Jovens cientistas russos esboçam nova teoria física

Dois especialistas de Novosibirsk conseguiram medir a massa de hadrões (partículas pesadas) com precisão extraordinária. Isso deve ajudar a desenvolver novas tecnologias para aplicar em indústria diversas e na medicina.

A descoberta de uma nova teoria física que negará pontos de vista tradicionais figura nos planos de Fiódor Ignatov e Korneli Todichev, agraciados com o Prêmio Presidencial Anual para jovens físicos.

Os dois cientistas efetuavam experiências em um acelerador de partículas no laboratório do Instituto de Física Nuclear G.I.Budker, em Novosibirsk, e descobriram ser possível não apenas obter novas partículas pesadas, os chamados hadrões, mas também estudá-las com uma precisão extraordinária.

O problema, contudo, é que tais partículas aparecem só em condições especiais e desaparecem quase imediatamente.

“Estudávamos a probabilidade de nascimento destas partículas e conseguimos medi-la com uma precisão garantida por aparelhos”, explicou Ignatov à estação de rádio Voz da Rússia.

Ultimamente, os físicos procuram alternativas em relação ao modelo padrão, estudando parâmetros e comparando teorias. “Se aparecerem quaisquer desvios, significará que a nossa física teórica não é justa e existe uma nova física”, acrescentou Ignatov.

O principal resultado alcançado pelo cientistas de Novosibirsk foi a medição exata da massa de hadrões. “Esses dados serão futuramente base de novas tecnologias”, afirma Korneli Todichev, colaborador científico do Instituto de Física Nuclear e também vencedor do prêmio.

“Conseguimos medir a massa de hadrões com uma precisão que ultrapassa todas as medições realizadas em outros laboratórios. Mediante tais resultados poderão ser criadas novas tecnologias que se aplicam na indústria, na medicina”, acrescenta o cientista.

No Instituto de Física Nuclear G.I.Budker foram desenvolvidos mais de 200 aceleradores industriais e instalações médicas, como, por exemplo, aparelhos de raio-X em microdoses, que podem ser encontrados em clínicas e até aeroportos ao redor do mundo. “Tudo isso torna mais confortável e segura a vida humana”, arremata Todichev.

Apesar da idade dos jovens, eles estão classificados entre os melhores físicos do mundo. Fiódor Ignatov participa atualmente de um estudo de desintegrações raras de múons, na Suíça, e Korneli Todichev, na colaboração internacional de estudo da física dos mésons B, nos Estados Unidos.

 

Publicado originalmente pela rádio Voz da Rússia

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