Universidade Lomonosov de Moscou, Serguêi Lamzin, que concedeu uma entrevista à Gazeta Russa.

“A probabilidade de um meteorito cair sobre sua cabeça é muito pequena. Astrônomos já conhecem todos os asteroides de diâmetro superior a uma centena de quilômetros nas imediações da Terra e, talvez, boa parte dos asteroides de diâmetro de mais de 10 km.”

Gazeta Russa:Quão séria é a ameaça representada pelos meteoros e asteroides para a vida na Terra?

Serguêi Lamzin: A cada ano, a atmosfera da Terra é bombardeada por dezenas de toneladas de meteoros, que, em sua maioria, são microscópicos e se queimam nas camadas atmosféricas densas. Os objetos com um peso de mais de um quilo podem atingir a superfície da Terra já desintegrados em fragmentos disjuntos.

Quanto maior é um meteoro, maior é a energia cinética por ele acumulada e maiores são os danos por ele causados. Se o meteorito de Tunguska tivesse chegado algumas horas atrasado, ele teria caído em algum lugar perto de São Petersburgo e teria causado danos muito maiores.

Se um objeto de diâmetro igual ou superior a 1 km cair na Terra, ele provocará um desastre de dimensão planetária. De acordo com uma hipótese intensamente discutida, a queda de um meteorito na região do Golfo do México, há milhões de anos, poderia ter levado à morte dos dinossauros.

G.R.:Podemos dizer que, em algumas regiões da Terra, a probabilidade da queda de um meteorito ou asteroide é maior do que em outras? Existe na Terra um lugar seguro?

S.L.: A probabilidade de um meteorito cair sobre sua cabeça é muito pequena. Apenas um caso em que um meteorito caiu sobre uma casa, furou o telhado e atingiu uma mulher que estava dentro é conhecido. Como o meteorito perdeu sua energia ao furar o telhado, a mulher não teve ferimentos graves.

Astrônomos já conhecem todos os asteroides de diâmetro superior a uma centena de quilômetros nas imediações da Terra e, talvez, boa parte dos asteroides de diâmetro de mais de 10 km.

De acordo com os cálculos dos astrônomos, no próximo século ou no seguinte, nenhum deles irá cruzar a órbita da Terra, portanto, não há ameaça de um apocalipse. Mas eu me refiro aos asteroides observados nas proximidades da Terra e que têm órbitas relativamente circulares.

Porém, não podemos descartar haver cometas, com diâmetros de uma dezena de quilômetros e uma órbita muito elíptica e que podem cruzam a órbita de nosso planeta.

Quanto aos lugares onde um corpo celeste pode cair, posso dizer que os fragmentos de meteoritos têm sido encontrados em todos os continentes, especialmente na Antártida, não porque essa região seja mais bombardeada do que as outras, mas porque, na neve branca, os fragmentos escuros de meteoritos são mais visíveis.

G.R.: Quais são as técnicas mais eficazes de rastreamento da trajetória de meteoritos e asteroides? É possível interceptá-los ou mudar sua trajetória?

S.L.: Quando os astrônomos descobrem um objeto se aproximando da Terra, eles começam a monitorá-lo e calcular sua órbita. Mas quanto menor é um corpo celeste, mais difícil é localizá-lo. Por outro lado, quanto menor é um objeto, menor é o dano por ele causado.

Quanto mais cedo detectarmos um objeto potencialmente perigoso, mais tempo teremos para nos preparar e avisar a população. Para isso, é preciso investir em pesquisa astronômica, criar uma rede de pequenos telescópios automatizados com um campo de visão muito amplo para monitorar continuamente o céu. Tais redes já estão sendo cridas, por exemplo, nos EUA e têm um custo bastante baixo.

Outro problema é como destruir esses objetos. Hoje em dia, não podemos fazer isso. Seria ingênuo pensar que, basta fazer explodir uma bomba atômica perto de um asteroide, para resolver o problema. Ao contrário dos foguetes terrestres, os asteroides se deslocam a uma velocidade de dezenas de quilômetros por segundo e pesam milhares ou centenas de milhares de toneladas.

No entanto, ideias não faltam. Uma delas sugere lançar um corpo pequeno rumo a um asteroide potencialmente perigoso para bater nele como uma bola de bilhar e mudar sua trajetória. Mas, por enquanto, tudo isso não passa de mera fantasia. 

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